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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

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Um blog com estórias dentro.

Sex | 14.08.15

Dicionário De Angolano

Carina Pereira
Adoro José Eduardo Agualusa. E nas minhas excursões pela escrita dele - e pelas páginas do facebook, que trazem sempre as suas crónicas e algumas novidades - encontrei este vídeo. Para quem gosta das peculiaridades da língua, e de conhecer as diferentes expressões que usamos para dar nome às coisas, aqui o deixo.

Carina Pereira

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=YZdSGL54f-Y[/embed]

Sex | 14.08.15

Dicionário De Angolano

Carina Pereira
Adoro José Eduardo Agualusa. E nas minhas excursões pela escrita dele - e pelas páginas do facebook, que trazem sempre as suas crónicas e algumas novidades - encontrei este vídeo. Para quem gosta das peculiaridades da língua, e de conhecer as diferentes expressões que usamos para dar nome às coisas, aqui o deixo.

Carina Pereira

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=YZdSGL54f-Y[/embed]

Sex | 14.08.15

Brincar Aos Fados

Carina Pereira
Quando eu era criança, o Fado parecia-me coisa de adultos. Como gostar de música clássica, ou de sopa. Felizmente, o Bravo Bravíssimo aconteceu e trouxe, a mim e a outros, a Lenda da Fonte e, inevitavelmente, uma ligação com o Fado. Ténue, talvez; não era a música que eu, já adolescente, procurava para ouvir, mas o gosto que ganhei em cantarolar este Fado aos dez anos nunca me permitiu dizer – nem por vergonha – que não gostava dele. Estava lá, entre os discos que eu, por opção, não ia buscar, mas nunca me levaria a mudar de estação de rádio.Descobri a paixão pelo Fado tarde, mas chegou irremediavelmente. E, se dantes, conhecia pouco mais do que Não Venhas Tarde e Nem Às Paredes Confesso, e a incomparável voz de Amália Rodrigues, hoje em dia os nomes são como as cerejas, e a CdTeca do Fado cresce a olhos vistos.O Fado, além de triste, é sorrateiro: entranha-se na alma, de mansinho, e não parte mais.Brincar Aos Fados é um projecto sonhado por Rodrigo Costa Félix e levado a bom porto por um rol de talentos; entre fadistas, compositores e músicos, temos em mão um verdadeiro tesouro.Foi criado para levar a magia do Fado aos mais jovens mas, como tantas outras infantilidades, serve para entreter qualquer público. Se tivermos sorte, e ainda mantivermos bem acesa em nós a criança que um dia fomos, este disco pode bem ser o cobertor carinhosamente apertado antes de ir dormir, a fábula misteriosa onde nos tornamos heróis. Uma história de embalar para contar aos miúdos da nossa vida, ao mesmo tempo que descobrimos os miúdos que ainda somos.Com poemas colocados exclusivamente sobre música de Fados tradicionais, a destreza de Tiago Torres da Silva para alinhavar palavras, qual hábil artesão das letras, está aqui mais uma vez provada.

DSCF8400

Das vozes, nem sei bem quem nomear como exemplo, tão grande é a mestria de quem por aqui canta mas, escolhendo os que mais gosto, começo por Camané, Ricardo Ribeiro, Mafalda Arnauth, Kátia Guerreiro e, numa deliciosa ironia, Celeste Rodrigues, interprete de um tema que é uma ode à renovação do Fado.

DSCF8401

Dos instrumentos ocupam-se – salvo algumas excepções em certas faixas - os três mosqueteiros, companheiros de aventura de Rodrigo Costa Félix que, além de mentor, também dá voz a um dos temas deste álbum: Marta Pereira da Costa desembainha a guitarra Portuguesa, Pedro Pinhal a viola do Fado e Rodrigo Serrão o contrabaixo, a par com a produção musical.

DSCF8402

As ilustrações encontradas no livreto que acompanha o disco, as mesmas que embelezam a capa do mesmo, são de Bruno Matos. Um rasgo de cor em cada página contrastante com as fotografias, de Aurélio Vasques, a preto e branco.

É um projecto feito para espalhar o amor pelo Fado, e assemelha-se a um novo amigo que sentimos conhecer desde sempre. Para oferecer aos piquenos e, com astúcia, roubá-lo de quando em vez.

Carina Pereira

DSCF8396

DSCF8397

DSCF8399

*O ábum está disponível para ouvir nos seguintes links:SpotifyYoutubeA página do facebook pode ser gostada aqui
Sex | 14.08.15

