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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

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Sab | 29.04.17

Stephanie Garber | Caraval #1

Carina Pereira

Decidi ler este livro  por duas razões: primeiro por causa da capa maravilhosa (quem nunca?) e segundo porque li em todo o lado que este era "o novo The Night Circus".

É sempre um risco dizerem que algo é "o novo" seja o que for, porque vai criar expectativas e, neste caso, sairam-me todas frustradas. Não que eu estivesse à espera que este livro fosse ao nível do The Night Circus, - o patamar era muito elevado visto que é um dos meus livros favoritos - mas esperava mais. Como disse no Instagram, comparar este livro ao The Night Circus é como comparar gelado normal a Haagen-Dazs. Por isso mesmo, dá lugar a desilusão. Não digo que o livro é mau, há quem goste deste tipo de escrita mas, para mim, deu lugar a muito revirar de olhos durante a leitura.

Para começar, metáforas constantes que não faziam sentido nenhum. Não gosto de ler um livro e ver que usam duzentos adjectivos e comparações para encher página e tornar o texto místico e é exactamernte o que acontece aqui. Mais, falando no The Night Circus, aí está um livro com um escrita bastante mágica - e, sim, talvez até mística - sem ser preciso perder tempo a encher frases com coisas que não fazem sentido. Dizer que algo cheira ao "escuro da noite" é dizer o quê, exactamente? É que houve lá descrições deste género que me ficaram a dizer o mesmo que se não tivessem dito nada.

As persongens também deixam muito a desejar; uma história pode ter elementos clichés sem a personagem o ser. A personagem principal, Scarlett, comporta-se com a tipicalidade de quem tenta retrair o que sente, sem querer retrair nada. Vê-se perfeitamente na narrativa que ela está a fazer um péssimo trabalho de se convencer a si mesma daquilo que quer mas não devia querer, o que a torna pouco credível. Uma personagem pode até mentir aos outros, mas quando mente a si mesma as coisas já mudam de figura. Depois, afirma com convição que tudo o que faz e tudo o que lhe interessa é a segurança da irmã, no entanto basta aparecer um companheiro jeitoso lá para o sítio e ela já oscila.  Tenham paciência, quem gosta assim tanto de uma irmã não vai oscilar entre esta e um possível romance (mas que não é um romance, claro, porque ela não gosta dele, nem pensar.) Já Julian - o tal jeitoso - também é uma personagem muito típica, o que me fez achar difícil sentir empatia pela história. Já estava a ver desde o início para onde é que a história ia, com personagens tão familiares é dificil não ver a história à nossa frente, memo que com alguns elementos surpresa.

Já o próprio mundo de Caraval - um circo numa ilha - não está definido. A autora parece não ter desenhado o mundo onde a histótia ocorre na sua totalidade e, talvez para fugir a erros de enredo, decidiu deixá-lo à imaginação do leitor, o que não ajuda quando não entendemos muito bem o que cada personagem nova que aparece lá faz, ou como o mundo funciona. Tudo tem regras, mesmo que essas regras sejam definidas apenas pela imaginação do autor. Há coisas que precisam de ser bem definidas quando inventamos um novo mundo de fantasia e aqui nem o próprio dono de Caraval, Legend, me aparece bem mapeado. Quem lê, precisa de saber porque é que as coisas são assim e não de outra forma.

Depois, gostava que os autores deixassem de matar personagens quando elas não vão ficar mortas. Não quero dar muitos pormenores sobre a história a quem ainda a vai ler, mas já era hora de aquilo que morre - sejam personagens importantes ou não - ficar morto, ou então encontrarem alguma forma de tornar a história interessante e edgy sem terem de matar personagens que nós nunca vamos acreditar estar mortas porque são vitais à trama. Era só isto.

Acho que podia ter apreciado mais a história se a escrita não me tivesse entediado, e não quero desencorajar ninguém de ler o livro e tirar as suas próprias conclusões. Como apontei já algumas vezes, não gosto da escrita de Nora Roberts, mas gosto da de Nicholas Sparks e há quem não aguente lê-lo. Por isso, se tinham o livro na vossa lista de livros a ler, façam-no. Depois venham trocar ideias comigo.

Ah, e este é o Caraval #1. O próximo deve chegar entretanto. Talvez explique algumas coisas, não está a esperança completamente perdida.

Carina Pereira

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Sab | 29.04.17

Stephen King | On Writing: A Memoir Of The Craft

Carina Pereira

O único livro que tinha lido do Stephen King era The Shining.

Pelo facto - fundado - de sempre ter associado o escritor a histórias de terror, nunca me passou pela cabeça que ele pudesse escrever outras histórias assustadoras que não incluíssem o sobrenatural; não tenho receio de assassinos em série, ou de psicopatas, são os espíritos que me metem medo. Mas, afinal, Stephen King escreve histórias assustadoras, mas nem sempre sobre espíritos. (Além disso, The Shining, não me assustou assim tanto - como livro, pelo menos. Não me atrevo a ver o filme.)

Depois de ter lido esta biografia (como audiobook), que é também um manual de escrita, acabei por decidir ler o primeiro livro do autor, Carrie. Comecei-o ontem, daí não vos poder falar  muito sobre ele, mas hei-de trazer uma review mais lá para a frente.

O livro tem bastante humor e a escrita de King agrada-me, principalmente como contador de histórias reais; poder ouvir episódios da sua vida contados pelo próprio autor é fabuloso e uma das razões que me faz gostar cada vez mais de audiobooks.

