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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Ter | 29.09.15

Tag!

Carina Pereira
O blog Leituras da Lee desafiou-me com uma Tag e eu esqueci-me de responder, até agora. Por isso, vamos lá!Obrigada pela Tag, desculpa a demora!*01 – Sobre o que mais gostam de escrever?Não tenho um assunto específico, embora prefira escrever narrativas fantasiosas, e não tanto sobre assuntos sérios. Gosto de contos, de poemas, de dizer o que penso de livros que leio e álbuns que ouço, e de relatar as minhas "aventuras" pelos concertos de Fado!02 – Como se vê daqui 10 anos?Tenho sonhos simples com um objectivo difícil: ser feliz. Espero fazer algo que me motive a levantar de manhã, e espero também ter uma família. Podem ser três filhos, faxabor. :)03 – Uma emoção que te define?Euforia/Paixão. Não é que não haja espaço para mornices, mas daquilo que gosto a sério, é com paixão. Fico feliz com as coisas mais simples, de tal forma que euforia é mesmo um estado de espírito constante.04 – O que não pode faltar na sua folga?Ronhisse. Levantar quando quero, fazer o que quero. Música, livros, e sem horas para nada.05 – Se você tivesse uma lista de objetivos, quais seriam os três que estariam no topo da lista?Eita, sei eu lá bem ao certo.Quero acabar de escrever a história que comecei este ano.Quero fazer mais planos para coisas que me fazem felizes.Quero passar mais tempo com quem mais gosto.06 – Um lugar que sempre te inspira?Bibliotecas.07 – Você tem algum sonho bobo? Se sim, qual?Tenho imensos! Volta e meia lá aparece um mais estrambólico. Até tenho um livro onde os escrevo, cheio deles!Ou isto eram sonhos de objectivos?08 – De onde você gostaria de estar escrevendo agora?De um lugar onde me sentisse em casa. De uma tertúlia de Fado.09 – Se pudesse escolher alguém para ter sempre por perto, quem seria?Mia Couto. Acho que ao ouvi-lo ficaria ainda mais maravilhada com o mundo das palavras. O Agualusa também, mas acho que o Mia seria mais meigo no seu discurso.10 – Tem grandes pretensões para o seu Blog?Nem por isso. é um lugar onde coloco os meus textos. É claro que gosto de comentários, mas não o vejo como uma plataforma de enorme projecção.*Quem vai responder, se quiser:T. de Life's TexturesAna do O meu blog de escritaSe ela vir isto a Tim do Devaneios da TimE quem mais quiser! :D

Carina Pereira

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Ter | 29.09.15

Tag!

Carina Pereira
O blog Leituras da Lee desafiou-me com uma Tag e eu esqueci-me de responder, até agora. Por isso, vamos lá!Obrigada pela Tag, desculpa a demora!*01 – Sobre o que mais gostam de escrever?Não tenho um assunto específico, embora prefira escrever narrativas fantasiosas, e não tanto sobre assuntos sérios. Gosto de contos, de poemas, de dizer o que penso de livros que leio e álbuns que ouço, e de relatar as minhas "aventuras" pelos concertos de Fado!02 – Como se vê daqui 10 anos?Tenho sonhos simples com um objectivo difícil: ser feliz. Espero fazer algo que me motive a levantar de manhã, e espero também ter uma família. Podem ser três filhos, faxabor. :)03 – Uma emoção que te define?Euforia/Paixão. Não é que não haja espaço para mornices, mas daquilo que gosto a sério, é com paixão. Fico feliz com as coisas mais simples, de tal forma que euforia é mesmo um estado de espírito constante.04 – O que não pode faltar na sua folga?Ronhisse. Levantar quando quero, fazer o que quero. Música, livros, e sem horas para nada.05 – Se você tivesse uma lista de objetivos, quais seriam os três que estariam no topo da lista?Eita, sei eu lá bem ao certo.Quero acabar de escrever a história que comecei este ano.Quero fazer mais planos para coisas que me fazem felizes.Quero passar mais tempo com quem mais gosto.06 – Um lugar que sempre te inspira?Bibliotecas.07 – Você tem algum sonho bobo? Se sim, qual?Tenho imensos! Volta e meia lá aparece um mais estrambólico. Até tenho um livro onde os escrevo, cheio deles!Ou isto eram sonhos de objectivos?08 – De onde você gostaria de estar escrevendo agora?De um lugar onde me sentisse em casa. De uma tertúlia de Fado.09 – Se pudesse escolher alguém para ter sempre por perto, quem seria?Mia Couto. Acho que ao ouvi-lo ficaria ainda mais maravilhada com o mundo das palavras. O Agualusa também, mas acho que o Mia seria mais meigo no seu discurso.10 – Tem grandes pretensões para o seu Blog?Nem por isso. é um lugar onde coloco os meus textos. É claro que gosto de comentários, mas não o vejo como uma plataforma de enorme projecção.*Quem vai responder, se quiser:T. de Life's TexturesAna do O meu blog de escritaSe ela vir isto a Tim do Devaneios da TimE quem mais quiser! :D

Carina Pereira

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Seg | 28.09.15

Sem Nome

Carina Pereira

Ah, quem me dera que a saudade

Fosse uma palavra por inventar!

Senti-la sem lhe dar nome,

Senti-la sem saber

Como, ao senti-la, a chamar


Ah, quem me dera que a saudade

Fosse uma palavra por inventar!

Não te diria “tenho saudade”

Diria: “volta logo!”

“Há amor que só a ti te posso dar”


Ah, quem me dera que a saudade

Fosse uma palavra por inventar...

