Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Dom | 25.10.15

Hoje É Dia De Música #9

Carina Pereira
Hoje trago-vos aquela que é, da jovem geração do Fado, a minha fadista favorita. Carminho tem uma forma muito particular de cantar, e uma voz fortíssima. Felizmente ela virá cá em Março do ano que vem e, se tudo correr como previsto, lá estarei para a ouvir.Saia Rodada é feliz, dançante. Espero que vos dê ritmo à semana que se avizinha.Para mim, será uma semana de mudanças. Casa nova, cidade nova, tudo novos recomeços. Mas o Fado, esse, haverei de levá-lo sempre comigo. :)Boa semana!

Carina Pereira

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=6GFIwHeATxw[/embed]

Sab | 24.10.15

Chamamento

Carina Pereira

Chama o meu nome, assim, como só tu sabes

Saboreia-o na tua língua, lentamente, como só tu sabes

Gasta o teu tempo nele, até que se gaste

E te soe estranho na garganta.

Chama o meu nome, assim, como só tu sabes

Para que eu não saiba senão seguir-te

Seguir a doçura do meu nome, como só tu o sabes dizer.

Sussurra assim o meu nome, como só tu sabes;

Amar-te-ei, como só eu sei.

Carina Pereira, 24 de Outubro de 2015

Dom | 18.10.15

Hoje É Dia De Música #8

Carina Pereira
Ontem fui a uma tertúlia de Fado em Bruxelas, organizada por Portugueses. Foi até às tantas da madrugada, e foi fabuloso! Ao contrário dos concertos que costumo ver, o ambiente era muito mais intimista; o público sentado à volta das mesas, os fadistas a cantarem sem microfones. Foram três os que nos entreteram e emocionaram: Cláudia Picado, Maria Emília Reis e João Escada. Falarei sobre isso numa outra publicação, quando tiver mais tempo para alinhavar alguns parágrafos sobre isso.Para hoje, deixo-vos a que foi, para mim, a maior surpresa da noite. Com apenas 20 anos, Maria Emília Reis deixou-me rendida ao seu fado. Este vídeo - que não foi filmado ontem - mostra bem o seu talento. Vale a pena ficar atento a esta voz.Boa semana para todos!

Carina Pereira

 [embed]https://www.youtube.com/watch?v=yHCn8LUzVMw[/embed]

Sex | 16.10.15

Boteco Das Tertúlias|#2 O Outono Na Minha Cidade

Carina Pereira
Chegou Outubro e, com ele, mais um encontro no Boteco Das Tertúlias. Este mês mostro-vos o Outono na minha cidade do coração. Não é a cidade onde agora moro, mas é a única a que chamo minha sem hesitação. Póvoa de Varzim: nortenha, litoral. Lar.*No Outono a minha cidade cheira a maresia. A mar bravio, de encontro às rochas, num vai e vem onde bailam as algas e que lava da areia as pegadas incautas. No Outono a minha cidade tem mais vento, e faz mais frio, mas o sol sem chama aquece por dentro, quando o cheiro a castanhas assadas corre por entre as ruas.

siglaspoveiras

As calçadas são a preto e branco e têm siglas e às vezes, no Outono, trinam quando a chuva que cai as lava. O farol, na ponta do cais, perde as cores, e os vermelhos e brancos que o pintam esfumam-se por entre o nevoeiro. A sua luz, essa, espraia-se sobre o mar cor de petróleo, trazendo os pescadores, filhos da terra, para casa.

Farol

No Outono na minha cidade as aragens fogem pelas vielas, assobiando por entre as frinchas, qual piropo mal lançado quando o amor nos faz ridículos. E a cidade, rendida, dá-lhe oferendas cor de ferrugem: são folhas ou pedaços de amor.No Outono a minha cidade vê o sol pôr-se no Atlântico e depois salpica o céu com as estrelas do hemisfério Norte, cor mais forte na cauda da Ursa Menor, para que Apolo saiba o caminho de regresso àquele oceano. E na noite, os gritos das gaivotas que namoram a praia dão lugar aos rumores de amores escondidos.No Outono a minha cidade despe-se de gente, mas quem cá fica ainda sente os cabelos lavados pelo sal, a pele acariciada pelas línguas estrangeiras que se esvaem a pouco e pouco, e as portas entreabertas deixam adivinhar conversas com pronúncia mais subtil, mais nossa.Ainda se ouve, no afamado café de outrora, alojado sobre o areal, os versos que José Régio lá escreveu. E nós, presos ao destino que ele assim traçou, também trilhamos caminhos por onde os outros não vão. Mas é Eça, nosso em tudo, nascido do ventre desta terra, que nos conta as intrigas e os romances proibidos, e nos olha com simplicidade por cima do seu monócolo de marfim.