Enquanto isto não é uma biografia completa e fala apenas dos pontos na vida do autor que, de uma forma ou outra, determinaram o facto de este se ter tornado escritor, desde os livros que lhe foram oferecidos em criança, a histórias que ele vendia na escola, as rejeições e, mais tarde, a publicação do seu primeiro romance, a base do livro é ser também um guia para quem se quer tornar escritor, e tem conselhos muito interessantes.  Mesmo quem não seja admirador das suas histórias, vale a pena tomar atenção às dicas que ele dá - muitas delas passadas a King por outros autores e editores.

Vários pontos acabam por ir de encontro ao estilo de escrita que eu gosto: nada de metáforas desnecessárias e vazias, há descrições que não precisam de ser feitas, o leitor está ali para ser entretido e, regra geral, não vai ser entretido se demorarmos dois capítulos a descrever uma sala (George R.R. Martin, I'm looking at you). Gramática, sempre.

Na altura não pude tirar notas sobre os pontos que ele tão bem abordou, mas hei-de fazer uma publicação sobre isso mais tarde. Para quem gosta de escrever, é uma mais valia.

Uma das coisas que me ficou da história, em especial, foi o facto de King ter mantido desde cedo uma lista no seu quarto com as rejeições que recebeu, como uma nota do que ele realmente queria ser, como uma lembrança para trabalhar mais e não desistir.

Agora fico à espera de uma biografia completa escrita pelo autor. Já era hora.

Carina Pereira

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(Nota: eu escrevo os títulos em Inglês ou em Português, dependendo da língua em que li o livro, apesar das reviews por cá serem - salvo raras excepções em que partilho simplesmente o link do Goodreads - em Português.)

Sab | 22.04.17

Semana Vegetariana

Carina Pereira

Apercebo-me agora de que devia ter escrito esta publicação a semana passada, mas ainda há tempo para os interessados.

Esta última semana foi a semana vegetariana de 2017. Há uns tempos subscrevi um canal de youtube, apenas por curiosidade, chamado Raw Alignment, que é de uma rapariga americana que decidiu tornar-se vegan e criou uma empresa que vende productos com base nos termos da dieta vegan. Inicialmente ela até adoptou uma dieta à base de alimentos não cozinhados mas, quem lhe segue o percurso, mesmo sem ser de perto, pode ver que ela já fez várias mudanças alimentares de acordo com o que é mais saudável para ela, e ultimamente tem-se baseado numa dieta maioritariamente vegana.

Eu não tenho intenções de ser vegetariana, ou vegan, pois conheço-me o sufciente para saber que, se sou muito restricta no que toca a certas coisas, isso vai acabar por me aborrecer e eu vou desistir. É por isso mesmo que eu não faço resoluções de ano novo; em vez, vejo o que quero fazer e vou tentando fazê-lo sem que isso se torne uma obrigação, o que faz com que seja mais fácil de seguir.

Apesar de não me querer tornar vegetariana, tenho tentado reduzir a ingestão de carne, por uma questão ambiental. No Inverno como sopa com regularidade, mas quando o tempo aquece não me dá tanta vontade. A carne que mais como, actualmente, é frango. O que gosto mais é de bife de vaca, mas aqui na Bélgica é um pouco didfícil encontrar bifes de jeito, por isso acabo por comer frango regularmente. Peixe, gosto de salmão no forno, ou fish and chips caseiro, com as ervilhas e molho tártaro como acompanhamento.

No supermercado onde faço as compras da semana há alguma variedade de alimentos da dieta vegetariana, substitutos da carne, a bom preço. É obvio que um hamburguer de legumes fica mais barato do que um bife. Fiquei surpreendida porque, tanto o hamburguer como o panado vegetariano, são bastante bons. Até os nuggets, embora o falafel que lá comprei não me tivesse conquistado as papilas gustativas. Não desgosto de tofu, mas parece-me um pouco irrelevante cozinhá-lo, porque não me sabe a nada. Entendo que seja uma substituição da proteína, mas prefiro comer uma massa só com molho do que uma massa com tofu e molho. Sabe-me ao mesmo, sem a sensação gelatinosa do tofu.

Eu estou a milhas de entender muito sobre a dieta vegetariana e não foi por isso que decidi escrever sobre isso, assim, não me vou alongar sobre productos, nem sobre a dieta em si.

Voltando ao que me trouxe aqui, decidi aproveitar o embalo da semana vegana e fazer eu própria a minha experência, adaptando-a: uma semana vegetariana. Bem, ovo-lacto vegetariana. Que durou 5 dias e meio porque eu comi camarões no Domingo e hoje tenho um jantar de aniversário que não vai ser vegan.

O site que usei para seguir a dieta foi o do link abaixo, ainda vão a tempo de se inscreverem e experimentar (cliquem na imagem). Usem o Zip Code 20912 para entrar, senão a vossa entrada não é aceite. 

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Lá encontram, entre outras coisas, receitas para experimentarem e podem até pedir um mentor, caso tencionem seguir a dieta a longo prazo. O mentor ajudar-vos-á em vários pontos e nada disto tem custos.

Agora mostro-vos a minha semana alimentar, resumida, em fotos.

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Faltam aqui algumas coisas, claro, não foi só isto que comi durante a semana toda, mas estas foram as refeições principais. Salvo as raras excepções que podem ver acima, como sempre torradas com manteiga ao pequeno almoço, acompanhadas de chá de limão, e iogurte com frutos secos e cereais para o lanche. Esqueci-me de tirar fotografia ao almoço de Quinta, que foi salada com hamburguer vegetariano. De sobremesa costumo comer uvas e, uma vez por outra, gelado.