Tavez sem nome eu não soubesse

Que só nela sei morar

Carina Pereira, 27 de Setembro de 2015

Seg | 28.09.15

Sem Nome

Carina Pereira

Ah, quem me dera que a saudade

Fosse uma palavra por inventar!

Senti-la sem lhe dar nome,

Senti-la sem saber

Como, ao senti-la, a chamar


Ah, quem me dera que a saudade

Fosse uma palavra por inventar!

Não te diria “tenho saudade”

Diria: “volta logo!”

“Há amor que só a ti te posso dar”


Ah, quem me dera que a saudade

Fosse uma palavra por inventar...

Tavez sem nome eu não soubesse

Que só nela sei morar

Carina Pereira, 27 de Setembro de 2015

Dom | 20.09.15

Joana Amendoeira: Fado Com Doçura Em Maastricht

Carina Pereira

Roubando parte das palavras do inesquecível Vasco Santana, e alterando-as como me convém, "Fadistas há muitos!", e para todos os gostos. Tantos que eu, ainda jovem neste meu amor pelo Fado, lá os vou descobrindo aos poucos.

Joana Amendoeira, conheci-a através do disco Brincar aos Fados. Tem uma voz melodiosa, que acompanha a expressão carinhosa com que se apresenta ao público. Se já a entendia como doce na forma de cantar, posso garantir que em palco a doçura se mantém. Mas desengane-se quem julga que doçura e garra são incompatíveis; Joana tem-nas na mesma dose.Às 22h00 certas de um 19 de Setembro precocemente Outonal, na cidade Holandesa de Maastricht, as portas da sala Papyrus do Theatre aan het Vrijthof fecharam-se, e uma sala cheia conversava e contemplava o palco, adornado por quatro cadeiras e três instrumentos: guitarra Portuguesa, viola de fado e baixo. Em breve, os instrumentos insuspeitos que ali repousavam seriam abraçados pelos músicos: Pedro Amendoeira, João Filipe e Fernando Nani entraram em palco, o público aplaudiu e aguardou que a voz da noite a eles se juntasse. Chegou sem demora, num vestido branco que varria o chão com suavidade, contrastando talvez com o cerne típico do fado, mas afirmando em Joana Amendoeira a doçura de que acima falei.A sala nunca escureceu completamente, mas o ambiente fadista impôs-se mesmo assim. A fadista ofereceu-nos músicas do seu novo disco, - de nome Muito Depois, que será editado brevemente - entreteu-nos com outras mais populares, deixando um cheirinho no ar a Santo António, e como se não fosse isso já bastante, ainda trouxe até nós fados tão conhecidos como Lisboa Menina e Moça, Fado das Horas (sobejamente conhecido na voz de Maria Teresa de Noronha), Estranha Forma De Vida e Barco Negro, ambos do reportório de Amália Rodrigues. Barco Negro, em especial, pôs a sala a cantarolar com o seu refrão corriqueiro, e Joana foi sempre uma excelente anfitriã. Do público pediu palmas, - não de ovação, essas foram-lhe dadas sem rogar, mas de acompanhamento - pediu canto, e deu em troca uma performance para recordar.Mencionou os músicos que a acompanharam, os compositores dos fados tradicionais tocados, e os poetas, Tiago Torres Da Silva em particular, letrista de renome. Explicou atenciosamente, para quem as não entendia, as histórias que as músicas contavam.Terminado o espectáculo, com o público de pé, muitas palmas, clamores e assobios de regozijo, Joana ainda se encontrou com quem com ela queria trocar uma palavra no hall. Deu autógrafos, tirou fotografias e manteve-se ali para dois dedos de conversa com aqueles que, momentos antes, se tinham rendido à sua sublime actuação.Uma mais valia para o Festival de Música Sacra de Maastricht, onde este concerto se inseriu, um nome que esperamos poder escrever na agenda de fado dos anos vindouros.

Carina Pereira

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Dom | 20.09.15

Joana Amendoeira: Fado Com Doçura Em Maastricht

Carina Pereira

Roubando parte das palavras do inesquecível Vasco Santana, e alterando-as como me convém, "Fadistas há muitos!", e para todos os gostos. Tantos que eu, ainda jovem neste meu amor pelo Fado, lá os vou descobrindo aos poucos.

Joana Amendoeira, conheci-a através do disco Brincar aos Fados. Tem uma voz melodiosa, que acompanha a expressão carinhosa com que se apresenta ao público. Se já a entendia como doce na forma de cantar, posso garantir que em palco a doçura se mantém. Mas desengane-se quem julga que doçura e garra são incompatíveis; Joana tem-nas na mesma dose.Às 22h00 certas de um 19 de Setembro precocemente Outonal, na cidade Holandesa de Maastricht, as portas da sala Papyrus do Theatre aan het Vrijthof fecharam-se, e uma sala cheia conversava e contemplava o palco, adornado por quatro cadeiras e três instrumentos: guitarra Portuguesa, viola de fado e baixo. Em breve, os instrumentos insuspeitos que ali repousavam seriam abraçados pelos músicos: Pedro Amendoeira, João Filipe e Fernando Nani entraram em palco, o público aplaudiu e aguardou que a voz da noite a eles se juntasse. Chegou sem demora, num vestido branco que varria o chão com suavidade, contrastando talvez com o cerne típico do fado, mas afirmando em Joana Amendoeira a doçura de que acima falei.A sala nunca escureceu completamente, mas o ambiente fadista impôs-se mesmo assim. A fadista ofereceu-nos músicas do seu novo disco, - de nome Muito Depois, que será editado brevemente - entreteu-nos com outras mais populares, deixando um cheirinho no ar a Santo António, e como se não fosse isso já bastante, ainda trouxe até nós fados tão conhecidos como Lisboa Menina e Moça, Fado das Horas (sobejamente conhecido na voz de Maria Teresa de Noronha), Estranha Forma De Vida e Barco Negro, ambos do reportório de Amália Rodrigues. Barco Negro, em especial, pôs a sala a cantarolar com o seu refrão corriqueiro, e Joana foi sempre uma excelente anfitriã. Do público pediu palmas, - não de ovação, essas foram-lhe dadas sem rogar, mas de acompanhamento - pediu canto, e deu em troca uma performance para recordar.Mencionou os músicos que a acompanharam, os compositores dos fados tradicionais tocados, e os poetas, Tiago Torres Da Silva em particular, letrista de renome. Explicou atenciosamente, para quem as não entendia, as histórias que as músicas contavam.Terminado o espectáculo, com o público de pé, muitas palmas, clamores e assobios de regozijo, Joana ainda se encontrou com quem com ela queria trocar uma palavra no hall. Deu autógrafos, tirou fotografias e manteve-se ali para dois dedos de conversa com aqueles que, momentos antes, se tinham rendido à sua sublime actuação.Uma mais valia para o Festival de Música Sacra de Maastricht, onde este concerto se inseriu, um nome que esperamos poder escrever na agenda de fado dos anos vindouros.