Brincar Aos Fados

Carina Pereira
Quando eu era criança, o Fado parecia-me coisa de adultos. Como gostar de música clássica, ou de sopa. Felizmente, o Bravo Bravíssimo aconteceu e trouxe, a mim e a outros, a Lenda da Fonte e, inevitavelmente, uma ligação com o Fado. Ténue, talvez; não era a música que eu, já adolescente, procurava para ouvir, mas o gosto que ganhei em cantarolar este Fado aos dez anos nunca me permitiu dizer – nem por vergonha – que não gostava dele. Estava lá, entre os discos que eu, por opção, não ia buscar, mas nunca me levaria a mudar de estação de rádio.Descobri a paixão pelo Fado tarde, mas chegou irremediavelmente. E, se dantes, conhecia pouco mais do que Não Venhas Tarde e Nem Às Paredes Confesso, e a incomparável voz de Amália Rodrigues, hoje em dia os nomes são como as cerejas, e a CdTeca do Fado cresce a olhos vistos.O Fado, além de triste, é sorrateiro: entranha-se na alma, de mansinho, e não parte mais.Brincar Aos Fados é um projecto sonhado por Rodrigo Costa Félix e levado a bom porto por um rol de talentos; entre fadistas, compositores e músicos, temos em mão um verdadeiro tesouro.Foi criado para levar a magia do Fado aos mais jovens mas, como tantas outras infantilidades, serve para entreter qualquer público. Se tivermos sorte, e ainda mantivermos bem acesa em nós a criança que um dia fomos, este disco pode bem ser o cobertor carinhosamente apertado antes de ir dormir, a fábula misteriosa onde nos tornamos heróis. Uma história de embalar para contar aos miúdos da nossa vida, ao mesmo tempo que descobrimos os miúdos que ainda somos.Com poemas colocados exclusivamente sobre música de Fados tradicionais, a destreza de Tiago Torres da Silva para alinhavar palavras, qual hábil artesão das letras, está aqui mais uma vez provada.

DSCF8400

Das vozes, nem sei bem quem nomear como exemplo, tão grande é a mestria de quem por aqui canta mas, escolhendo os que mais gosto, começo por Camané, Ricardo Ribeiro, Mafalda Arnauth, Kátia Guerreiro e, numa deliciosa ironia, Celeste Rodrigues, interprete de um tema que é uma ode à renovação do Fado.

DSCF8401

Dos instrumentos ocupam-se – salvo algumas excepções em certas faixas - os três mosqueteiros, companheiros de aventura de Rodrigo Costa Félix que, além de mentor, também dá voz a um dos temas deste álbum: Marta Pereira da Costa desembainha a guitarra Portuguesa, Pedro Pinhal a viola do Fado e Rodrigo Serrão o contrabaixo, a par com a produção musical.

DSCF8402

As ilustrações encontradas no livreto que acompanha o disco, as mesmas que embelezam a capa do mesmo, são de Bruno Matos. Um rasgo de cor em cada página contrastante com as fotografias, de Aurélio Vasques, a preto e branco.

É um projecto feito para espalhar o amor pelo Fado, e assemelha-se a um novo amigo que sentimos conhecer desde sempre. Para oferecer aos piquenos e, com astúcia, roubá-lo de quando em vez.

Carina Pereira

DSCF8396

DSCF8397

DSCF8399

*O ábum está disponível para ouvir nos seguintes links:SpotifyYoutubeA página do facebook pode ser gostada aqui
Sex | 14.08.15

Lavadeira

Carina Pereira
Eu avisei que, retornada de férias, aí vinha Fado. Depois do Relógio de Botequim, aqui fica mais uma letra. Outra vez, sem melodia, porque a minha tocadeira de viola dá para muito pouco. Novamente, na voz de um homem, sei eu lá porquê!*

De manhã quando endireito

A lapela do casaco

Imagino as mãos dela

A pousarem-me no peito

A fazerem o que eu faço


Lavadeira de olhos negros

Canta baixinho e sorri

E eu dou por mim pensando

Que seria se soubesses

O quanto eu gosto de ti


Passa sempre de mansinho

Trauteando uma canção

E enquanto ela vai passando

Eu vou olhando e sonhando,

Porque a amo sem razão


Quantas vezes fui ao rio

As minhas saudades matar

Mas ao ver-te tão bonita

Queixo erguido, mão na cinta,

Só as consigo aumentar


Quem sabe um destes dias

Quando fizer mais calor

Eu te leve roupas minhas

E, já que não adivinhas,

Te fale do nosso amor


Minha mulher lavadeira

Fitando as negras pedras

Não vês que neste chão

Mora quem tanto te adora

E que importa, essa agora,

Que eu te ame sem razão

*

Carina Pereira

Sex | 14.08.15

Lavadeira

Carina Pereira
Eu avisei que, retornada de férias, aí vinha Fado. Depois do Relógio de Botequim, aqui fica mais uma letra. Outra vez, sem melodia, porque a minha tocadeira de viola dá para muito pouco. Novamente, na voz de um homem, sei eu lá porquê!*

De manhã quando endireito

A lapela do casaco

Imagino as mãos dela

A pousarem-me no peito

A fazerem o que eu faço


Lavadeira de olhos negros

Canta baixinho e sorri

E eu dou por mim pensando

Que seria se soubesses

O quanto eu gosto de ti


Passa sempre de mansinho

Trauteando uma canção

E enquanto ela vai passando

Eu vou olhando e sonhando,

Porque a amo sem razão


Quantas vezes fui ao rio

As minhas saudades matar

Mas ao ver-te tão bonita

Queixo erguido, mão na cinta,

Só as consigo aumentar


Quem sabe um destes dias

Quando fizer mais calor

Eu te leve roupas minhas

E, já que não adivinhas,

Te fale do nosso amor


Minha mulher lavadeira

Fitando as negras pedras

Não vês que neste chão

Mora quem tanto te adora

E que importa, essa agora,

Que eu te ame sem razão

*

Carina Pereira