homenagem-rotary-jose regio-diana bar-2 Eça_de_Queiroz_-_Póvoa_de_Varzim

No Outono há flores e peixe no mercado, e os barcos descansam na lota sob a coragem atenta do mestre Cego do Maio, até ser hora de partir.

cegomaio1

No Outono a minha cidade é a mesma de sempre. Sou eu que a embrulho com palavras como lãs acolhedoras, tricotadas pela saudade que sinto de a sentir assim.

povoa

Carina Pereira

*

Os restantes textos deste boteco podem ser encontrados nos seguintes links:

A Limonada Da VidaByCatarinaEspresso And StroopwafelLife’s Textures*fontes das imagens:[x] [x] [x] [x] [x] [x
Ter | 13.10.15

TAG: CONHECENDO NOVOS BLOGS!

Carina Pereira
Foi.me proposta uma Tag pela Marta do blog Um Dia Acabo O Livro, com o objectivo de conhecer, e dar a conhecer, outros blogs. Vamos lá fazer isto!*01. Qual o “porquê” do teu blog?Comecei este blog, como explico numa página qualquer do mesmo, para me reaproximar da língua Portuguesa. Sempre gostei de escrever, sempre precisei de o fazer, mas nos últimos anos escrevia muito mais em Inglês do que na minha língua materna. Não foi um erro; aprendi muito, melhorei o meu Inglês mas, ainda assim, fiquei com saudades de escrever em Português. Criei o blog, e aqui estou, a fazer o que me propus, da melhor maneira que sei.02. Qual a maior revelação que o teu blog te fez?Que o meu eu de 18 anos escrevia muito mais do que o meu eu de 28. Dez anos de vida em cima pelos vistos cria preguiça. Mas também me revelou que, tendo compromissos, os cumpro e que não interessa escrever para as paredes; o que interessa é escrever. Um dia, também eu acabo o livro. :)03. O que fazes para trazer novos conteúdos para o blog?Eu não penso muito nisso. Escrevo aquilo que gosto, o tema que me surge. Se aparecer alguma proposta - como o Boteco Das Tertúlias, de que muito me orgulho - vejo nisso sempre uma boa forma de me motivar a escrever e de manter o blog mais activo, mas não costumo pensar muito em novas estratégias para dinamizar o blog, ou o tornar mais conhecido. As rubricas que vão aparecendo - como a de música aos Domingos - surgem porque eu tinha necessidade de mostrar coisas que adoro, não são pensadas especificamente para o blog mas, como se encaixam bem nele, aqui as coloco.04. O que gostarias de alcançar com o teu blog?Acho que gostaria que mais pessoas me lessem. Porque, a meu ver, eu escrevo mas tambem leio outros textos de outros blogs, e acabo por descobrir coisas muito bonitas. E qualquer pessoa que escreva gosta de ter um feedback.05. O que te leva a seguir um blog/página?Gostar do que a pessoa publica, ou gostar da pessoa. Aliás, se não gostar da pessoa não sigo, obviamente. Mas é bom chegar a casa e ter textos, ou até imagens, para espairecer um pouco a mente, e me rir um bocadinho. Adoro publicações pessoais, principalmente aquelas todas felizes, e gosto de blogs que contem coisas sobre pequeninos, porque eles alegram o dia de qualquer pessoa e há sempre histórias engraçadas com crianças.06. Gostas mais de escrever ou de ser lida?Eu não posso ser lida, sem escrever. E nem sempre publico tudo o que escrevo, por isso escrever é mais fundamental, para mim, do que ser lida.07. Qual foi a maior surpresa (boa ou má) que a vida adulta te trouxe?Que ser adulto nem sempre é saber o que se faz. Que sou mais despreocupada do que achei que seria, como adulta. Cresci, sem perder a euforia que as crianças guardam, e grande parte do encanto em relação às coisas. Não sou o que julguei que seria mas, por um lado, sou melhor. Não só para os outros, mas para mim própria, porque também precisamos de ser bons para nós próprios. Senão chega a uma altura em que não conseguimos ser bons para ninguém.Aos 28 anos não tenho nada resolvido na vida, mas tenho muita vontade de ver o que aí vem.08. Qual a tua maior paixão na vida?Só uma? Não pode ser, tenham lá paciência. Gosto de música, amo Fado, gosto de livros, gosto de nutella e skittles, de ler, escrever e cantar. Gosto de gostar das coisas - tão cliché. Acho que a minha maior paixão é a euforia, porque a maior parte das vezes não sei ser feliz sem o ser de forma euforica. E eu sou feliz facilmente.Das pessoas? A minha sobrinha, que é também afilhada, e me enche o coração.09. Qual o hábito diário do qual não prescindes?Ouvir música. Se não há música por perto - o que é raro - canto eu. Afinal, nós nunca nos ouvimos como realmente soamos. :P10. Se pudesses viajar no tempo, escolhias ir para o passado ou para o futuro? porquê?Não conseguia escolher. O meu passado ou o meu futuro, ou um passado e futuro quaisquer? Não poderia mudar nada do meu passado, mas também não sei qual será o meu futuro, e não tenho a certeza de querer estragá-lo ao sabê-lo de antemão. Olha, ia de volta ao 25 de Setembro deste ano. Aquele concerto do Marco Rodrigues marcou-me para a vida, era lá que me apetecia estar agora.11. O que dizem os teus olhos? Ai se os meus olhos falassem, contavam... (conhecem o Fado?)*Instruções para participar nesta TAG:1 – Responder às perguntas realizadas por quem te nomeou;2 – Podem criar 10 perguntas diferentes ou apenas algumas ou usar as mesmas;3 – Marcar 3 a 10 pessoas para responderem a essas perguntas e, claro, avisá-las da nomeação.Agora nomeio para responderem às mesmas perguntas - eu avisei que era preguiçosa - os seguintes blogs:T - LifesTexturesAna - Portefólio de EscritaNerdy Chill OutHá Pêssegos Na LuaDevaneios da Tim (que me vai matar outra vez)
Ter | 13.10.15