Acima, vêm o sushi que comi no Domingo ao almoço - como comi camarões, não posso considerar uma refeição vegetariana, daí os 5 dias e meio; pão de alho que fiz em casa com manteiga de alho, salsa e queijo para um almoço rápido; omelete de bróculos, couve-flor e cebola acompanhada de salada (deu para um jantar e um almoço); panquecas de dois ingredientes - farinha e leite, cobri com creme de chocolate; batata doce no forno com molho de iogurte caseiro (usei só iogurte grego) acompanhada de pão barrado com hummus; arroz com ovo e panado vegetariano.

A verdade é que nao passo fome, nem sinto que estou a perder imenso em não comer carne, mas sei também que a parca oferta de refeições boas em restaurantes por estes lados ajuda. Tenho curiosidade em experimentar novas receitas e ir reduzindo a ingestão de carne, por isso o meu único objectivo é algo importante: equilíbrio.

E vocês, tem curiosidade em experimentar a dieta vegetariana?

Carina Pereira

Sab | 22.04.17

Audiobooks Gratuitos Na Audiofile

Carina Pereira

O site Audiofile oferece, todos os anos, audiobooks para maiores de 13 anos (em Inglês). Este ano, a acção tem início a 27 de Abril e decorre durante os quinze dias seguintes.

Para adquirirem todos os áudios precisam de ir ao site diariamente e descarregar os dois títulos que eles disponibilizam a cada dia. Os livros ficam disponíveis para download durante 24h e, passado esse tempo, mais dois livros são apresentados e os anteriores deixam de poder ser descarregados, por isso é importante irem lá todos os dias até a campanha acabar, se não querem perder nenhum título. Podem sempre colocar algum alarme para os dias com os livros que vos interessam - a lista deste ano já está lá no site e inclui audiolivros como The Picture Of Dorian Gray e The Hitchhiker's Guide to the Galaxy.

Aproveitem: http://www.audiobooksync.com/

Carina Pereira

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Sab | 22.04.17

Nós Lemos, a Penguim Random House Dá

Carina Pereira

A editora Penguin Random House - que edita aqueles livros fofinhos com um penguim como logo - criou um projecto chamado #ProjectReadathon.

Até 23 de Abril - amanhã - a cada excerto disponibilizado no site lido, eles oferecerem livros à organização Save The Children

Tudo o que é preciso fazer é ir ao site, escolher os excertos dos livros que nos interessam e abri-los. Tão simples quanto isto.

Aproveitem para ler um pouco daquele livro que estavam a considerar comprar - pessoalmente, encontrei A Little Life e Underground Railroad, livros que já me tinham despertado a curiosidade.

Deixo aqui o link; os livros estão en Inglês: http://readwell.penguinrandomhouse.com/

Carina Pereira

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Dom | 16.04.17

Vamos Lá Falar Sobre Audiobooks!

Carina Pereira

(Desculpem-me o estrangeirismo. áudio-livros? Também pode ser mas, se me permitem, para os efeitos da publicação de hoje eu uso a palavra inglesa.)

Sempre achei difícil ouvir qualquer coisa que não fosse música; se requeria demasiado da minha atenção, acabava por ficar com uma história contada em pedaços porque, quando dava por mim,  já me tinha focado noutra coisa qualquer e, se continuava a ouvir, já não estava a escutar. Este foi o caso até ter encontrado uma comédia da rádio Inglesa BBC 4, escrita por John Finnemore, chamada Cabin Pressure. É hilariante. Não é um livro, é certo, mas uma série de sketches cómicos acerca de uma companhia aérea - com um só avião - e as peripécias pelas quais eles passam. As personagens são muito bem construídas e ao longo das quatro temporadas há um desenvolvimento evidente das mesmas. Ajuda o facto de que, sendo uma dramatização, há vozes diferentes para cada personagem, não há uma narrativa, mas diálogos. Para quem se sente confortável a ouvir inglês aconselho vivamente as dramatizações da BBCRadio4. Além de séries como a que falei acima - John Finnemore tem também outros sketches que vale muito a pena ouvir - há livros que acabaram por ser levados à rádio, entre eles de um dos meus autores favoritos, Neil Gaiman: Good Omens, Neverwhere e Stardust. Mas há vários livros de vários autores - Jane Austen, David Nicholls, Victor Hugo, para nomear mais alguns - dramatizados para rádio, em vez de ser lido o livro completo como está impresso.

A partir daqui, ouvir sitcoms, dramas ou livros tornou-se muito, muito fácil para mim. A concentração deixou de ser um problema e, trabalhando como empregada de limpeza, ajuda imenso a passar as horas. Além disso, e embora eu não me guie por desafios e resoluções, ouvir audiobooks está a fazer o Goodreads Challenge deste ano uma meta fácil de alcançar. Se eu acho que é batota colocar audiobooks nesta equação da quantidade de livros lidos por ano? Nem por isso: só porque me estão a ler um livro não significa que eu não estou a absorver a história na mesma. Aprendo e leio mais em menos tempo e, à vezes, de uma forma ainda mais divertida. Quem ouve a Kate Winslet a ler Matilda sabe que não perdeu muito em não ter lido o livro, a sua interpretação das várias personagens é qualquer coisa de fantástico. Além de que eu não deixo de ler livros porque os ouço, simplesmente ouço livros quando não me posso sentar a lê-los. É um extra, não uma substituição.

O primeiro audiobook que ouvi a sério - penso que tinha tentando antes ouvir livros assim, mas sem sucesso - foi Scrappy Little Nobody, da actriz Anna Kendrick. Isto despoletou um gosto que eu não sabia que tinha por biografias e foi o empurrão que eu precisava para começar a ouvir audiobooks com regularidade. Certo, já tinha lido livros com o intuito de saber sobre a vida de alguém, - as cartas de Vincent Van Gogh ao seu irmão Theo, e dois livros baseados na sua vida Leaving van Gogh e Lust For Life, assim como The Paris Wife, sobre a primeira mulher de Hemingway - mas nunca me tinha dado ao trabalho de ir realmente procurar autobiografias para ler, o que fez disto um acaso feliz.