Carina Pereira

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Sex | 18.09.15

Eu Sabia Que Setembro Ia Ser Bom

Carina Pereira
Para começar, já se encontram figos no supermercado, e eu adoro figos! Depois, amanhã tenho um concerto de Fado, que apareceu assim há duas semanas como bónus extra; a Joana Amendoeira vem a Maastricht, que fica a uns 60 km de casa, vou vê-la com as amigas do Fado, - e de outras coisas também - e divertimo-nos sempre que saímos. Para a semana, Marco Rodrigues! Em Gent, que fica longe, mas vou lampeira e contente de comboio. Adoro andar de comboio. Começou um novo projecto, o Boteco Das Tertúlias, que me alegra só de pensar nele, e estou ansiosa por mostrar o texto que escrevi para a Blogazine de Outubro. Vou, afinal, iniciar o segundo ano de Italiano, começo na próxima segunda-feira. Soube também este mês que, para o ano, o José Eduardo Agualusa deve colocar os pés em solos Belgas, provavelmente para apresentar a versão em Holandês do Teoria Geral Do Esquecimento. Ou não, tanto me faz, desde que venha. Tenho livros novos do Mia Couto para ler, e uma viagem de comboio para me perder neles.Tudo isto é felicidade condensada!

Carina Pereira

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Sex | 18.09.15

Eu Sabia Que Setembro Ia Ser Bom

Carina Pereira
Para começar, já se encontram figos no supermercado, e eu adoro figos! Depois, amanhã tenho um concerto de Fado, que apareceu assim há duas semanas como bónus extra; a Joana Amendoeira vem a Maastricht, que fica a uns 60 km de casa, vou vê-la com as amigas do Fado, - e de outras coisas também - e divertimo-nos sempre que saímos. Para a semana, Marco Rodrigues! Em Gent, que fica longe, mas vou lampeira e contente de comboio. Adoro andar de comboio. Começou um novo projecto, o Boteco Das Tertúlias, que me alegra só de pensar nele, e estou ansiosa por mostrar o texto que escrevi para a Blogazine de Outubro. Vou, afinal, iniciar o segundo ano de Italiano, começo na próxima segunda-feira. Soube também este mês que, para o ano, o José Eduardo Agualusa deve colocar os pés em solos Belgas, provavelmente para apresentar a versão em Holandês do Teoria Geral Do Esquecimento. Ou não, tanto me faz, desde que venha. Tenho livros novos do Mia Couto para ler, e uma viagem de comboio para me perder neles.Tudo isto é felicidade condensada!