Dia Mundial Do Escritor

Carina Pereira
Não podia faltar a esta homenagem, pois não?Hoje comemora-se o Dia Mundial Do Escritor e não haverá melhor pretexto para recordar os "meus" escritores todos. Os da infância, os da adolescência, e os de agora. Os que passaram mas ainda levo comigo, e os que ficarão para sempre.Mas esta é também a minha homenagem aos que escrevem porque é parte intrínseca de si próprios, àqueles a quem lhes calaram a escrita porque a verdade é incómoda.Este é o meu agradecimento a todos, sincero, arrancado lá do fundo do coração. Porque também eu acredito que os livros podem mudar o mundo. Podem, não. Mudam.

*

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

ana-maria-magalhc3a3es-isabel-alc3a7ada

Os livros da colecção Uma Aventura não foram certamente os primeiros livros que li, mas foram o "empurrão" para todo o amor que eu sinto pela literatura.

Em casa de uma prima, tinha eu uns nove ou dez anos, deparei-me com Uma Aventura... No Inverno. Sou uma adoradora de objectos, talvez seja bom começar por dizer isto, e colei-me ao livro por não ser algo que eu tinha em casa de sobejo. Os livros eram caros; tinha apenas duas colecções de histórias infantis e um Atlas já antigo que eu fizera o favor de embelezar - embora o meu pai usasse a palavra estragar para falar do mesmo assunto - com marcadores, quando tinha cinco anos. Este livro, maior do que aqueles com histórias infantis a que eu estava habituada, quase só com letras, chamou-me para ele. E, apesar de eu saber que só me pertence porque eu o amei mais do que o seu primeiro dono, lá o tenho em casa, o meu nome completo escrito na primeira página.

