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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Sab | 25.07.15

Ora Vamos Lá Ser Felizes!

Carina Pereira
Fériazinhas! Chegou agora a minha vez! Amanhã lá vou eu para o aeroporto de Maastricht e depois só assento pés na Bélgica de novo no dia 12 de Agosto. Até lá, Portugal que me ature!Não vou ter ligação à internet durante estas três semanas, o que significa que vou deixar a blogosfera por um bocadinho... mas regresso! E, se tudo correr bem, com mais textos, mais poemas, novas histórias, fotografias, e mais Fado! Conto também com as vossas publicações para me animarem a chegada. :DEm jeito de vou ali e já volto, deixo-vos um video de uma das minhas músicas predilectas do novo álbum de Fado do Marco Rodrigues.E até já, Portugal!

Carina Pereira

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=oS-lfst1dvM[/embed]

Sab | 25.07.15

Ora Vamos Lá Ser Felizes!

Carina Pereira
Fériazinhas! Chegou agora a minha vez! Amanhã lá vou eu para o aeroporto de Maastricht e depois só assento pés na Bélgica de novo no dia 12 de Agosto. Até lá, Portugal que me ature!Não vou ter ligação à internet durante estas três semanas, o que significa que vou deixar a blogosfera por um bocadinho... mas regresso! E, se tudo correr bem, com mais textos, mais poemas, novas histórias, fotografias, e mais Fado! Conto também com as vossas publicações para me animarem a chegada. :DEm jeito de vou ali e já volto, deixo-vos um video de uma das minhas músicas predilectas do novo álbum de Fado do Marco Rodrigues.E até já, Portugal!

Carina Pereira

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=oS-lfst1dvM[/embed]

Qui | 23.07.15

Pede-Se A Colaboração De Todos Os Bloguers!

Carina Pereira
Depois de dar de caras com este artigo, acerca da publicação de um dicionário de PORTOguês- Inglês, onde várias expressões típicas do Porto estão traduzidas e compiladas, lembrei-me de me virar para a blogosfera e fazer algo engraçado.Eu adoro expressões e maneiras caricatas de dizer as coisas. Assim, queria pedir a todos os que me seguem - porque sei que nem todos são nortenhos e, mesmo que o sejam, devem haver expressões que ninguém fora do vosso círculo conhece - que me enviassem expressões e dialectos que conheçam. Com isso farei um mega-post com estas peculiaridades da língua. E este não seria feito apenas de Portugueses! Galera do Brasil, venham de lá as vossas formas de expressão. :DQuem estiver interessado em enviar as suas expressões - juntamente com a identificação/identificação do blog, e o local de onde a expressão é proveniente, para eu poder incluir no post final - pode fazê-lo para o e-mail do Contador D'Estórias:contadordestoriasblog@gmail.comQuando eu regressar de férias - depois de 12 de Agosto - pretendo fazer uma publicação. Não se esqueçam de explicar também o que as expressões significam, mesmo que pareçam óbvias. Vamos todos aprender uns com os outros!Conto convosco!

Carina Pereira

Qui | 23.07.15

Pede-Se A Colaboração De Todos Os Bloguers!

Carina Pereira
Depois de dar de caras com este artigo, acerca da publicação de um dicionário de PORTOguês- Inglês, onde várias expressões típicas do Porto estão traduzidas e compiladas, lembrei-me de me virar para a blogosfera e fazer algo engraçado.Eu adoro expressões e maneiras caricatas de dizer as coisas. Assim, queria pedir a todos os que me seguem - porque sei que nem todos são nortenhos e, mesmo que o sejam, devem haver expressões que ninguém fora do vosso círculo conhece - que me enviassem expressões e dialectos que conheçam. Com isso farei um mega-post com estas peculiaridades da língua. E este não seria feito apenas de Portugueses! Galera do Brasil, venham de lá as vossas formas de expressão. :DQuem estiver interessado em enviar as suas expressões - juntamente com a identificação/identificação do blog, e o local de onde a expressão é proveniente, para eu poder incluir no post final - pode fazê-lo para o e-mail do Contador D'Estórias:contadordestoriasblog@gmail.comQuando eu regressar de férias - depois de 12 de Agosto - pretendo fazer uma publicação. Não se esqueçam de explicar também o que as expressões significam, mesmo que pareçam óbvias. Vamos todos aprender uns com os outros!Conto convosco!