Carina Pereira

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Qua | 16.09.15

Boteco Das Tertúlias|#1 O Que Desse Tempo Restou

Carina Pereira
E aqui se apresenta a que será, esperamos, a primeira de muitas publicações deste boteco. Destas tertúlias fazem parte, além da minha, mais quatro vozes. Neste Setembro chuvoso, falamos da escola, cada uma à sua maneira, cada uma com as suas memórias.Não hesitem em tomar lugar nas várias mesas do boteco. Deixo-vos links para os outros textos, à laia de apresentação.A Limonada Da VidaByCatarinaEspresso And StroopwafelLife's Textures
Tenho uma sobrinha de sete anos que faz as caras de terror mais cómicas quando alguém lhe relembra que a escola está quase, quase a recomeçar. Durante o ano lectivo é vê-la a contar pelos dedos quantos dias faltam para o fim-de-semana e, se existe alguma regra é que, quando não há aulas, não se fala sobre a escola.Não que ela seja má aluna, antes pelo contrário. Mas, desenrascando-se bastante bem quando tem de ser, não aprecia ser incomodada com trabalho quando é altura de aproveitar a pausa.Eu, pelo contrário, sempre gostei da escola. Não necessariamente de estudar, – era daquelas que estudava no dia anterior ao exame, ajudada pela minha facilidade em decorar as coisas mais do que em aprendê-las – mas tinha gosto por saber mais. Não tenho jeito para ler livros sobre história, a maior parte das vezes aborreço-me, mas se me falarem com entusiasmo seja do que for, então ouço com curiosidade.Nunca senti que a escola me tivesse cortado a criatividade; é certo que há sempre alturas em que parece que somos obrigados a remar contra a nossa própria maré para seguir a corrente do ensino, mas havia aulas que me inspiravam. A de Português era uma delas. Escrevi muitos poemas no canto das páginas do livro, quando deveria estar a ouvir o professor, um padre com um conhecimento de história imenso e que acabou por se tornar o meu professor favorito do liceu. E, para quem gosta de falar sobre as coisas – e eu não me calo – as aulas de Filosofia, Psicologia e Comunicação eram a altura ideal para cair nas boas graças dos professores. Escolhi a vertente Comunicação Social, do curso de Humanidades, e disse-me sempre a minha mãe que estranho teria sido eu escolher outra coisa. Talvez por isso, porque sempre gostei de interagir, de participar, a escola tivesse sido para mim um lugar para expandir ideias.Os amigos ajudavam, é claro. Afinal, a escola também se faz de intervalos e, sendo eu a mais nova de uma fornada de primos e irmãos, passava tardes inteiras sozinha, sem ninguém que me entretesse. Talvez por isso nunca tenha perdido o hábito de conversar comigo mesma, e aprecio bastante estar sozinha mas, ir para a escola significava companhia, conversa, diversão. Tenho amigos que vêm já desde o primeiro ano de escola, pessoas com quem me encontro todos os verões, – quando vou de férias a Portugal – e com quem retomo a conversa como se o Verão passado tivesse tido lugar no dia anterior.Da escola guardo, no entanto, outras memórias caricatas. Quem não se lembra dos mitos urbanos que passavam de boca em boca, mas ninguém sabia se era assim deveras? Falta colectiva não é falta. Se tiverem passdo cinco minutos do segundo toque e o professor vier ao fundo do corredor podemos ir embora, ainda assim. Ninguém tinha coragem de testar se os mitos eram verdade; protestavamos baixinho uns para os outros, mas seguíamos para a aula, por via das dúvidas. Éramos todos revolucionários, desde que não houvesse consequências.Dos professores, também guardo um ou outro de forma vívida. O professor de Filosofia do décimo primeiro ano, que comia na aula enquanto estudava para o curso de matemática que estava a terminar, se equilibrava constantemente sobre os calcanhares, balançando para a frente e para trás – isso mereceu-lhe um apelido e uma canção que eu e uma amiga