Mudada para uma nova escola aos dez anos, onde já constava uma biblioteca, a cada semana lá trazia eu mais um desta colecção para casa. As gémeas, Teresa e Luísa, o Pedro, o João e o Chico, a par com o Faial e o Caracol, foram as primeiras personagens que me deixaram viver através delas. Devo-lhes quase tudo em que me tornei.

Maria Teresa Maia Gonzalez

download

Se Uma Aventura foi a primeira casa, os livros da colecção Profissão Adolescente, foram a segunda. As histórias já não eram de aventuras, mas falavam de adolescentes, como eu. O livro que me lembro melhor é O Tiago Está A Pensar, embora na altura me tivesse feito um pouco de confusão a melhor amiga dele ser assim tão adulta. Gostava do Tiago, mesmo com a sua prepotência, porque o mundo não é assim tão fácil, mesmo quando se tem quinze anos. Especialmente quando se tem quinze anos.

Desta autora comecei, naturalmente, por ler A Lua de Joana. Adorei o livro, na altura, dizia-me tanto! Quando o reli, o ano passado e já adulta, - ou a tentar sê-lo - não gostei lá muito da Joana, afinal.

Fica o conselho: há livros que só os amamos na altura em que nos conseguimos rever neles. Não deixam de ser importantes. Quanto mais não seja, mostram-nos o quanto crescemos e que, às vezes, crescer não tem de ser mau.

João Aguiar

Joao Aguiar

Embora o Clube Das Chaves nunca me tivesse puxado interesse - li um livro ou dois da colecção - e o Os Cinco fosse já de outras eras, o Bando dos Quatro foi uma bela opção quando a colecção de Uma Aventura da biblioteca começou a escassear. Acabei depois por adquirir alguns livros desta colecção também, e adorei cada um deles. Carlos e Álvaro, Frederico e a destemida Catarina, todos com a ajuda do Tio João e do sempre fiel cão Pelópidas, nome a que eu sempre achei um piadão. Cresceram comigo também.

David Mourão-Ferreira

David

Poderia ter trazido, para os poetas, Fernando Pessoa a esta página, mas David Mourão-Ferreira é o autor do poema mais bonito que alguma vez li. Porque tem Ternura dentro dele. e deixa tanta ternura em nós.

Nicholas Sparks

Nicholas-Sparks

O meu lado capricorniano cada vez mais empurra para debaixo do tapete a clara lamechice que me acompanha vida fora. Talvez por isso Nicholas Sparks tenha deixado de fazer parte da lista dos favoritos, mas sou incapaz de saber da edição de um novo livro seu sem planear lê-lo. Porque esperei com ansiedade cada livro novo desde os meus quinze anos, parece quase traição deixar de o fazer. Com mais contenção, menos entusiasmo, mas faço-o na mesma.

São romances. Não há nada de errado com romances e, em termos de lamechice, a dele não é tanta assim. Escrevi, eu própria, os meus primeiros romances a sério - lamechas, admito - por tanto gostar das histórias dele. De certa forma, é a base das minhas narrativas. Fico em dívida com ele para sempre, por isso mesmo.

E, admitamos, As Palavras Que Nunca Te Direi e O Guardião - que é um policial fabuloso - não são histórias de amor para envergonhar ninguém.

Nick Hornby

Nick Hornby

Era Uma Vez Um Rapaz e Alta Fidelidade foram os que mais me marcaram, mas devorei vários livros do autor antes de me aperceber que era um nome bem conhecido no mundo da literatura. O último que adquiri foi Slam, bem recentemente, e voltou a relembrar-me porque gosto tanto dele.

Agatha Christie

Agatha-Christie_2469854b

Hercule Poirot é, sem dúvida, o meu preferido. Com ele sinto, quase até ao final, que posso também adivinhar o assassino, até que descubro que não, que nunca adivinho.

A história de eleição - que não conta com Poirot - é talvez a mais polémica da autora: A Última Razão Do Crime.

Um dia termino a colecção. Um dia.

Arthur Conan Doyle

Conan_doyle

Depois de assistir à nova série da BBC, senti-me no dever de ir à matriz das histórias, e conhecer a fundo o detective que tanto gosto de ver no ecrã. Não desiludiu; Arthur Conan Doyle - conquanto errático nos seus escritos, porque ele odiava a personagem e não estava nem aí - consegue, ainda assim, dilemas fabulosos com desfechos inesperados.