Agora vamos retroceder um pouco, vamos conhcer o site Librivox.org. Dei com este site quando andava a fazer algumas gravações de fanfiction pulicadas em vários blogs e, à custa disto, queria encontrar algum sítio onde me pudesse voluntariar para ler histórias. A Librivox é um site que contém audiobooks de livros que já estão no domínio público. Basicamente, o site vive à base de voluntários que gravam histórias e qualquer pessoa pode fazer o download das mesmas gratuitamente. Pareceu-me uma óptima ideia, que ia de encontro ao que eu queria fazer, e embora soubesse que podia encontrar livros aí, também sabia que as opções eram limitadas. Não me crucifiquem, mas nem sempre tenho paciência para ler - ou ouvir - clássicos e neste site é tudo o que se encontra (para um livro entrar em domínio público o autor tem de já estar morto há mais de 70 anos, por isso entendem aquilo que eu quero dizer). Acabei por colaborar no projecto gravando alguns contos infantis em Inglês e algumas obras de Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco mas, para ouvir eu mesma, queria algo mais recente. Foi assim que encontrei dois sites: Audible.com e Audiobooks.com.

Começo já por falar nas desvantagens destes dois sites: são caros. Ainda não entendi porque é que os audiobooks são tão caros, principalmente quando comparados com livros físicos. Eu consigo encontrar livros em Inglês por uma média de 8€ na Book Depository, no entanto é raro encontrar algum audiobook em qualquer destes sites por menos de €14 e, a este preço, já falo de um audiobook com poucas horas, ou que quase ninguém conhece. A maior parte dos livros que me interessam custam entre €24 a €38, é um exagero. A outra opção, para comprar qualquer livro, independentemente do preço original que lá está, é fazer uma subscrição, ou comprar um crédito, o que custa os tais €14. Dá para um livro apenas, mas fica mais barato do que pagar o preço de capa.

O bem que estes sites têm é que oferecem sempre um trial run. Dá para subscrever durante um mês sem pagar, ficar com um audiobook de borla, e cancelar no mês seguinte sem custos adicionais. Além de tudo, o Audible faz parte da Amazon, e a Amazon costuma ter promoções extras para novos subscritores da Audible, em que os livros oferecidos são dois ou três, em vez de um. Mesmo a Audible lança promoções de vez em quando (três meses por €9, em vez de €14), é uma questão de se estar atento. Quando eu quis cancelar a minha conta após o primeiro mês, eles deram-me algumas opções que eram compensatórias e eu escolhi ficar com um crédito de €20 extra na minha conta. Parece pouco mas eles têm sempre um Daily Deal e, se nos dermos ao trabalho de visitar o site todos os dias, conseguimos comprar bons livros por €3 ou €4. Eu comprei mais algumas biografias assim, usando os €20 do crédito oferecido e outras pagando os €3 ou €4, vale a pena.

O Audiobooks.com não me deu nenhuma destas opções quando cancelei após o primeiro mês - Amazon há só uma - mas oferece o livro da primeira subscrição e depois podemos cancelar sem custos, nem problemas.

O iTunes também tem audiobooks para compra mas, pelo que vi, fica mais caro do que o Audible. Tudo depende da sorte que temos em encontrar livros em promoção e dos livros que queremos na altura.

Claro que, para quem procura alternativas sem custos há sempre outros canais, é uma questão de escolha, disponibilidade financeira e de sorte.

De momento estou a ouvir uma espécie de biografia escrita pelo Stephen King. Digo que é uma espécie de biografia, porque o livro vai dando dicas de escrita enquanto ele se alonga a contar episódios sobre a sua vida e a sua carreira como escritor. Ainda vou nos primeiros capítulos, mas estou a gostar bastante e espero também aprender alguma coisa sobre escrita. Do King só li o The Shining mas, com a saída da série It, que está para breve, estou curiosa sobre este livro também. Ando a ouvir também, alternativamente, David Copperfield, de Charles Dickens e embora a interpretação do Richard Armitage seja fantástica, a história tem personagens bastante típicas e é enorme. Quando encontrei umas biografias que queria ouvir a preço de nada, acabei por colocar o do Dickens de lado. Volto a ele mais tarde.

Aquilo que eu acho interessante e extremamente atraente nas biografias é que nos dão uma prespectiva profunda sobre pessoas que achavamos que conhecíamos - ou pessoas das quais apenas tinhamos uma pequena ideia. Eu interesso-me, sem maldade, pela vida dos outros e acabo por sentir que são uma inspiração para aquilo que nós queremos fazer com a nossa vida - ou aquilo que queremos evitar. Até agora ouvi a historia de vida da Anna Kendrick, como disse acima, da Amy Schumer, Amy Poehler, do Trevor Noah, da Tina Fey, do Steve Jobs (que era um idiota. revolucionário mas, ainda assim, um idiota), Mara Wilson, Alan Cumming, Gene Wilder e, talvez aquela que até agora tenha tido mais impacto em mim, de Bruce Springsteen. Escolho esta como favorita, mas adorei cada uma delas. Teria gostado delas caso as tivesse lido, em vez de as ouvir - na sua maioria - contadas pelo próprio autor? Muito provavelmente, sim. Mas tenho a sensação que acabaria por me dispersar um pouco, e é das coisas que mais me distraem e entretêm quando estou a trabalhar: ouvir outros a falar da vida deles. (Deve haver alguma teoria Freudiana aí que eu não estou a sintonizar, mas não tem mal.) 