escrevemos com afinco, e cuja letra ainda hoje sei na ponta da língua – e que garantia que só faltaria a uma aula caso estivesse para morrer. Quando certo dia, com estupfacção, o segundo toque se deu e passou e ele não apareceu, entendemos que às vezes estar para morrer pode ser só uma infecção ocular.Lembro também uma professora substituta de Inglês que, com o jeito descontraído que os professores jovens têm, nos fez um exame tão fácil que alunos de negativa tiraram catorze valores. Quando a professora efectiva regressou, já no terceiro período, deu-lhe o chiquebaque nervoso e queria descontar essa nota da média final. Felizmente para nós, não lhe foi permitido. Numa turma onde a maioria desprezava o Inglês, passamos todos, o que valeu à professora responsável pelo milagre uma despedida sentida, e uma caixa de chocolates.E porque os professores de Filosofia são uma dádiva por si só, recordo o mais estrambólico de todos, do meu décimo ano. Luso-descendente, com um apelido Francês que ele nos ensinou a pronunciar, - visto que toda a gente arrastava o Francês pela lama com a nossa pronuncia nortenha - e que não obrigava ninguém a assistir às aulas, desde que nós nos organizassemos e três ou quatro aparecessem para  engodar as funcionárias. Cumprida esta regra, não havia faltas para ninguém.Mas desengane-se quem achava que a balda era permitida. Os testes eram tão rigorosos quanto o esperado de um bom professor, e quem não ia à aula é que verdadeiramente se tramava: os discursos que ele debitava em cada uma continham toda a informação necessária para o teste, muito mais do que aquilo que pudessemos estudar pelo livro. Assim, faltar à aula poderia parecer sinal de esperteza, ainda por cima quando incentivado pelo próprio professor, que não queria na sala ninguém que lá não desejasse estar, mas, na verdade, faltar era um risco, porque os exames eram feitos para quem o ouvia com atenção.O mesmo professor nos disse, a aulas tantas, uma frase que nunca esqueci. De pé sobre o estrado, em frente ao quadro de ardósia, olhou-nos com o seu ar costumeiro e entoou: “as pessoas repetem frases feitas e afirmam c’est la vie,” – e arrastava as consoantes, imitando o sotaque Português – “mas aprendam isto: não é c’est la vie. É la vie se fait!“ Olhou-nos por momentos, apreciando a forma como cada um de nós absorvia as suas palavras, e lá voltou para a sua forma chanfrada de estar na vida.Recordando este tempo, e a maneira como todos os alunos que pelas salas dele tinham passado falavam da falta de parafusos que o incompletava, cada vez mais me convenço que de maluco ele podia ter muito, mas também não lhe faltaria o génio.Há uns anos voltei também a encontrar a minha professora da primária. É de referir que a minha cara, conquanto obviamente mais velha, pouco mudou desde esses tempos. Ela olhou-me com alguma reticência e depois, ao ver-me sorrir em reconhecimento, perguntou se eu era a Carina. Eu acenei, satisfeita por ela ainda se recordar. “Lembro-me bem e ti, eras muito boa a Português,” – disse-me ela. Sorri mais. Se é assim que de mim se lembram, serve-me bem.Esqueci muitos nomes, guardei sobretudo momentos. Às vezes é bom recuperar os dias que arquivamos lá no fundo da cachimónia, a recordação das coisas é o que nos vai mantendo jovens.Posso sentar-me aqui, a falar de tempos idos com melancolia mas, ao revivê-los, eles acontecem de novo, ou assim parece. A minha mochila favorita cor-de-rosa ainda está novinha em folha e, a pouco e pouco, sou capaz de ler as legendas dos filmes na televisão; era afinal por isso que queria ir para a escola. Hoje recebo um prémio de poesia, e amanhã a minha paixoneta dos onze anos dar-me-á de novo um par de atacadores. Já não preciso da autorização dos meus pais para sair da escola, e as mochilas vão ficando para trás, carrego os poucos livros nos braços.Tudo isto foi meu. É meu ainda.