As histórias não cresceram comigo, embora conheça o detective desde sempre, mas merecem destaque nesta publicação, em especial A Aventura de Charles Augustus Milverton, a minha favorita de todas.

Mia Couto

mia1

Ah, Mia Couto. Não consigo pensar em Mia Couto sem pensar em doçura e meiguice, porque as palavras que ele usa para descrever até os episódios mais estranhos, embalam-me o coração. Fiquei rendida logo ao primeiro livro; o primeiro que ele escreveu, o primeiro que eu li: Terra Sonâmbula.

Autores Africanos sempre nos fazem olhar para lá das nossas crenças. O que estou a ler de momento, A Confissão Da Leoa, dá cada vez mais razão a este amor que começou ainda antes de eu lhe conhecer os escritos. Há pessoas de quem gostamos porque as adivinhamos, mais do que as sabemos.

José Eduardo Agualusa

Eduardo Agualusa

Já falei tanto de José Eduardo Agualusa que, me parece, vou acabar por me repetir. Ou talvez isto seja apenas uma desculpa por me quedar sem mais palavras, sem palavras suficientes, para expressar o quanto adoro a sua escrita. Vêem, mesmo as de adoração me soam já a tão poucochinho!

Barroco Tropical, Milagrário Pessoal, ou A Vida No Céu, são histórias que vou levar comigo para sempre, nesta viagem que é a vida. Porque - Agualusa me ensinou - o melhor da viagem é o sonho.

Carina Pereira

Edição: tanto quis dizer, que me faltaram dois dos mais importantes, J.K. Rowling com Harry Potter e Bill Waterson por Calvin & Hobbes. Ah, vale a intenção!

Dom | 11.10.15

Hoje É Dia De Música #7

Carina Pereira
Esta semana o blog esteve muito parado! Mas cá vos trago a música de Domingo,e espero ter mais para publicar durante a próxima semana.O vídeo escolhido para hoje é Guitarra, Guitarra de Marco Rodrigues. A canção faz parte do seu mais recente disco, Fados do Fado, e foi o último single a ser divulgado. Já ouvi esta música pela voz do Camané e, ainda assim, gosto mais desta versão. Sublime. Espero que também a apreciem.Boa semana!

Carina Pereira

 [embed]https://www.youtube.com/watch?v=oyiRDKcNaJQ[/embed]

Dom | 04.10.15

Hoje É Dia De Música #6

Carina Pereira
Descobri João Ferreira Rosa recentemente, através do disco Fados do Fado de Marco Rodrigues, o que significa, suponho, que o propósito do mesmo se cumpriu: trouxe até mim mais um homem do fado.João Ferreira Rosa é fadista inteiro. Não deixa o fado seguir novos caminhos, e a sua interpretação é pouco arrojada. Um tradicionalista, mas ganhamos todos com isso.Apaixonei-me por mais do que um fado dele, e fiquei sem saber qual trazer aqui. Os Lugares Por Onde Andamos, talvez a minha favorita? Triste Sorte, que conheci primeiro na voz de Camané, e adoro tanto? Fragata, que tenho ouvido vezes sem conta?O Meu amor Anda Em Fama pareceu-me uma boa forma de fazê-lo chegar até vós. Há na sua interpretação uma melancolia quase palpável, e há dias em que a melancolia me sabe a casa.Bom Domingo!

Carina Pereira

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=kuAaZ5Wx2uQ[/embed]

Sab | 03.10.15

Marco Rodrigues: Gent Rendeu-se Ao Fado

Carina Pereira

12063467_513959912087707_2536458641251272430_n

Às 20h00 do antepenúltimo dia de espectáculos do Gent Festival van Vlaanderen, já no hall do teatro de Gent ecoavam conversas cruzadas e, de bilhete na mão, as pessoas amontoavam-se, à espera que lhes dessem entrada. O concerto começaria dali a meia-hora, e os Belgas são pontuais. A sala encheu depressa; uma sala bonita, com três balcões, cadeiras vermelhas e paredes trabalhadas. No palco uma viola de fado é pousada sobre a cadeira, estrategicamente colocada ao centro. Há ainda burburinho, mas as portas fecham-se, a luz esmorece e o público vira a sua atenção para o palco. Alguns não conhecem a voz da noite, não adivinham que dentro de nada será impossível esquecê-la.Como é comum nestes concertos, são os instrumentistas quem primeiro pisa o palco. Pedro Viana carrega consigo a guitarra Portuguesa, Frederico Gato o baixo, e André Ramos a segunda viola do fado.  Acomodam-se, preparam-se.