De ficção ouvi ainda o The Ocean At The End Of The Lane e The Graveyard Book do Neil Gaiman, lidos por ele (é um excelente narrador). Este último está também disponível no youtube, caso queiram dar uma vista de olhos, neste link.

Quando os livros são lidos pelo próprio autor é interessante ver o tom que ele dá às frases, porque todos nós acentuamos coisas diferentes e, por vezes, parece até que o sentido do livro de repente se altera com estas nuances.

Querem um bom remédio para adormecer quando os vossos pensamentos teimam em vos manter acordados? Audiobooks. Escolham audiobooks que já tenham lido - senão perdem o fio à história - e liguem o mp3 a uma coluna portátil ao pé da cama (comprem tampões para os ouvidos do companheiro, se o tiverem). Acreditem que, nas noites em que me custa adormecer, escolho The Night Circus, lido por Jim Dale, The Book Thief, lido por Allan Corduner ou The English Patient, lido pelo próprio Ralph Fiennes e pouco depois a minha mente fecha-se. Ao prestar atenção ao que estou a ouvir, o sono acaba por chegar. Além de tudo, a narrativa destas histórias é bastante calmante e durmo muito mais descansada e num sono mais profundo a noite toda. Experimentem.

Os títulos neste artigo estão em Inglês, porque eu os ouço em Inglês, mas o Audible e o Librivox - ainda não explorei muito o Audiobooks.com nesse aspecto - tem títulos em Português.

Espero ter conseguido passar o meu amor por audiobooks aqui, acho que é uma excelente forma de compensar a falta de tempo que temos para a leitura, ou ser usado como uma forma de acelerar este relativo tempo. Precisam de passar a ferro, lavar a loiça ou ir correr? Audiobooks.

Carina Pereira

(Fiz uma lista no Goodreads com os livros que menciono acima, audios ou não, aqui.)

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Qui | 13.04.17

Not My Father's Son

Carina Pereira
Um dia falo-vos sobre audiobooks e como ouvir audiobooks mudou a minha vida para melhor.Hoje, trago-vos só mais uma review de um audiobook que terminei esta semana, sobre o actor Alan Cumming. Está no Goodreads também.Not My Father's SonNot My Father's Son by Alan CummingMy rating: 5 of 5 starsI got this as audiobook.Although I knew who Alan Cumming is, I had never seen a movie with him in it, nor did I know anything about him besides the fact that he is an actor and some news I came across regarding him and LGBT+ rights. This book was really enlightning; it records mostly the abuse he was inflicted on by his father as he was a child and how he understands his life looking back at all he's been through. It also features a really nice mistery about his mother's father and more details regarding his life as an actor, as well as some of his relationships.I really enjoyed this. It isn't only an interesting tale, Alan's reading is spell-like.View all my reviews

Carina Pereira

Qui | 13.04.17

Nós, Mulheres, Somos Muito Parvas

Carina Pereira

O meu grupo de amigos tem uma piada sobre como, quando algumas mulheres se juntam a conversar, a conversa acaba sempre em pêlos. Já por várias vezes, enunciando a piada, acaba a mesa toda -  quer queira, quer não - a falar sobre falar de pêlos.

Esta semana a filha da Madonna, Lourdes Maria, foi à praia com a depilação das axilas por fazer e o mundo parou.

(Tenho de me lembrar de trazer esta notícia à baila no próximo jantar com amigos, há que haver fama com proveito.)

O Pedro José, do blog esQrever, disse já tudo aquilo que eu gostaria de ter dito sobre a situação aqui, por isso vou falar antes de um outro assunto, o que nos vai levar ao título da publicação (não me crucifiquem já).

Lembro-me perfeitamente de a minha mãe me contar uma história que, aos meus ouvidos de adolescente nascida em '87 e criada com uma dose de machismo considerável, me parecia um pouco descabida, acerca de antigamente não ser costume as mulheres se depilarem e de o meu avô até desejar que a minha avó fosse mais peluda (no kinkshaming, guys). Naquela altura, e sendo uma pessoa que daria tudo para não ter de me preocupar com a depilação - ai, quem me dera ter nascido homem! - achei que a minha mãe devia ter entendido alguma coisa mal mas, a ter entendido bem, lamentava que as coisas não fossem assim agora. Mais valia andar a queixar-me por ter pêlos a menos, certo? Mais ou menos, e isso deixa-me mais perto do cerne da questão: o título.

A depilação feminina só começou a ser norma entre 1915 e 1930 (nuns países mais cedo do que noutros) e há quem diga que foi a Primeira Guerra Mundial a ditar isto: a maioria dos homens ou andava a lutar na guerra, ou morria, e a venda de giletes teve um declínio considerável. Posto isto, a marca adaptou uma nova estratégia de marketing e começou a publicitar as giletes às mulheres, de forma a continuar a vender produtos. No entanto esta crença é, pelo que pesquisei até agora, apenas uma teoria. A história documentada fala sobre um poster da Harper's Bazaar, de 1922, - altura em que a moda mudou e as mulheres começaram a mostrar pele (neste caso, os braços, por causa das mangas cavas) - que incentivava as mulheres a depilarem as axilas com um creme depilatório que eles vendiam, e ainda envergonhava aquelas que não aderissem à moda. E aqui chegamos ao ponto. Ao meu ponto.

