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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Sab | 13.05.17

Gato Preto, Gato Preto

Carina Pereira
O gato era vadio. Preto, de jeito dócil, não hesitou em aproximar-se quando ela colocou o pires com leite do lado de fora da porta. Quando acabou de beber, miou a pedir mais e enroscou-se nas suas pernas. Estava ferido numa das patas e mancava, mas parecia esquecido disso quando ela lhe trouxe o segundo pires e alguma coisa que sobrara do almoço para ele comer. Ficou por ali a tarde toda, depois desapareceu. No dia seguinte, quando Rita chegou da escola, lá estava ele outra vez. A mãe (...)
Sab | 16.05.15

O Sujeito E O Predicado

Carina Pereira
Namoravam à porta de casa dela, sobre a supervisão da mãe, que tricotava variados panos, panos que eram guardados mais tarde num baú de verga, designado desde a sua nascença para manter todas as quinquilharias que a mãe achava importante fazerem parte de um enxoval.Ela era uma rapariga de respeito; ao contrário das outras não se dava a desvarios, não se vestia de maneira provocante e, mais importante, fazia sempre aquilo que os pais, pessoas de nobre carácter e costumes brandos, (...)
Sab | 16.05.15

O Sujeito E O Predicado

Carina Pereira
Namoravam à porta de casa dela, sobre a supervisão da mãe, que tricotava variados panos, panos que eram guardados mais tarde num baú de verga, designado desde a sua nascença para manter todas as quinquilharias que a mãe achava importante fazerem parte de um enxoval.Ela era uma rapariga de respeito; ao contrário das outras não se dava a desvarios, não se vestia de maneira provocante e, mais importante, fazia sempre aquilo que os pais, pessoas de nobre carácter e costumes brandos, (...)
Ter | 17.03.15

Amor Cadente

Carina Pereira
Saiu correndo atravessando a aldeia, carregando uma camisa mal vestida contra o corpo e o cabelo sublinhando o ar ensonado, espetado em todas as direcções. Bradava, alto e bom som, e à sua passagem as janelas e portas das casas há muito adormecidas abriam-se, libertando a luminosidade dos candeeiros e deixando-a penetrar a escuridão da rua.Ninguém sabia para onde se dirigia aquela alma penada que de etérea nada tinha e era barulhenta, demasiado barulhenta para as duas horas da (...)
Ter | 17.03.15

Amor Cadente

Carina Pereira
Saiu correndo atravessando a aldeia, carregando uma camisa mal vestida contra o corpo e o cabelo sublinhando o ar ensonado, espetado em todas as direcções. Bradava, alto e bom som, e à sua passagem as janelas e portas das casas há muito adormecidas abriam-se, libertando a luminosidade dos candeeiros e deixando-a penetrar a escuridão da rua.Ninguém sabia para onde se dirigia aquela alma penada que de etérea nada tinha e era barulhenta, demasiado barulhenta para as duas horas da (...)
Qua | 21.01.15

Relatividade

Carina Pereira
O relógio da estação de comboio marca as 14h37 e enquanto o ponteiro dos segundos vai rodando, inexorável e preciso, uma voz faz-se ouvir pelo intercomunicador.“O comboio das 15h00 encontra-se uma hora atrasado devido a problemas na linha. Para mais informações e devoluções por favor diriga-se ao guichê frontal. Pedimos desculpa pelo incómodo.” A voz vem nasalada e os ouvidos afiam-se para a entender. A mensagem pára por ali, seguida de um clique e alguma estática.A Luísa (...)
Qua | 21.01.15

Relatividade

Carina Pereira
O relógio da estação de comboio marca as 14h37 e enquanto o ponteiro dos segundos vai rodando, inexorável e preciso, uma voz faz-se ouvir pelo intercomunicador.“O comboio das 15h00 encontra-se uma hora atrasado devido a problemas na linha. Para mais informações e devoluções por favor diriga-se ao guichê frontal. Pedimos desculpa pelo incómodo.” A voz vem nasalada e os ouvidos afiam-se para a entender. A mensagem pára por ali, seguida de um clique e alguma estática.A Luísa (...)
Sab | 10.01.15

Uma Manada De Ironias

Carina Pereira
O Tio Manel tinha medo de vacas. Quando as via lá tirava o chapéu para limpar o suor que lhe escorria pela testa, com tremores típicos de um receio infundado.Esta situação era, no vernáculo descontraído dele, um bocado chata, visto que a sua família tinha, ainda antes de ele ser projecto, fundado os alicerces do seu futuro na criação de gado bovino.O Tio Manel, ainda Manelinho, fugia das vacas como quem foge do perigo eminente e mesmo quando se tornou Manel e ainda lhe faltava o (...)
Sab | 10.01.15

Uma Manada De Ironias

Carina Pereira
O Tio Manel tinha medo de vacas. Quando as via lá tirava o chapéu para limpar o suor que lhe escorria pela testa, com tremores típicos de um receio infundado.Esta situação era, no vernáculo descontraído dele, um bocado chata, visto que a sua família tinha, ainda antes de ele ser projecto, fundado os alicerces do seu futuro na criação de gado bovino.O Tio Manel, ainda Manelinho, fugia das vacas como quem foge do perigo eminente e mesmo quando se tornou Manel e ainda lhe faltava o (...)
Dom | 30.11.14

Jornal De Amor

Carina Pereira
Na primeira noite de um Outubro gélido como há muitos anos não se sentia, Ana saiu de casa à socapa, com o poncho cinzento escuro a cobrir-lhe os ombros.  Ia sem pressa e com objectivo, olhando em volta para a ter a certeza de que ia só.Os seus pais dormiam a sono solto desde as dez da noite mas o gato era astuto e Ana receava que desse algum sinal da sua ausência. Por isso, prendeu-o no seu quarto, esperando que o acolhedor conforto da sua cama fosse chantagem suficiente para ele (...)
Dom | 30.11.14

Jornal De Amor

Carina Pereira
Na primeira noite de um Outubro gélido como há muitos anos não se sentia, Ana saiu de casa à socapa, com o poncho cinzento escuro a cobrir-lhe os ombros.  Ia sem pressa e com objectivo, olhando em volta para a ter a certeza de que ia só.Os seus pais dormiam a sono solto desde as dez da noite mas o gato era astuto e Ana receava que desse algum sinal da sua ausência. Por isso, prendeu-o no seu quarto, esperando que o acolhedor conforto da sua cama fosse chantagem suficiente para ele (...)