12079213_513959678754397_280057962811974978_n

O baixo ressoa, qual cortina que se abre, com acordes conhecidos. Tantas Lisboas é o primeiro tema da noite, e Marco Rodrigues entra em palco entoando já a cantiga. O baixo, pontuando-a aqui e ali, não lhe retira a interpretação acapella. O fadista projecta a sua voz sem ajuda de microfones, e todos o escutam em silêncio. É quando termina que a sala entende tudo o que a noite promete.O concerto, uma semana depois da apresentação do último disco, Fados do Fado, no Festival Caixa Alfama, assenta já neste último álbum, mas trouxe também até quem o ouviu temas anteriores. E Marco Rodrigues gosta de interagir, gosta de levar o público com ele, gosta de o trazer para as suas músicas. Lisboa Menina e Moça e Fado do Estudante são canções sobejamente conhecidas no meio fadista, mas em solos Belgas poucos as conseguem entoar. Isso não demoveu Marco Rodrigues de as tentar ensinar. Primeiro pela língua universal do Lalala, depois com a letra propriamente cantada. E o público aderiu.A pujança do seu timbre é bem distinta; não é qualquer voz que enche uma sala assim, mas em temas como Loucura, Duas Lágrimas de Orvalho, ou A Rima Mais Bonita, a interpretação de Marco Rodrigues foi portentosa. Qualquer vídeo que se possa encontrar não faz jus àquilo que se ouve ao vivo. E se a entrega é grande enquanto ele se move sobre o palco, mão esquerda no bolso, a direita quase estendida, quase fechada, todo ele fado na postura, em nada a perde quando se senta entre os músicos e a viola vibra às suas mãos.

12049191_512949638855401_2529303410076666844_n

Mas se o foco da noite é o fadista, a cumplicidade entre aqueles que o acompanham é notória. Trocam sorrisos, espicaçam-se, entretêm o público com a sua familiaridade. Frederico Gato, em particular, parece sempre perdido num mundo de alegria: de olhos fechados, cabeça a balançar e sorriso no rosto, é um gosto ver o gozo que o espectáculo lhe dá.Foram vários os temas desfiados durante a noite, músicas de álbuns anteriores, e outras que se escutam regularmente na Casa de Fado onde Marco Rodrigues ainda actua, e da qual é director artístico, a Adega Machado. Do novo disco entraram no alinhamento A Rosinha dos Limões, Noite, Ai Se Os Meus Olhos Falassem, Acho Inúteis As Palavras, e Trigueirinha. O final foi talvez o ponto alto de um concerto que levou até ao público o que de melhor se faz no nosso fado. Depois de receberem aplausos de uma audiência já em pé, e se retirarem pela primeira vez, são chamados ao palco para o encore da praxe. Os músicos, de intrumentos em mão, puxam uma cadeira e, com o pé direito sobre ela, apoiam os intrumentos contra si. Num improviso se encena uma desgarrada, tão comum em casas de fado, uma relíquia num concerto assim. Mas a surpresa não se fica por aqui, pois desta vez Marco Rodrigues não canta sozinho. André Ramos opõe-se às suas quadras, entoando em conjunto um Fado Corrido, É Tão Bom Ser Pequenino.

12039443_512950192188679_4710316328334044553_n

O espírito malandro das desgarradas está bem presente e, mais uma vez – depois de um choradinho delicioso de Marco Rodrigues, que os faz tão bem – a cena se fecha com aplausos e ovações entusiastas.

12046598_512950195522012_5240060199353187589_n

Eles agradecem, fazem vénias, e deixam o palco com toda a sala ainda em pé.

As considerações que se ouvem em volta são positivas; mesmo quem não entende o que se canta reconhece a emoção de tudo o que ouviu. Se mais provas fossem precisas para saber que este foi um espectáculo soberbo.