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Façam um favor a vocês mesmos e olhem para os homens à vossa volta. Vão à net, vejam anúncios do Surf, procurem onde quiserem. Há homens com barba, sem barba, com bigode apenas (um bocado creepy hoje em dia, por acaso, mais ainda aceitável), barbas de três dias ou à lenhador, há de tudo. A única altura em que vejo homens  a serem ligeiramente admoestados pelo tipo de barba que usam, é quando ela está mal tratada de tal forma, que parece pertencer uns bons centimetros mais abaixo. De resto, é tudo normal. Depende dos gostos, mas cada um usa como quer. Há pêlos por todo o lado e os homens tiram aqueles que lhes dá mais jeito e deixam os que não lhes apetece tirar. O sonho, portanto.

Já nas mulheres, num repente, pêlos torna-se sinal de má-higiene. Nem se questiona sequer o quanto os homens suam nem o tamanho dos pêlos do sovaco de alguns, nos homens é tudo higiénico. Nós, mulheres, muitas vezes temos de levar com comentários rançosos porque o que está na moda é depilação brasileira. Levantamos os braços num concerto e, de repente, esbugalhamos os olhos em pânico porque não nos lembrámos se hoje de manhã pegámos na gilete durante o duche e mais vale não nos arriscarmos a passar vergonha. Quantas vezes tive de deixar de ir à praia porque, às duas semanas e meia após a tortura da depilação a cera, os pêlos ainda não estão grandes o suficiente para mais uma demão mas já não estão assim tão pequenos que seja aceitável eu mostrar a minha figura só de biquini à beira-mar. Quantas vezes me disse a minha mãe para eu depilar as axilas regularmente porque não era higiénico. Curioso, nunca vi o meu irmão a segurar numa gilete em algum ponto abaixo do pescoço.

E isto porquê? Porque nós, mulheres, somos mesmo muito parvas. Em vez de aceitarmos que todas temos formas de estar e gostos diferentes, acabamos por achar que tudo o que sai da norma é errado, vergonhoso. Não acontece só com os pêlos, acontece com (quase) tudo: peso, maquilhagem, cabelo branco. Os homens andam por aí como Deus os fez e eles querem e nós, não contentes connosco porque não cabemos no modelo que posters como o da Harper's Bazaar mostram, ainda perdemos tempo a olhar para o lado a ver se há mais alguém que não caiba, para não termos de perder tanto tempo a olhar para nós mesmos e, principalmente, para a sociedade que assim nos moldou. Dá muito trabalho moldar uma sociedade inteira a rejeitar o que é norma há tanto tempo, mais vale ir na corrente e não mexer muito.

Acontece que eu deposito a esperança da mudança nas próximas gerações, enquanto vou esperando mais de todas as outras. Deixem os nossos pêlos em paz.

Digo mais: entre a mulher e o pêlo ninguém mais meta a gilete, fáxabor.

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Carina Pereira

Ter | 11.04.17

Eu No Vai Sem Medo

Carina Pereira
A Isadora, do Vai Sem Medo convidou-me a escrever um texto sobre viagens para o seu blog. Aceitei, obviamente, e foi um privilégio e um prazer fazê-lo!Podem ler o texto no link abaixo. Espero que gostem.Não se esqueçam de seguir a Isadora. Ela é Brasileira, mas vive na República Checa e mantém um blog muito interessante onde as viagens são só um ponto de partida para falar de muitas outras coisas.

Carina Pereira

Vai, mesmo com medo. Esta é a frase que tenho de repetir a mim mesma, vezes sem conta. Quando fiz o teste do chapéu seleccionador no site Pottermore, inicialmente fiquei desapontada por não me ter colocado em Gryffindor, mas já há muito que me convenci de que a coragem não é um dos trejeitos que […]
via Viajar sozinho — VAI SEM MEDO
Ter | 11.04.17

...

Carina Pereira
a«auto estima e amor proprio nao sao a mesma coisa

o facto de os filmes com mulheres nao ter sucesso pk os homens nao respeitam as mulheres o suficiente para os irem ver: ghostbusters/hangover/theexpendables

as mulheres em portugal irem a uma bruxa quando o homem acaba com elas
Sab | 08.04.17

13 Reasons Why | O Livro

Carina Pereira

Pelo Tumblr circulam imensas publicações referentes à nova série da Netflix, 13 Reasons Why. 

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Vi tão boas reviews e tanta gente a falar disso que decidi pesquisar sobre a série e descobri que é baseada num livro, daí ter decidido pegar no livro antes de ver a série.

Eu não tenho escrito muitas opiniões a livros por aqui nos últimos tempos, exceptuando aquelas que escrevo para a Blogazine, mas tenho apontado tudo o que leio no Goodreads, porque quero manter um registo daquilo que vou lendo e porque, depois, se torna mais fácil deixar as minhas reviews por lá, em vez de me desdobrar para as escrever aqui também.

Por isso, vou começar a partilhá-las pelo blog mas, a não ser que seja um livro escrito em Português, a review será também escrita em Inglês.

Aqui fica a primeira.

Thirteen Reasons WhyThirteen Reasons Why by Jay AsherMy rating: 5 of 5 starsI can't imagine someone picking this book up and then being able not to try and finish it in one sitting. I didn't finish in one sitting, but I went to bed with my head bobbing and I reached for it first thing the next morning, until I was done. It's compeling because you want to know. Your name is not on those tapes, but you want to know.In hindsight, I still found myself thinking, did she really decide to commit suicide because of just this? I'm not saying her reasons weren't valid, but you start rationalising; so many people go through so many difficult things. A lot more traumatic than what Hannah went through. Then you realise it is not about the burden, it's about whoever is carrying it. For Hannah, the burden was too heavy to handle. There are, around us, without us even thinking or realising, small burdens that weights on the carrier's shoulder like the weight of the world. Sometimes a single word, a gesture, can change a person's mind, can save a life. We're all too focused on our own lives to see it, because we're the main characters, right? Everyone else exists in relation to us.The story describes well the struggles of adolescent life, how parents and educaters disregard feelings because they believe young people to be dramatic, unknowing of what life truly is. How we can't predict the effect of our actions most of the time. Even small, apparently inocuous actions. It's a wild ride.I really enjoyed it, now I'm going to watch the series.For those who liked this as much as I have, I recommend watching the Australian move 2:37.View all my reviews*

Podem seguir-me no meu perfil de Goodreads, aqui.