Carina Pereira

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Qua | 16.09.15

Boteco Das Tertúlias|#1 O Que Desse Tempo Restou

Carina Pereira
E aqui se apresenta a que será, esperamos, a primeira de muitas publicações deste boteco. Destas tertúlias fazem parte, além da minha, mais quatro vozes. Neste Setembro chuvoso, falamos da escola, cada uma à sua maneira, cada uma com as suas memórias.Não hesitem em tomar lugar nas várias mesas do boteco. Deixo-vos links para os outros textos, à laia de apresentação.A Limonada Da VidaByCatarinaEspresso And StroopwafelLife's Textures
Tenho uma sobrinha de sete anos que faz as caras de terror mais cómicas quando alguém lhe relembra que a escola está quase, quase a recomeçar. Durante o ano lectivo é vê-la a contar pelos dedos quantos dias faltam para o fim-de-semana e, se existe alguma regra é que, quando não há aulas, não se fala sobre a escola.Não que ela seja má aluna, antes pelo contrário. Mas, desenrascando-se bastante bem quando tem de ser, não aprecia ser incomodada com trabalho quando é altura de aproveitar a pausa.Eu, pelo contrário, sempre gostei da escola. Não necessariamente de estudar, – era daquelas que estudava no dia anterior ao exame, ajudada pela minha facilidade em decorar as coisas mais do que em aprendê-las – mas tinha gosto por saber mais. Não tenho jeito para ler livros sobre história, a maior parte das vezes aborreço-me, mas se me falarem com entusiasmo seja do que for, então ouço com curiosidade.Nunca senti que a escola me tivesse cortado a criatividade; é certo que há sempre alturas em que parece que somos obrigados a remar contra a nossa própria maré para seguir a corrente do ensino, mas havia aulas que me inspiravam. A de Português era uma delas. Escrevi muitos poemas no canto das páginas do livro, quando deveria estar a ouvir o professor, um padre com um conhecimento de história imenso e que acabou por se tornar o meu professor favorito do liceu. E, para quem gosta de falar sobre as coisas – e eu não me calo – as aulas de Filosofia, Psicologia e Comunicação eram a altura ideal para cair nas boas graças dos professores. Escolhi a vertente Comunicação Social, do curso de Humanidades, e disse-me sempre a minha mãe que estranho teria sido eu escolher outra coisa. Talvez por isso, porque sempre gostei de interagir, de participar, a escola tivesse sido para mim um lugar para expandir ideias.Os amigos ajudavam, é claro. Afinal, a escola também se faz de intervalos e, sendo eu a mais nova de uma fornada de primos e irmãos, passava tardes inteiras sozinha, sem ninguém que me entretesse. Talvez por isso nunca tenha perdido o hábito de conversar comigo mesma, e aprecio bastante estar sozinha mas, ir para a escola significava companhia, conversa, diversão. Tenho amigos que vêm já desde o primeiro ano de escola, pessoas com quem me encontro todos os verões, – quando vou de férias a Portugal – e com quem retomo a conversa como se o Verão passado tivesse tido lugar no dia anterior.Da escola guardo, no entanto, outras memórias caricatas. Quem não se lembra dos mitos urbanos que passavam de boca em boca, mas ninguém sabia se era assim deveras? Falta colectiva não é falta. Se tiverem passdo cinco minutos do segundo toque e o professor vier ao fundo do corredor podemos ir embora, ainda assim. Ninguém tinha coragem de testar se os mitos eram verdade; protestavamos baixinho uns para os outros, mas seguíamos para a aula, por via das dúvidas. Éramos todos revolucionários, desde que não houvesse consequências.Dos professores, também guardo um ou outro de forma vívida. O professor de Filosofia do décimo primeiro ano, que comia na aula enquanto estudava para o curso de matemática que estava a terminar, se equilibrava constantemente sobre os calcanhares, balançando para a frente e para trás – isso mereceu-lhe um apelido e uma canção que eu e uma amiga escrevemos com afinco, e cuja letra ainda hoje sei na ponta da língua – e que garantia que só faltaria a uma aula caso estivesse para morrer. Quando certo dia, com estupfacção, o segundo toque se deu e passou e ele não apareceu, entendemos que às vezes estar para morrer pode ser só uma infecção ocular.Lembro também uma professora substituta de Inglês que, com o jeito descontraído que os professores jovens têm, nos fez um exame tão fácil que alunos de negativa tiraram catorze valores. Quando a professora efectiva regressou, já no terceiro período, deu-lhe o chiquebaque nervoso e queria descontar essa nota da média final. Felizmente para nós, não lhe foi permitido. Numa turma onde a maioria desprezava o Inglês, passamos todos, o que valeu à professora responsável pelo milagre uma despedida sentida, e uma caixa de chocolates.E porque os professores de Filosofia são uma dádiva por si só, recordo o mais estrambólico de todos, do meu décimo ano. Luso-descendente, com um apelido Francês que ele nos ensinou a pronunciar, - visto que toda a gente arrastava o Francês pela lama com a nossa pronuncia nortenha - e que não obrigava ninguém a assistir às aulas, desde que nós nos organizassemos e três ou quatro aparecessem para  engodar as funcionárias. Cumprida esta regra, não havia faltas para ninguém.Mas desengane-se quem achava que a balda era permitida. Os testes eram tão rigorosos quanto o esperado de um bom professor, e quem não ia à aula é que verdadeiramente se tramava: os discursos que ele debitava em cada uma continham toda a informação necessária para o teste, muito mais do que aquilo que pudessemos estudar pelo livro. Assim, faltar à aula poderia parecer sinal de esperteza, ainda por cima quando incentivado pelo próprio professor, que não queria na sala ninguém que lá não desejasse estar, mas, na verdade, faltar era um risco, porque os exames eram feitos para quem o ouvia com atenção.O mesmo professor nos disse, a aulas tantas, uma frase que nunca esqueci. De pé sobre o estrado, em frente ao quadro de ardósia, olhou-nos com o seu ar costumeiro e entoou: “as pessoas repetem frases feitas e afirmam c’est la vie,” – e arrastava as consoantes, imitando o sotaque Português – “mas aprendam isto: não é c’est la vie. É la vie se fait!“ Olhou-nos por momentos, apreciando a forma como cada um de nós absorvia as suas palavras, e lá voltou para a sua forma chanfrada de estar na vida.Recordando este tempo, e a maneira como todos os alunos que pelas salas dele tinham passado falavam da falta de parafusos que o incompletava, cada vez mais me convenço que de maluco ele podia ter muito, mas também não lhe faltaria o génio.Há uns anos voltei também a encontrar a minha professora da primária. É de referir que a minha cara, conquanto obviamente mais velha, pouco mudou desde esses tempos. Ela olhou-me com alguma reticência e depois, ao ver-me sorrir em reconhecimento, perguntou se eu era a Carina. Eu acenei, satisfeita por ela ainda se recordar. “Lembro-me bem e ti, eras muito boa a Português,” – disse-me ela. Sorri mais. Se é assim que de mim se lembram, serve-me bem.Esqueci muitos nomes, guardei sobretudo momentos. Às vezes é bom recuperar os dias que arquivamos lá no fundo da cachimónia, a recordação das coisas é o que nos vai mantendo jovens.Posso sentar-me aqui, a falar de tempos idos com melancolia mas, ao revivê-los, eles acontecem de novo, ou assim parece. A minha mochila favorita cor-de-rosa ainda está novinha em folha e, a pouco e pouco, sou capaz de ler as legendas dos filmes na televisão; era afinal por isso que queria ir para a escola. Hoje recebo um prémio de poesia, e amanhã a minha paixoneta dos onze anos dar-me-á de novo um par de atacadores. Já não preciso da autorização dos meus pais para sair da escola, e as mochilas vão ficando para trás, carrego os poucos livros nos braços.Tudo isto foi meu. É meu ainda.

