Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Sab | 29.04.17

Stephanie Garber | Caraval #1

Carina Pereira

Decidi ler este livro  por duas razões: primeiro por causa da capa maravilhosa (quem nunca?) e segundo porque li em todo o lado que este era "o novo The Night Circus".

É sempre um risco dizerem que algo é "o novo" seja o que for, porque vai criar expectativas e, neste caso, sairam-me todas frustradas. Não que eu estivesse à espera que este livro fosse ao nível do The Night Circus, - o patamar era muito elevado visto que é um dos meus livros favoritos - mas esperava mais. Como disse no Instagram, comparar este livro ao The Night Circus é como comparar gelado normal a Haagen-Dazs. Por isso mesmo, dá lugar a desilusão. Não digo que o livro é mau, há quem goste deste tipo de escrita mas, para mim, deu lugar a muito revirar de olhos durante a leitura.

Para começar, metáforas constantes que não faziam sentido nenhum. Não gosto de ler um livro e ver que usam duzentos adjectivos e comparações para encher página e tornar o texto místico e é exactamernte o que acontece aqui. Mais, falando no The Night Circus, aí está um livro com um escrita bastante mágica - e, sim, talvez até mística - sem ser preciso perder tempo a encher frases com coisas que não fazem sentido. Dizer que algo cheira ao "escuro da noite" é dizer o quê, exactamente? É que houve lá descrições deste género que me ficaram a dizer o mesmo que se não tivessem dito nada.

As persongens também deixam muito a desejar; uma história pode ter elementos clichés sem a personagem o ser. A personagem principal, Scarlett, comporta-se com a tipicalidade de quem tenta retrair o que sente, sem querer retrair nada. Vê-se perfeitamente na narrativa que ela está a fazer um péssimo trabalho de se convencer a si mesma daquilo que quer mas não devia querer, o que a torna pouco credível. Uma personagem pode até mentir aos outros, mas quando mente a si mesma as coisas já mudam de figura. Depois, afirma com convição que tudo o que faz e tudo o que lhe interessa é a segurança da irmã, no entanto basta aparecer um companheiro jeitoso lá para o sítio e ela já oscila.  Tenham paciência, quem gosta assim tanto de uma irmã não vai oscilar entre esta e um possível romance (mas que não é um romance, claro, porque ela não gosta dele, nem pensar.) Já Julian - o tal jeitoso - também é uma personagem muito típica, o que me fez achar difícil sentir empatia pela história. Já estava a ver desde o início para onde é que a história ia, com personagens tão familiares é dificil não ver a história à nossa frente, memo que com alguns elementos surpresa.

Já o próprio mundo de Caraval - um circo numa ilha - não está definido. A autora parece não ter desenhado o mundo onde a histótia ocorre na sua totalidade e, talvez para fugir a erros de enredo, decidiu deixá-lo à imaginação do leitor, o que não ajuda quando não entendemos muito bem o que cada personagem nova que aparece lá faz, ou como o mundo funciona. Tudo tem regras, mesmo que essas regras sejam definidas apenas pela imaginação do autor. Há coisas que precisam de ser bem definidas quando inventamos um novo mundo de fantasia e aqui nem o próprio dono de Caraval, Legend, me aparece bem mapeado. Quem lê, precisa de saber porque é que as coisas são assim e não de outra forma.

Depois, gostava que os autores deixassem de matar personagens quando elas não vão ficar mortas. Não quero dar muitos pormenores sobre a história a quem ainda a vai ler, mas já era hora de aquilo que morre - sejam personagens importantes ou não - ficar morto, ou então encontrarem alguma forma de tornar a história interessante e edgy sem terem de matar personagens que nós nunca vamos acreditar estar mortas porque são vitais à trama. Era só isto.

Acho que podia ter apreciado mais a história se a escrita não me tivesse entediado, e não quero desencorajar ninguém de ler o livro e tirar as suas próprias conclusões. Como apontei já algumas vezes, não gosto da escrita de Nora Roberts, mas gosto da de Nicholas Sparks e há quem não aguente lê-lo. Por isso, se tinham o livro na vossa lista de livros a ler, façam-no. Depois venham trocar ideias comigo.

Ah, e este é o Caraval #1. O próximo deve chegar entretanto. Talvez explique algumas coisas, não está a esperança completamente perdida.

Carina Pereira

18057843_1392131620809532_2119657449332211332_n.jpg

Sab | 29.04.17

Stephen King | On Writing: A Memoir Of The Craft

Carina Pereira

O único livro que tinha lido do Stephen King era The Shining.

Pelo facto - fundado - de sempre ter associado o escritor a histórias de terror, nunca me passou pela cabeça que ele pudesse escrever outras histórias assustadoras que não incluíssem o sobrenatural; não tenho receio de assassinos em série, ou de psicopatas, são os espíritos que me metem medo. Mas, afinal, Stephen King escreve histórias assustadoras, mas nem sempre sobre espíritos. (Além disso, The Shining, não me assustou assim tanto - como livro, pelo menos. Não me atrevo a ver o filme.)

Depois de ter lido esta biografia (como audiobook), que é também um manual de escrita, acabei por decidir ler o primeiro livro do autor, Carrie. Comecei-o ontem, daí não vos poder falar  muito sobre ele, mas hei-de trazer uma review mais lá para a frente.

O livro tem bastante humor e a escrita de King agrada-me, principalmente como contador de histórias reais; poder ouvir episódios da sua vida contados pelo próprio autor é fabuloso e uma das razões que me faz gostar cada vez mais de audiobooks.

Enquanto isto não é uma biografia completa e fala apenas dos pontos na vida do autor que, de uma forma ou outra, determinaram o facto de este se ter tornado escritor, desde os livros que lhe foram oferecidos em criança, a histórias que ele vendia na escola, as rejeições e, mais tarde, a publicação do seu primeiro romance, a base do livro é ser também um guia para quem se quer tornar escritor, e tem conselhos muito interessantes.  Mesmo quem não seja admirador das suas histórias, vale a pena tomar atenção às dicas que ele dá - muitas delas passadas a King por outros autores e editores.

Vários pontos acabam por ir de encontro ao estilo de escrita que eu gosto: nada de metáforas desnecessárias e vazias, há descrições que não precisam de ser feitas, o leitor está ali para ser entretido e, regra geral, não vai ser entretido se demorarmos dois capítulos a descrever uma sala (George R.R. Martin, I'm looking at you). Gramática, sempre.

Na altura não pude tirar notas sobre os pontos que ele tão bem abordou, mas hei-de fazer uma publicação sobre isso mais tarde. Para quem gosta de escrever, é uma mais valia.

Uma das coisas que me ficou da história, em especial, foi o facto de King ter mantido desde cedo uma lista no seu quarto com as rejeições que recebeu, como uma nota do que ele realmente queria ser, como uma lembrança para trabalhar mais e não desistir.

Agora fico à espera de uma biografia completa escrita pelo autor. Já era hora.

Carina Pereira

220px-Onwriting

(Nota: eu escrevo os títulos em Inglês ou em Português, dependendo da língua em que li o livro, apesar das reviews por cá serem - salvo raras excepções em que partilho simplesmente o link do Goodreads - em Português.)