12039195_512950208855344_1496068562108236411_n

Numa nota pessoal, este é um dos últimos concertos que vejo este ano. Desde Março que esperava o dia 25 de Setembro, e saí de Gent com o coração a rebentar pelas costuras. E se foi todo um fim-de-semana de novas experiências, foi também um de revelações: já no comboio a caminho de casa, a recordar tudo o que acontecera, a letra de Sérgio Godinho fez finalmente sentido, hoje soube-me a pouco, hoje soube-me a pouco, portanto... hoje soube me a tanto.

E soube-me a tanto.

Carina Pereira

DSCF8612

12036429_513960135421018_5047965058629100708_n

Fotografias por © Christophe Vander Eecken [x] [x]

Qui | 01.10.15

(Des)Motivações

Carina Pereira
Na minha terra as aulas deste ano começaram a 20 de Setembro. A apresentação dos alunos aos professores, porém, foi na sexta-feira anterior.A minha sobrinha tem sete anos e, já contei antes aqui, a escola é assunto que ela costuma evitar. Se não está em aulas, não lhe falem nisso; se está, então já não é preciso falar, pois não? Este ano porém, e chamando até mim as palavras de António Zambujo - ou, não sendo dele, as que ele tão bem canta - algo estranho acontece e, ligando eu à minha cunhada para saber como correu a apresentação, ouço a surpreendente afirmação de "ela está desejosa de voltar às aulas na segunda."Estará o mundo louco? Terão as férias de Verão mudado a forma como a minha sobrinha vê a escola, terá ela entendido já a palavra saudade? Ou, pergunto eu à minha cunhada em tom de chacota, apaixonou-se ela no primeiro dia?Não, não foi bem isso. Mas quase. Pelos vistos, entrando pela escola de mão dada com a mãe, foi-lhe apontado o professor: "Vês, o teu professor é aquele." A piquena ri-se. E, do alto dos seus sete anos, diz com malandrice: "Uau, que gatinho." Assim, tão simples quanto isto.E, de repente, se arranja motivação. Estamos feitos com ela.

Carina Pereira

Qui | 01.10.15

Blogazine Nº 4

Carina Pereira
A Blogazine de Outubro já saiu!Podem ver todo o conteúdo da revista aqui!O texto que eu escrevi, para a secção de Cultura, está transcrito abaixo, para melhor leitura! Falo sobre o novo disco Amália, As Vozes Do Fado.*

Amália, as vozes do fado

“Amália, não sei quem é” não faz qualquer sentido fora do fado onde esta poesia assenta. O nome é conhecido sobejamente e, entoado numa canção ou não, oferece a quem quer que o ouça uma memória qualquer.Amália, a voz que é um epíteto do fado, um timbre com uma tristeza tão inerente que passou fronteiras, e colocou o nosso país e esta nossa herança no coração de muita gente. Não é preciso entender o que Amália canta para o sentir bem de perto.Pelas mãos do realizador lusodescendente Ruben Alves, criador do filme “A Gaiola Dourada”, – uma sátira ao percurso dos emigrantes Portugueses em França – nasceu este projeto que junta alguns dos interpretes mais conhecidos da esfera fadista, mas não se faz apenas de música. Com criação de Alexandre Farto, que assina a sua arte como Vhils, e com o trabalho e dedicação da escola de calceteiros de Lisboa, também o chão de Alfama ganhou para si o rosto de Amália. A imagem que podemos ver na capa do disco é a mesma que nos fita da calçada Lisboeta.Mas falemos do álbum; editado a 17 de julho deste ano, nele se espraiam treze temas,  originalmente cantados por Amália Rodrigues e resgatados por onze artistas, entre os quais Celeste Rodrigues, que acedeu dar voz a Faz-me Pena; aceitou cantar este fado porque, nunca tendo ouvido a irmã a interpretá-lo, sentiu-se assim capaz de lhe dar um toque pessoal, sem qualquer influência desta.  De resto, há temas tão conhecidos como Maldição, – numa avassaladora interpretação de Ana Moura – Estranha Forma De Vida na voz de António Zambujo e pontuada apenas pelo contrabaixo, ou Com Que Voz, que Carminho vai desfiando com os seus trémolos tão peculiares.Existem também duetos: Camané e Gisela João trazem-nos Meu Limão De Amargura, Ana Moura e Bonga - numa parceria pouco óbvia mas preciosa – cantam Valentim. Para não esquecer que Amália engrandeceu com a sua voz a música e a arte de outros países, Carminho divide Naufrágio com Caetano Veloso, António Zambujo junta-se à cantora Cabo-Verdiana Mayra Andrade para pedir Lisboa Não Sejas Francesa, e a mestria do flamenco de Javier Limón apega-se à grande voz de Ricardo Ribeiro em Maria La Portuguesa.De admirar também o instrumental de guitarras Portuguesas pelos dedos hábeis de José Manuel Neto, Luís Guerreiro e Ângelo Freire, trinando Amália.É uma clara homenagem – porque nunca são demais - a Amália Rodrigues. É a prova de que o fado pode ser reinventado, as pedras da calçada podem precisar de renovação, mas o legado de Amália perdura para além de tudo isto.