Carina Pereira

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Ter | 15.09.15

Blogazine #3

Carina Pereira
Tinha na ideia que havia aqui publicado o texto que eu e a Tim, do blog Devaneios Da Tim, escrevemos em conjunto para a revista online Blogazine mas, com as férias pelo meio, e a reestruturação da revista, acabei por me esquecer.Assim, aqui fica o texto, e as páginas da revista do mês de Agosto referentes ao mesmo, assim como um link para a revista completa. Espero que gostem!

Carina pereira

Blogazine

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#AindaSouDoTempo

Somos a geração que viu a tecnologia evoluir mais rapidamente. Ora vejam, estávamos nós no 2º ciclo quando o Walkman deu lugar ao Discman. No ano em que tivemos de escolher para que área queriamos ir, já os iPod’s davam o ar da sua graça. Agora vemos crianças de 12 anos com um iPhone e sem preocupações, como assim? Nós tinhamos todo um aparato de multimédia a por na mochila, e se lá coubesse tudo era milagre. Por vezes sentimo-nos uma Kimmy Schimdt neste mundo cheio de tecnologias.Em baixo reflectimos sobre o que mudou neste entretanto e, numa altura em que se debate até que ponto a tecnologia é uma mais-valia, ou um entrave às relações pessoais, apontamos o bom e o mau do antigamente, e do agora.
Tv clássica vs Tv com BoxSomos do tempo em que esperávamos pelos desenhos animados. Esperar pelo Dragon Ball ou pelas Navegantes da Lua.... Agora já ninguém espera, agora o pessoal grava ou volta atrás com um simples botão no comando. As nossas mães chegam a ter oito novelas de cada canal a encher a box e nós, nós até temos o último episódio da Anatomia de Grey por ver. Se soubéssemos o que sabemos hoje, até as nossas avós diziam “mas que bruxaria é essa?”.Bips/Telefones/Sinais de fumo vs Telemóveis – “Dá-me um toque para descer!” Dizíamos nós para ir brincar, agora até ligámos o Skype para pedir à amiga conselhos de indumentária. “Oh miga, achas que vou bem vestida?” Oh senhores, no nosso tempo, uma chamada de telemóvel custava-nos uma mesada. Agora temos todas as aplicações necessárias no telemóvel de última geração, sem gastar um cêntimo... A bateria é que já não dura 3 dias, e se durar 3 horas já é muito.Carroças vs Carros – Andar de carroça é giro, quando se está de visita à aldeia, ou se faz um passeio rural no meio da urbanização. A carroça já traz o ar condicionado no máximo e está sempre avariado. A carroça também nos proporciona uma bela e ampla paisagem de um rabo de cavalo/burro ou mula. Andar de carro é confortável, mas peca pela falta de excitação.Vinis/Cassetes/ Cd’s vs Ipod/Mp3Toca a virar a cassete e a usar o lápis para passar a música à frente, agora é carregar no botão e a música já é outra. E as pilhas que usávamos para o Discman e para o Walkman? Agora a pilha é outra.... Tínhamos bolsas para os cd’s, para as cassetes e para o próprio gadget. Agora? O telemóvel traz a música que precisamos e a quantidade é até rebentar os gigas todos.Disquetes/Cds/Pen’s/ Disco rígido Vs CloudAs disquetes devem ser daquelas coisas que não temos saudades nenhumas, pois só conseguiam guardar uma foto, e só se esta era super-hiper-mega pequena. Há mesmo quem não saiba, ainda, trabalhar com a Cloud (a Tim é um exemplo) mas quem não caça com cão, caça com gato. Todos devemos ter um disco rígido cheio de fotografias que merecem uma moldura na sala para toda a família ver, or not.Enciclopédia vs Wikipédia – Imaginemos um mundo onde, para fazermos um trabalho de casa, temos de ir à biblioteca local. Foi a nossa realidade muitas vezes, aliada a fotocópias ilegais de calhamaços que não nos permitiam levar para casa, e horas intermináveis a tentar encontrar o que realmente interessava. No entanto, para bem dos nossos males, as fontes eram fidedignas, por vezes desactualizadas, mas viáveis. A Wikipédia é um perfeito exemplo de que, quando nos juntamos para o bem, a humanidade consegue fazer coisas extraordinárias. Com uns quantos clicks lá temos tudo aquilo que precisamos; copy-paste, umas alteraçõezinhas para não parecer copiado, e lá temos nós um trabalho feito com pouco esforço. Mas, que não haja ilusões de que tudo é doce; um minuto estamos a pesquisar sobre o Arqueduque Franz Ferdinand, no minuto seguinte estamos, sem saber bem como, a pesquisar barreiras de corais, e lá se gasta assim o tempo sem o trabalho feito.Fotografia vs Formato digital – Havia na fotografia analógica todo um processo: comprava-se o rolo, tiravam-se as fotos, guardavam-se os negativos com todo o cuidado para não se queimarem, e depois lá íamos mandar revelar aquilo e ver o que nos calhava na rifa. Depois, faziam-se álbuns que, volta e meia, eram tirados da gaveta para relembrar o que já tinha ido. O formato digital permite-nos não correr o risco de um ângulo menos fotogénico, e deixa-nos guardar muitas mais recordações, – sim, porque um rolo de fotografia era caro e tinha pouca memória – mas se é certo que tiramos muitas mais fotografias, também é verdade que a maioria delas – boas e más – lá ficam guardadas num qualquer disco a ganhar pó.Máquina de escrever vs Word – Escrever à máquina é bem giro. Romântico, até. Quantas cartas de amor não foram escritas pelos dedos calejados de um amor clandestino? O batucar de cada tecla faz-nos sentir mais profissionais, mais maduros, almas antigas cheias de sabedoria e classe. De verdade, é mais bonito do que prático. Primeiro há que ter tinta, mesmo para os rascunhos. Depois, um erro que seja e lá se vai o trabalho quase imaculado para o lixo. No Word há uma quantidade de ferramentas para tornar o nosso trabalho mais simples e atractivo. Claro que, em verdade, dependemos de uma impressora, e tinta também. E, as cartas de amor, nunca ficam tão bonitas.Mapas vs Gps – Entre a voz torturante da senhora que nos diz “siga a estrada”, e ter de lutar sozinha com uns quantos papéis, acho que toda a gente se fica pelo GPS. E, quando passamos a fronteira do nosso país, é rir com a senhora a tentar pronunciar coisas e a falhar redondamente. Além do mais, se nos enganarmos no caminho, podemos sempre dizer que a culpa é dela.Livros de Papel vs Kindle – Diz Stephen Fry que os Kindles são tanto uma ameaça para os livros como os elevadores o são para as escadas, e di-lo com razão. É sabido que o papel é sinónimo de devastação de florestas, mas também é certo que não há nada melhor do que folhear um livro, cheirar as páginas, conseguir ver quantas folhas há ainda até chegarmos ao fim. Se os livros nos dão umas estantes bonitas em casa, o Kindle passeia-se na carteira sem nos ocupar muito espaço e, quando vai de férias connosco, leva toda uma biblioteca atrás. Por isso, e como livros nunca são demais, o bom é mesmo juntar o melhor dos dois mundos.Carina Pereira e Tim
[x] Por decisão das autoras este texto não se encontra escrito segundo o novo acordo ortográfico.
Ter | 15.09.15

Blogazine #3

Carina Pereira
Tinha na ideia que havia aqui publicado o texto que eu e a Tim, do blog Devaneios Da Tim, escrevemos em conjunto para a revista online Blogazine mas, com as férias pelo meio, e a reestruturação da revista, acabei por me esquecer.Assim, aqui fica o texto, e as páginas da revista do mês de Agosto referentes ao mesmo, assim como um link para a revista completa. Espero que gostem!

