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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Dom | 26.04.15

Poderia Dizer

Carina Pereira
Poderia dizer Que esgotei as minhas horas Em esperas e esperanças, Que as perdi em ti. Mas as horas sempre me perteceram, Nunca foram apenas gastas, Foram vividas. Poderia dizer Que foi tempo perdido, Mas isso seria aceitar Que o valor que as coisas tiveram Muda com o tempo, Sem entender que no seu tempo É que o valor das coisas conta. Começar de novo É uma práctica constante, Permite-nos a nossa própria reinvenção, Sabendo já o que queremos E onde não devemos voltar. Poderia dizer (...)
Dom | 26.04.15

Poderia Dizer

Carina Pereira
Poderia dizer Que esgotei as minhas horas Em esperas e esperanças, Que as perdi em ti. Mas as horas sempre me perteceram, Nunca foram apenas gastas, Foram vividas. Poderia dizer Que foi tempo perdido, Mas isso seria aceitar Que o valor que as coisas tiveram Muda com o tempo, Sem entender que no seu tempo É que o valor das coisas conta. Começar de novo É uma práctica constante, Permite-nos a nossa própria reinvenção, Sabendo já o que queremos E onde não devemos voltar. Poderia dizer (...)
Seg | 06.04.15

O Castelo

Carina Pereira
E é assim Que os gritos se tornam silêncio E, onde te sabia de cor, agora te estranho. Os castelos no ar que construí Desmoronam-se, pedra a pedra; Agora, quero castelos de verdade, Com alicerces que assentam só em mim, Feitos do pó que eu mesma criei, Das cinzas de onde renasci. Talvez um castelo tosco, torto, tormentado, Erigido do que sobrou do meu passado, Imperfeito e com cicatrizes por onde a luz se espraia Ao nascer do dia, Mas um castelo onde, sentinela de mim mesma, A (...)
Seg | 06.04.15

O Castelo

Carina Pereira
E é assim Que os gritos se tornam silêncio E, onde te sabia de cor, agora te estranho. Os castelos no ar que construí Desmoronam-se, pedra a pedra; Agora, quero castelos de verdade, Com alicerces que assentam só em mim, Feitos do pó que eu mesma criei, Das cinzas de onde renasci. Talvez um castelo tosco, torto, tormentado, Erigido do que sobrou do meu passado, Imperfeito e com cicatrizes por onde a luz se espraia Ao nascer do dia, Mas um castelo onde, sentinela de mim mesma, A (...)
Sab | 14.03.15

Erro Crasso

Carina Pereira
Saiu de casa de manhãzinha Carregando um guarda-chuva de sonhos e possibilidades; Quando à noite voltou O guarda-chuva não passava de um guarda-chuva. Cresce, disseram-lhe, E ela questionou-se porque, para crescer, Tinha de matar tudo o que era sonho. Pegou em gotas de chuva e fez um par de brincos E todos a invejaram, Sem se darem conta de que a chuva estava alí À mão de semear. De manhãzinha diziam-lhe: Podes ser o que quiseres; À noite bradavam: Cresce. Cresceu Erro crasso. Cari (...)
Sab | 14.03.15

Erro Crasso

Carina Pereira
Saiu de casa de manhãzinha Carregando um guarda-chuva de sonhos e possibilidades; Quando à noite voltou O guarda-chuva não passava de um guarda-chuva. Cresce, disseram-lhe, E ela questionou-se porque, para crescer, Tinha de matar tudo o que era sonho. Pegou em gotas de chuva e fez um par de brincos E todos a invejaram, Sem se darem conta de que a chuva estava alí À mão de semear. De manhãzinha diziam-lhe: Podes ser o que quiseres; À noite bradavam: Cresce. Cresceu Erro crasso. Cari (...)
Ter | 24.02.15