E vocês, já leram o livro, ou viram a série?

Carina Pereira

Sex | 07.04.17

Bee's Wrap | Como Fazer

Carina Pereira

Já há algum tempo que tenho tentado encontrar alternativas sustentáveis para coisas que usamos no dia-a-dia. É claro que nem tudo me dá jeito - sim, porque também é uma questão de dar jeito; por muito sustentáveis que as fraldas de pano sejam, não me veria a prescindir das fraldas descartáveis para ajudar o ambiente se fosse mãe, sorry - mas há alguns artigos que, não só me ajudam a poupar dinheiro, como são fáceis de recriar/tratar e, por isso, uma excelente alternativa aos descartáveis. O copo menstrual, por exemplo, ou mesmo pensos higiénicos, foram duas das coisas que decidi experimentar e que já não troco.

Pelo meu aniversário este ano, um amigo ofereceu-me o que dá título a este artigo: Bee's Wrap. E o que é isso, perguntam-me vocês? Bee's Wrap é uma alternativa ao papel de alumínio e ao rolo transparente. São pedaços de pano de algodão, embebidos em cera de abelha, que podemos usar para embrulhar sandes, fruta, bolachas... enfim, uma série de coisas. Porque é que é melhor do que o papel de alumínio? Porque, além de se poder lavar e reutilizar imensas vezes, mantém o que lá for embrulhado mais fresco, por mais tempo. Bolachas moles? Ná! Metade de um abacate que sobrou? Vamos lá!

Desde que o meu amigo me ofereceu o Bee's Wrap que o tenho usado para embrulhar o pão que compro; mantido no saco de papel, o pão começa a ficar duro depois de uns dias, com este Bee's Wrap fica bom durante a semana toda (vivo sozinha, por isso um pão fatiado comprado no supermercado chega-me para uma semana inteira). Cubro as taças com o resto do almoço com isto, em vez de ir buscar rolo aderente que depois é deitado fora. Mesmo as sandes que levo para o trabalho, embrulho-as nisto e está tudo fresco no dia seguinte. Quando chego a casa lavo o Bee's Wrap com água fria, deixo secar e voilá, está pronto a ser reutilizado. Poupo dinheiro e ajudo o ambiente.

Se quiserem ler mais sobre o Bee's Wrap, podem ver o site onde os meus foram adquiridos, aqui. Se o quiserem comprar aqui na Europa, podem pedir deste site, onde os portes são mais em conta e não se corre o risco de pagar na alfândega (aconteceu-me isso quando recebi o meu, que vinha dos Estados Unidos.)

O único problema de encomendar o produto nestas lojas é que, apesar de reutilizável e dar muito jeito, ainda fica um pouco caro. Para ficarem com uma ideia, na imagem abaixo tem os preços dos packs mais básicos e, a isto, é preciso acrescentar uns £7 de portes de envio.

bee's wrap

Por este motivo, e porque eu gosto muito de fazer aquilo que posso em casa, andei a ver tutoriais online e percebi que fazer Bee's Wrap é muito fácil. Experimentei e só encontrei um problema: o produto original leva tecido de algodão, cera de abelha, óleo de jojoba e uma resina. Na maior parte dos tutoriais está explícito que basta fazer com o tecido de algodão e a cera de abelha mas, quando usei só estes ingredientes, achei que o tecido não ficava muito maleável, certamente nada maleável quando comparado com os que eu tinha comprado na loja. Isso dificultava o fecho do pano que, normalmente, deveria manter-se fechado e com a forma que desejamos. Assim, decidi que, apesar de não conseguir encontrar a resina, podia acrescentar óleo de jojoba, mas só o encontrava online e também era um pouco caro. Decidi então experimentar substituir o óleo de jojoba por algo que tenho sempre em casa, óleo de côco, e ver no que é que dava. Funcionou. Agora sim, o pano fica com a consistência practicamente igual ao da loja. Quando pressiono com as mãos contra o que estou a embrulhar, a forma do pano mantém-se e sela muito melhor. Além de tudo isto, é mais suave ao tacto e mais fácil de dobrar.

Querem aprender a fazer? Eu ensino! 

*

O que precisam: 

DSCF9909

  • Cera de abelha (grau cosmético ou alimentar)

A cera de abelha utilizada tem de ser, pelo menos, aquilo que é chamado de grau cosmético, ou seja, a mesma cera que se usa para fazer bâlsamo labial, visto que se vai embrulhar comida com o pano. Grau alimentar também funciona, seria até a ideal, mas é mais cara. Eu comprei a minha aqui.

  • Óleo de côco (ou de jojoba)

O que têm por aí na cozinha, serve. Suponho que azeite também deva funcionar, mas eu apostava no óleo de côco. Se conseguirem encontrar óleo de jojoba é o ideal e cheira melhor ainda.

  • Panos de algodão

Vão a qualquer loja de tecidos e peçam pano 100% em algodão ou, caso seja difícil encontrar onde moram (aqui na Bélgica nem sei onde procurar isso ao certo, e com certeza que fica bastante caro), façam como eu e comprem no Aliexpress. O tamanho é convosco; eu comprei estes, tamanho standard de 50 x 50 cm, e depois cortei nas medidas que me dão mais jeito.