Carina Pereira

Untitled

Qui | 01.10.15

Blogazine Nº 4

Carina Pereira
A Blogazine de Outubro já saiu!Podem ver todo o conteúdo da revista aqui!O texto que eu escrevi, para a secção de Cultura, está transcrito abaixo, para melhor leitura! Falo sobre o novo disco Amália, As Vozes Do Fado.*

Amália, as vozes do fado

“Amália, não sei quem é” não faz qualquer sentido fora do fado onde esta poesia assenta. O nome é conhecido sobejamente e, entoado numa canção ou não, oferece a quem quer que o ouça uma memória qualquer.Amália, a voz que é um epíteto do fado, um timbre com uma tristeza tão inerente que passou fronteiras, e colocou o nosso país e esta nossa herança no coração de muita gente. Não é preciso entender o que Amália canta para o sentir bem de perto.Pelas mãos do realizador lusodescendente Ruben Alves, criador do filme “A Gaiola Dourada”, – uma sátira ao percurso dos emigrantes Portugueses em França – nasceu este projeto que junta alguns dos interpretes mais conhecidos da esfera fadista, mas não se faz apenas de música. Com criação de Alexandre Farto, que assina a sua arte como Vhils, e com o trabalho e dedicação da escola de calceteiros de Lisboa, também o chão de Alfama ganhou para si o rosto de Amália. A imagem que podemos ver na capa do disco é a mesma que nos fita da calçada Lisboeta.Mas falemos do álbum; editado a 17 de julho deste ano, nele se espraiam treze temas,  originalmente cantados por Amália Rodrigues e resgatados por onze artistas, entre os quais Celeste Rodrigues, que acedeu dar voz a Faz-me Pena; aceitou cantar este fado porque, nunca tendo ouvido a irmã a interpretá-lo, sentiu-se assim capaz de lhe dar um toque pessoal, sem qualquer influência desta.  De resto, há temas tão conhecidos como Maldição, – numa avassaladora interpretação de Ana Moura – Estranha Forma De Vida na voz de António Zambujo e pontuada apenas pelo contrabaixo, ou Com Que Voz, que Carminho vai desfiando com os seus trémolos tão peculiares.Existem também duetos: Camané e Gisela João trazem-nos Meu Limão De Amargura, Ana Moura e Bonga - numa parceria pouco óbvia mas preciosa – cantam Valentim. Para não esquecer que Amália engrandeceu com a sua voz a música e a arte de outros países, Carminho divide Naufrágio com Caetano Veloso, António Zambujo junta-se à cantora Cabo-Verdiana Mayra Andrade para pedir Lisboa Não Sejas Francesa, e a mestria do flamenco de Javier Limón apega-se à grande voz de Ricardo Ribeiro em Maria La Portuguesa.De admirar também o instrumental de guitarras Portuguesas pelos dedos hábeis de José Manuel Neto, Luís Guerreiro e Ângelo Freire, trinando Amália.É uma clara homenagem – porque nunca são demais - a Amália Rodrigues. É a prova de que o fado pode ser reinventado, as pedras da calçada podem precisar de renovação, mas o legado de Amália perdura para além de tudo isto.

Carina Pereira

Untitled