Casa

Carina Pereira
Ainda te encontro agarrado às minhas palavras E sabes-me à cinza de uma casa que ardeu E essa casa era minha. Agora não resta nada senão o rasto dos meus livros E das minhas entranhas e de todas as coisas que possuí Espalhadas pelo chão, Encharcadas pela vã esperança de as salvar E pela culpa de adquirir coisas tão frágeis. Frágeis como o nosso amor. Vejo-te, acho-te nas ruínas da madeira Lambida pelas labaredas; És a parte queimada que se serra com reticência Para salvar o (...)
Ter | 24.02.15

Casa

Carina Pereira
Ainda te encontro agarrado às minhas palavras E sabes-me à cinza de uma casa que ardeu E essa casa era minha. Agora não resta nada senão o rasto dos meus livros E das minhas entranhas e de todas as coisas que possuí Espalhadas pelo chão, Encharcadas pela vã esperança de as salvar E pela culpa de adquirir coisas tão frágeis. Frágeis como o nosso amor. Vejo-te, acho-te nas ruínas da madeira Lambida pelas labaredas; És a parte queimada que se serra com reticência Para salvar o (...)
Sex | 20.02.15

Os Sensatos

Carina Pereira
Os sensatos deixam os sonhos de lado Quando não são mais viáveis E dão forma à vida. Desprendidos, Vão construindo castelos de pedra. Eu deixo os meus sonhos impossíveis Envenenarem-me, Cianeto numa bebida já amarga. Engulo-os, mas eles não me matam; Correm-me nas veias, Azedando-me por dentro. Os sensatos encontram um lugar para assentar alicerces, Às vezes tão frágeis; Meias vidas, morno existir Que o acostumar engana e a pele já nem sente O arrepio constante que por si passa (...)
Sex | 20.02.15

Os Sensatos

Carina Pereira
Os sensatos deixam os sonhos de lado Quando não são mais viáveis E dão forma à vida. Desprendidos, Vão construindo castelos de pedra. Eu deixo os meus sonhos impossíveis Envenenarem-me, Cianeto numa bebida já amarga. Engulo-os, mas eles não me matam; Correm-me nas veias, Azedando-me por dentro. Os sensatos encontram um lugar para assentar alicerces, Às vezes tão frágeis; Meias vidas, morno existir Que o acostumar engana e a pele já nem sente O arrepio constante que por si passa (...)
Seg | 16.02.15

Por David E Por Sophia

Carina Pereira
Quantas vezes te disse eu, Penélope, Que os dias de Primavera chegariam ao fim Sem que eu te gravasse sequer no meu peito, Sem eu ter sequer usado todas as batidas do relógio de bolso Maquinado pelo teu coração. Quantas vezes te avisei Que o que era em nós amor, Seria um dia a pena De um dia ter sido mais que um nada. Não me arrependo Das horas que gastei em tuas horas, Dos suspiros que eram teus e eram meus E das palavras que despedaçamos E que hão-de acender-se em nossos âmagos, (...)
Seg | 16.02.15

Por David E Por Sophia

Carina Pereira
Quantas vezes te disse eu, Penélope, Que os dias de Primavera chegariam ao fim Sem que eu te gravasse sequer no meu peito, Sem eu ter sequer usado todas as batidas do relógio de bolso Maquinado pelo teu coração. Quantas vezes te avisei Que o que era em nós amor, Seria um dia a pena De um dia ter sido mais que um nada. Não me arrependo Das horas que gastei em tuas horas, Dos suspiros que eram teus e eram meus E das palavras que despedaçamos E que hão-de acender-se em nossos âmagos, (...)
Dom | 15.02.15

Gosto-Te Muito

Carina Pereira
“Gosto-te muito” É assim que mo dizes Num Português quebrado, Como se o erro crasso e vadio Fosse mais exacto, gentil, Fosse um amar mais acertado. “Gosto-te muito” De mansinho e com ternura, Apenas um facto que aprendeste na rua Que vai do meu peito ao teu. “Gosto-te muito” Porque amar-te é já corriqueiro E gostar-te muito é tão somente nosso; Bálsamo, segredo, erro Que já não troco, neologismo fagueiro. “Gosto-te tanto” Entoas com tal meiguice E eu aconchego-o a (...)
Dom | 15.02.15