Carina pereira

Blogazine

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#AindaSouDoTempo

Somos a geração que viu a tecnologia evoluir mais rapidamente. Ora vejam, estávamos nós no 2º ciclo quando o Walkman deu lugar ao Discman. No ano em que tivemos de escolher para que área queriamos ir, já os iPod’s davam o ar da sua graça. Agora vemos crianças de 12 anos com um iPhone e sem preocupações, como assim? Nós tinhamos todo um aparato de multimédia a por na mochila, e se lá coubesse tudo era milagre. Por vezes sentimo-nos uma Kimmy Schimdt neste mundo cheio de tecnologias.Em baixo reflectimos sobre o que mudou neste entretanto e, numa altura em que se debate até que ponto a tecnologia é uma mais-valia, ou um entrave às relações pessoais, apontamos o bom e o mau do antigamente, e do agora.
Tv clássica vs Tv com BoxSomos do tempo em que esperávamos pelos desenhos animados. Esperar pelo Dragon Ball ou pelas Navegantes da Lua.... Agora já ninguém espera, agora o pessoal grava ou volta atrás com um simples botão no comando. As nossas mães chegam a ter oito novelas de cada canal a encher a box e nós, nós até temos o último episódio da Anatomia de Grey por ver. Se soubéssemos o que sabemos hoje, até as nossas avós diziam “mas que bruxaria é essa?”.Bips/Telefones/Sinais de fumo vs Telemóveis – “Dá-me um toque para descer!” Dizíamos nós para ir brincar, agora até ligámos o Skype para pedir à amiga conselhos de indumentária. “Oh miga, achas que vou bem vestida?” Oh senhores, no nosso tempo, uma chamada de telemóvel custava-nos uma mesada. Agora temos todas as aplicações necessárias no telemóvel de última geração, sem gastar um cêntimo... A bateria é que já não dura 3 dias, e se durar 3 horas já é muito.Carroças vs Carros – Andar de carroça é giro, quando se está de visita à aldeia, ou se faz um passeio rural no meio da urbanização. A carroça já traz o ar condicionado no máximo e está sempre avariado. A carroça também nos proporciona uma bela e ampla paisagem de um rabo de cavalo/burro ou mula. Andar de carro é confortável, mas peca pela falta de excitação.Vinis/Cassetes/ Cd’s vs Ipod/Mp3Toca a virar a cassete e a usar o lápis para passar a música à frente, agora é carregar no botão e a música já é outra. E as pilhas que usávamos para o Discman e para o Walkman? Agora a pilha é outra.... Tínhamos bolsas para os cd’s, para as cassetes e para o próprio gadget. Agora? O telemóvel traz a música que precisamos e a quantidade é até rebentar os gigas todos.Disquetes/Cds/Pen’s/ Disco rígido Vs CloudAs disquetes devem ser daquelas coisas que não temos saudades nenhumas, pois só conseguiam guardar uma foto, e só se esta era super-hiper-mega pequena. Há mesmo quem não saiba, ainda, trabalhar com a Cloud (a Tim é um exemplo) mas quem não caça com cão, caça com gato. Todos devemos ter um disco rígido cheio de fotografias que merecem uma moldura na sala para toda a família ver, or not.Enciclopédia vs Wikipédia – Imaginemos um mundo onde, para fazermos um trabalho de casa, temos de ir à biblioteca local. Foi a nossa realidade muitas vezes, aliada a fotocópias ilegais de calhamaços que não nos permitiam levar para casa, e horas intermináveis a tentar encontrar o que realmente interessava. No entanto, para bem dos nossos males, as fontes eram fidedignas, por vezes desactualizadas, mas viáveis. A Wikipédia é um perfeito exemplo de que, quando nos juntamos para o bem, a humanidade consegue fazer coisas extraordinárias. Com uns quantos clicks lá temos tudo aquilo que precisamos; copy-paste, umas alteraçõezinhas para não parecer copiado, e lá temos nós um trabalho feito com pouco esforço. Mas, que não haja ilusões de que tudo é doce; um minuto estamos a pesquisar sobre o Arqueduque Franz Ferdinand, no minuto seguinte estamos, sem saber bem como, a pesquisar barreiras de corais, e lá se gasta assim o tempo sem o trabalho feito.Fotografia vs Formato digital – Havia na fotografia analógica todo um processo: comprava-se o rolo, tiravam-se as fotos, guardavam-se os negativos com todo o cuidado para não se queimarem, e depois lá íamos mandar revelar aquilo e ver o que nos calhava na rifa. Depois, faziam-se álbuns que, volta e meia, eram tirados da gaveta para relembrar o que já tinha ido. O formato digital permite-nos não correr o risco de um ângulo menos fotogénico, e deixa-nos guardar muitas mais recordações, – sim, porque um rolo de fotografia era caro e tinha pouca memória – mas se é certo que tiramos muitas mais fotografias, também é verdade que a maioria delas – boas e más – lá ficam guardadas num qualquer disco a ganhar pó.Máquina de escrever vs Word – Escrever à máquina é bem giro. Romântico, até. Quantas cartas de amor não foram escritas pelos dedos calejados de um amor clandestino? O batucar de cada tecla faz-nos sentir mais profissionais, mais maduros, almas antigas cheias de sabedoria e classe. De verdade, é mais bonito do que prático. Primeiro há que ter tinta, mesmo para os rascunhos. Depois, um erro que seja e lá se vai o trabalho quase imaculado para o lixo. No Word há uma quantidade de ferramentas para tornar o nosso trabalho mais simples e atractivo. Claro que, em verdade, dependemos de uma impressora, e tinta também. E, as cartas de amor, nunca ficam tão bonitas.Mapas vs Gps – Entre a voz torturante da senhora que nos diz “siga a estrada”, e ter de lutar sozinha com uns quantos papéis, acho que toda a gente se fica pelo GPS. E, quando passamos a fronteira do nosso país, é rir com a senhora a tentar pronunciar coisas e a falhar redondamente. Além do mais, se nos enganarmos no caminho, podemos sempre dizer que a culpa é dela.Livros de Papel vs Kindle – Diz Stephen Fry que os Kindles são tanto uma ameaça para os livros como os elevadores o são para as escadas, e di-lo com razão. É sabido que o papel é sinónimo de devastação de florestas, mas também é certo que não há nada melhor do que folhear um livro, cheirar as páginas, conseguir ver quantas folhas há ainda até chegarmos ao fim. Se os livros nos dão umas estantes bonitas em casa, o Kindle passeia-se na carteira sem nos ocupar muito espaço e, quando vai de férias connosco, leva toda uma biblioteca atrás. Por isso, e como livros nunca são demais, o bom é mesmo juntar o melhor dos dois mundos.Carina Pereira e Tim
[x] Por decisão das autoras este texto não se encontra escrito segundo o novo acordo ortográfico.

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