Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Qui | 01.10.15

(Des)Motivações

Carina Pereira
Na minha terra as aulas deste ano começaram a 20 de Setembro. A apresentação dos alunos aos professores, porém, foi na sexta-feira anterior.A minha sobrinha tem sete anos e, já contei antes aqui, a escola é assunto que ela costuma evitar. Se não está em aulas, não lhe falem nisso; se está, então já não é preciso falar, pois não? Este ano porém, e chamando até mim as palavras de António Zambujo - ou, não sendo dele, as que ele tão bem canta - algo estranho acontece e, ligando eu à minha cunhada para saber como correu a apresentação, ouço a surpreendente afirmação de "ela está desejosa de voltar às aulas na segunda."Estará o mundo louco? Terão as férias de Verão mudado a forma como a minha sobrinha vê a escola, terá ela entendido já a palavra saudade? Ou, pergunto eu à minha cunhada em tom de chacota, apaixonou-se ela no primeiro dia?Não, não foi bem isso. Mas quase. Pelos vistos, entrando pela escola de mão dada com a mãe, foi-lhe apontado o professor: "Vês, o teu professor é aquele." A piquena ri-se. E, do alto dos seus sete anos, diz com malandrice: "Uau, que gatinho." Assim, tão simples quanto isto.E, de repente, se arranja motivação. Estamos feitos com ela.

Carina Pereira

Qui | 01.10.15

Blogazine Nº 4

Carina Pereira
A Blogazine de Outubro já saiu!Podem ver todo o conteúdo da revista aqui!O texto que eu escrevi, para a secção de Cultura, está transcrito abaixo, para melhor leitura! Falo sobre o novo disco Amália, As Vozes Do Fado.*

Amália, as vozes do fado

“Amália, não sei quem é” não faz qualquer sentido fora do fado onde esta poesia assenta. O nome é conhecido sobejamente e, entoado numa canção ou não, oferece a quem quer que o ouça uma memória qualquer.Amália, a voz que é um epíteto do fado, um timbre com uma tristeza tão inerente que passou fronteiras, e colocou o nosso país e esta nossa herança no coração de muita gente. Não é preciso entender o que Amália canta para o sentir bem de perto.Pelas mãos do realizador lusodescendente Ruben Alves, criador do filme “A Gaiola Dourada”, – uma sátira ao percurso dos emigrantes Portugueses em França – nasceu este projeto que junta alguns dos interpretes mais conhecidos da esfera fadista, mas não se faz apenas de música. Com criação de Alexandre Farto, que assina a sua arte como Vhils, e com o trabalho e dedicação da escola de calceteiros de Lisboa, também o chão de Alfama ganhou para si o rosto de Amália. A imagem que podemos ver na capa do disco é a mesma que nos fita da calçada Lisboeta.Mas falemos do álbum; editado a 17 de julho deste ano, nele se espraiam treze temas,  originalmente cantados por Amália Rodrigues e resgatados por onze artistas, entre os quais Celeste Rodrigues, que acedeu dar voz a Faz-me Pena; aceitou cantar este fado porque, nunca tendo ouvido a irmã a interpretá-lo, sentiu-se assim capaz de lhe dar um toque pessoal, sem qualquer influência desta.  De resto, há temas tão conhecidos como Maldição, – numa avassaladora interpretação de Ana Moura – Estranha Forma De Vida na voz de António Zambujo e pontuada apenas pelo contrabaixo, ou Com Que Voz, que Carminho vai desfiando com os seus trémolos tão peculiares.Existem também duetos: Camané e Gisela João trazem-nos Meu Limão De Amargura, Ana Moura e Bonga - numa parceria pouco óbvia mas preciosa – cantam Valentim. Para não esquecer que Amália engrandeceu com a sua voz a música e a arte de outros países, Carminho divide Naufrágio com Caetano Veloso, António Zambujo junta-se à cantora Cabo-Verdiana Mayra Andrade para pedir Lisboa Não Sejas Francesa, e a mestria do flamenco de Javier Limón apega-se à grande voz de Ricardo Ribeiro em Maria La Portuguesa.De admirar também o instrumental de guitarras Portuguesas pelos dedos hábeis de José Manuel Neto, Luís Guerreiro e Ângelo Freire, trinando Amália.É uma clara homenagem – porque nunca são demais - a Amália Rodrigues. É a prova de que o fado pode ser reinventado, as pedras da calçada podem precisar de renovação, mas o legado de Amália perdura para além de tudo isto.

Carina Pereira

Untitled

Qui | 01.10.15

Blogazine Nº 4

Carina Pereira
A Blogazine de Outubro já saiu!Podem ver todo o conteúdo da revista aqui!O texto que eu escrevi, para a secção de Cultura, está transcrito abaixo, para melhor leitura! Falo sobre o novo disco Amália, As Vozes Do Fado.*

Amália, as vozes do fado

“Amália, não sei quem é” não faz qualquer sentido fora do fado onde esta poesia assenta. O nome é conhecido sobejamente e, entoado numa canção ou não, oferece a quem quer que o ouça uma memória qualquer.Amália, a voz que é um epíteto do fado, um timbre com uma tristeza tão inerente que passou fronteiras, e colocou o nosso país e esta nossa herança no coração de muita gente. Não é preciso entender o que Amália canta para o sentir bem de perto.Pelas mãos do realizador lusodescendente Ruben Alves, criador do filme “A Gaiola Dourada”, – uma sátira ao percurso dos emigrantes Portugueses em França – nasceu este projeto que junta alguns dos interpretes mais conhecidos da esfera fadista, mas não se faz apenas de música. Com criação de Alexandre Farto, que assina a sua arte como Vhils, e com o trabalho e dedicação da escola de calceteiros de Lisboa, também o chão de Alfama ganhou para si o rosto de Amália. A imagem que podemos ver na capa do disco é a mesma que nos fita da calçada Lisboeta.Mas falemos do álbum; editado a 17 de julho deste ano, nele se espraiam treze temas,  originalmente cantados por Amália Rodrigues e resgatados por onze artistas, entre os quais Celeste Rodrigues, que acedeu dar voz a Faz-me Pena; aceitou cantar este fado porque, nunca tendo ouvido a irmã a interpretá-lo, sentiu-se assim capaz de lhe dar um toque pessoal, sem qualquer influência desta.  De resto, há temas tão conhecidos como Maldição, – numa avassaladora interpretação de Ana Moura – Estranha Forma De Vida na voz de António Zambujo e pontuada apenas pelo contrabaixo, ou Com Que Voz, que Carminho vai desfiando com os seus trémolos tão peculiares.Existem também duetos: Camané e Gisela João trazem-nos Meu Limão De Amargura, Ana Moura e Bonga - numa parceria pouco óbvia mas preciosa – cantam Valentim. Para não esquecer que Amália engrandeceu com a sua voz a música e a arte de outros países, Carminho divide Naufrágio com Caetano Veloso, António Zambujo junta-se à cantora Cabo-Verdiana Mayra Andrade para pedir Lisboa Não Sejas Francesa, e a mestria do flamenco de Javier Limón apega-se à grande voz de Ricardo Ribeiro em Maria La Portuguesa.De admirar também o instrumental de guitarras Portuguesas pelos dedos hábeis de José Manuel Neto, Luís Guerreiro e Ângelo Freire, trinando Amália.É uma clara homenagem – porque nunca são demais - a Amália Rodrigues. É a prova de que o fado pode ser reinventado, as pedras da calçada podem precisar de renovação, mas o legado de Amália perdura para além de tudo isto.

Carina Pereira

Untitled