Gosto-Te Muito

Carina Pereira
“Gosto-te muito” É assim que mo dizes Num Português quebrado, Como se o erro crasso e vadio Fosse mais exacto, gentil, Fosse um amar mais acertado. “Gosto-te muito” De mansinho e com ternura, Apenas um facto que aprendeste na rua Que vai do meu peito ao teu. “Gosto-te muito” Porque amar-te é já corriqueiro E gostar-te muito é tão somente nosso; Bálsamo, segredo, erro Que já não troco, neologismo fagueiro. “Gosto-te tanto” Entoas com tal meiguice E eu aconchego-o a (...)
Sab | 14.02.15

Vincent Van Gogh

Carina Pereira
Pudera eu condensar na minha arte Todas as camadas de que é feito o céu, E mostrar que também na claridade do dia Cabe a surda cegueira do bréu. Pudera eu mostrar as ardentes estrelas Tal e qual as vejo e imagino, E encontrar um pedaço de sossego Ao dissecar este ofuscante fulgor que não domino. Quisera eu contar os monstros que em mim vivem, Atemorizá-los para terem medo do que sou, Mas sem forças deixo-os tornarem-se mais eu, E eles fundem-se comigo;  eu vou. As cores que eu (...)
Sab | 14.02.15

Vincent Van Gogh

Carina Pereira
Pudera eu condensar na minha arte Todas as camadas de que é feito o céu, E mostrar que também na claridade do dia Cabe a surda cegueira do bréu. Pudera eu mostrar as ardentes estrelas Tal e qual as vejo e imagino, E encontrar um pedaço de sossego Ao dissecar este ofuscante fulgor que não domino. Quisera eu contar os monstros que em mim vivem, Atemorizá-los para terem medo do que sou, Mas sem forças deixo-os tornarem-se mais eu, E eles fundem-se comigo;  eu vou. As cores que eu (...)
Ter | 27.01.15

A Ilusão Da Longevidade É O Que Lentamente Nos Mata

Carina Pereira
A ilusão da longevidade é o que lentamente nos mata; Todas as mãos se soltam, Todos os olhares se esquecem, Todos os corações padecem E a eternidade não é mais do que o ardor frágil de uma beata. A ilusão da longevidade é o que vagarosamente nos consome; Fazemos planos, Traçamos rotas, Contamos anos E descuidamos que o caminho é para ser vivido sem pressa, percorrido com fome. A ilusão da longevidade é o que, impiedosamente, nos atraiçoa; Engolimos palavras, Remoemos mágoas, Va (...)
Ter | 27.01.15

A Ilusão Da Longevidade É O Que Lentamente Nos Mata

Carina Pereira
A ilusão da longevidade é o que lentamente nos mata; Todas as mãos se soltam, Todos os olhares se esquecem, Todos os corações padecem E a eternidade não é mais do que o ardor frágil de uma beata. A ilusão da longevidade é o que vagarosamente nos consome; Fazemos planos, Traçamos rotas, Contamos anos E descuidamos que o caminho é para ser vivido sem pressa, percorrido com fome. A ilusão da longevidade é o que, impiedosamente, nos atraiçoa; Engolimos palavras, Remoemos mágoas, Va (...)
Ter | 20.01.15

Deambulante Estático

Carina Pereira
Colada aos livros que de agasalho me servem, De Janeiro a Dezembro lá ando eu contente. Vou por aí sem ir, viajo sem sair do sítio, E continuando a ser eu, vou sendo também outra gente. Carina Pereira, 20 de Janeiro de 2015 Submissão para o concurso de Janeiro do "Clube Caminho Fantástico"
Ter | 20.01.15

Deambulante Estático

Carina Pereira
Colada aos livros que de agasalho me servem, De Janeiro a Dezembro lá ando eu contente. Vou por aí sem ir, viajo sem sair do sítio, E continuando a ser eu, vou sendo também outra gente. Carina Pereira, 20 de Janeiro de 2015 Submissão para o concurso de Janeiro do "Clube Caminho Fantástico"