  • Pincel

Um pincel ainda não usado, de cerdas suaves e tamanho médio.

  • Tacho pequeno

Qualquer tacho pequenino para onde vão derreter a cera. Pode ser um tacho que tenham por aí, não precisa de ser especificamente para isto, porque a cera sai muito bem com água quente e detergente. Além disso, a cera é de grau cosmético, pura, não é nociva, senão não daria para embrulhar comida.

  • Papel de alumínio e/ou papel vegetal de cozinha

Cortem dois pedaços, de maneira a caber o tecido no seu tamanho maior, assim podem utilizar os mesmos para fazerem os bee's wrap que precisarem. Eu prefiro usar papel de alumínio por baixo, por ser mais grosso e proteger melhor a superfície de trabalho da cera, e papel vegetal por cima, pois assim vejo o que estou a fazer.

  • Ferro de engomar

Como fazer:

Corta o pano do tamanho que desejas.

Estende bem o pano sobre o papel de alumínio.

DSCF9912.JPG

Num tachinho, leva ao lume um pouco de óleo de côco (menos de meia colher de sopa, eu vejo a olho em relação à cera, não é preciso ter muito) e de seguida junta a cera, a derreter. Se tiveres um bloco de cera, como eu, segura no bloco por uma das extremidades para que não derreta contra o tacho, e vai deixando derreter até teres a quantidade desejada. Se sobrar podes guardar para depois. Eu li que se deve derreter a cera em banho maria, em vez de directamente num tacho. Eu não fiz em banho maria desta vez, mas vocês podem fazê-lo como precaução, para evitar que a cera inflame. Não sabia disso antes de fazer estes bee's wraps mas, felizmente, não tive contratempos.

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Quando estiver tudo derretido, pega no pincel e vai aplicando sobre o pano. Não coloques muita cera num só lugar, espalha bem.

DSCF9913.JPG

Cobre o pano com o papel vegetal e liga o ferro. Passa o ferro umas quantas vezes para que a cera impregne no pano e fique espalhada mais uniformemente.

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Retira o pano do papel de alumínio e deixa secar durante uns minutos. Seca rápido.

Passa a ferro pelo menos mais uma vez, deixa secar de novo e está pronto!

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Pessoalmente, gosto de deixar secar durante umas horas e passar a ferro uma terceira vez. Penso que a cera fica mais espalhada assim, com menos excessos, e que o pano fica mais maleável, mas é uma questão de tentativa e erro, por isso vão experimentando.

Como cuidar:

Para embrulharem alguma coisa, usem as vossas mãos para criar um selo, apertando o pano nas pontas. O calor das mãos contra a cera faz com que isto aconteça.

O pano deve ser lavado à mão com água fria e um detergente para a loiça suave (mas o detergente é, regra geral, opcional. Só uso detergente se o pano estiver sujo, se for apenas para tirar migalhas e assim, lavo só com água). Em geral o pano pode ser reutilizado à volta de um ano. Não lavem o pano com água quente porque isso vai fazer com que a cera derreta (daí não se poder utilizar os panos para embrulhar carne).

Pendurem-no a secar e, depois, é só dobrá-lo e guardar na gaveta, até à próxima vez.

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Espero que vos seja útil! Se decidirem fazer enviem-me uma fotografia do resultado final, ou marquem-me para eu ver!

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Carina Pereira

Sex | 07.04.17

Ver Mais Em Contador D'Estórias

Carina Pereira

Não sei no que é que estava a pensar quando me convenci de que conseguia manter dois blogues ao mesmo tempo. Tenho esta mania de querer compartimentar assuntos e depois abandono tudo.

O Que Não Sei Quê vai ser mantido como arquivo e é, na verdade, ainda o nome que uso para a minha conta do Instagram mas, para mais artigos, mais ou menos pessoais, mais ou menos dicas, sigam-me em contadordestorias.wordpress.com.

Qui | 06.04.17

Serviço Público #1

Carina Pereira
"Mas não há coisas mais importantes para tratar?"
 
Ainda agora vi este comentário numa notícia sobre a aprovação da lei de identidade de género. Mesmo sem ser ainda agora, vejo constantemente esta pergunta em tudo o que é comentário a notícias do género - sem trocadilho intencional.
 
(Eu sei, devia ter parado há muito tempo de ler comentários, mas há uma força superior a mim nisto tudo.)
 
Se fossemos todos só tratar daquilo que se acha ser mais importante, nunca se tratava de nada. Porque a importância que as coisas têm é relevante apenas de acordo com aquilo que cada um acha relevante. É como o senso comum que, no fundo, é uma utopia, porque o que é básico e lógico para mim pode não ser para os outros, ou não andaríamos aqui todos sempre à traulitada por coisas de nada.
 
Por isso, pelo amor de deus, gente! Deixem tratar das coisas que precisam de ser tratadas, sem uma ordem certa (é impossível haver uma ordem certa - seja a questão de identidade de género ou copos mentruais, direitos dos animais ou das pessoas) e, devagarinho, pode ser que cheguemos a algum lado. Agora, se andarmos sempre à cata daquilo que pode ser mais ou menos importante antes de fazermos seja o que for, vamos andar como eu que não sei se me apetece fazer um jantar esforçado ou comer só uma coisa rápida e quando dou por mim é meia-noite e não jantei.
 
"Mas não há coisas mais importantes para tratar?" é o novo isto não me afecta nem me faz mossa, por isso não devia ser feito. Olhem bem e demoradamente para dentro de vocês mesmos, se calhar isso é que é realmente a coisa mais importante a tratar.