Carina Pereira

Ter | 21.07.15

Trupes Do Ginásio Que Frequento

Carina Pereira
(Sem qualquer intenção de ferir susceptibilidades. A não ser a quem usa as máquinas como zona de descanso. A sério, saiam daí. Há pessoal a querer usá-las que não tem coragem de pedir.)* Pessoal sentado nas máquinas a verem outros fazer desporto;* Pessoal sentado nas máquinas ao telemóvel, sem fazer desporto;* Pessoal que deixa os seus pertences (toalhas, água) nas máquinas quando já não está ali a fazer desporto;* Pessoal sentado nas máquinas, na conversa, sem fazer desporto;* Rapazes que se encharcam em perfume no fim do treino, antes de tomar banho;* Tablets no cardio (é uma boa ideia, não uso também porque não tenho, provavelmente);* Um tipo de flip-flops.* Flip-flops. Flip-flops.Dica Extra: se querem que a vossa manhã - ou tarde - renda, vão ao ginásio! Uma hora parecem cinco! De nada!
Ter | 21.07.15

Trupes Do Ginásio Que Frequento

Carina Pereira
(Sem qualquer intenção de ferir susceptibilidades. A não ser a quem usa as máquinas como zona de descanso. A sério, saiam daí. Há pessoal a querer usá-las que não tem coragem de pedir.)* Pessoal sentado nas máquinas a verem outros fazer desporto;* Pessoal sentado nas máquinas ao telemóvel, sem fazer desporto;* Pessoal que deixa os seus pertences (toalhas, água) nas máquinas quando já não está ali a fazer desporto;* Pessoal sentado nas máquinas, na conversa, sem fazer desporto;* Rapazes que se encharcam em perfume no fim do treino, antes de tomar banho;* Tablets no cardio (é uma boa ideia, não uso também porque não tenho, provavelmente);* Um tipo de flip-flops.* Flip-flops. Flip-flops.Dica Extra: se querem que a vossa manhã - ou tarde - renda, vão ao ginásio! Uma hora parecem cinco! De nada!
Dom | 19.07.15

Nas Linhas Em Que Me Escrevo #8

Carina Pereira
O terminar de uma era, seja ela qual for, traz consigo sempre a melancolia, e a saudade que ainda se vai fazer sentir.Desde a escola primária, até ao 9o ano, que vários colegas me acompanharam. A maior parte da turma, ano após ano, manteve-se e, se havia a principio uma separação comum entre rapazes e raparigas, no último ano que partilhamos tornámo-nos mais próximos. Como se o anunciar da despedida nos fizesse dar valor ao que estávamos prestes a perder.Neste livro de dedicatórias ficaram as palavras e as assinaturas daqueles com quem dividia carteiras e salas diariamente, durante nove anos da minha vida. Mais tarde também deixaram aqui o seu cunho outros colegas de trabalho e amigos. Falo ainda com alguns. É, de todos, o caderno mais importante desta gaveta.As vidas foram mudando, nós fomo-nos afastando, mas as palavras ainda estão lá, para a posteridade.

Carina Pereira

DSCF7965

DSCF7966

DSCF7967

Dom | 19.07.15

Nas Linhas Em Que Me Escrevo #8

Carina Pereira
O terminar de uma era, seja ela qual for, traz consigo sempre a melancolia, e a saudade que ainda se vai fazer sentir.Desde a escola primária, até ao 9o ano, que vários colegas me acompanharam. A maior parte da turma, ano após ano, manteve-se e, se havia a principio uma separação comum entre rapazes e raparigas, no último ano que partilhamos tornámo-nos mais próximos. Como se o anunciar da despedida nos fizesse dar valor ao que estávamos prestes a perder.Neste livro de dedicatórias ficaram as palavras e as assinaturas daqueles com quem dividia carteiras e salas diariamente, durante nove anos da minha vida. Mais tarde também deixaram aqui o seu cunho outros colegas de trabalho e amigos. Falo ainda com alguns. É, de todos, o caderno mais importante desta gaveta.As vidas foram mudando, nós fomo-nos afastando, mas as palavras ainda estão lá, para a posteridade.

Carina Pereira

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DSCF7966

DSCF7967

Dom | 19.07.15

Se Não Posso Ter Mais Nada

Carina Pereira
Já há muito que não trazia aqui uma letra... Por isso, e em tema claro de Fado, aqui fica uma. Desta vez não há melodia a acompanhar, só o poema.E sim, é do ponto de vista de um homem, porque às vezes sai assim. :D*

Pedes que não te esqueça

Que te guarde no meu peito

Enquanto insistes em partir

Como se, sem teu pedido

Eu pudesse, por direito

Escolher não te seguir


Manténs-me as amarras presas

E na tua tempestade

Sou assim barco à deriva

Mas prefiro, por fraqueza,

Morrer da tua maldade

A ter bonança, sem ter vida


Não te podes dar inteira,

Mas nas horas que me roubas,

Fazes promessas sem fim

Eu nelas não acredito,

Mas tentando me enganar

Faço de conta que sim


Se não posso ter mais nada

Senão mentiras contadas

Aceito o que me deres

Que pior do que a mentira

É a vida que me tiras

Na verdade em que me feres


Se não posso ter mais nada

A não ser recordações

Aceito o que me queres dar

Que pior que te perder

É ter também de viver

Sem te poder recordar

*

Carina Pereira

Dom | 19.07.15

Se Não Posso Ter Mais Nada

Carina Pereira
Já há muito que não trazia aqui uma letra... Por isso, e em tema claro de Fado, aqui fica uma. Desta vez não há melodia a acompanhar, só o poema.E sim, é do ponto de vista de um homem, porque às vezes sai assim. :D*

Pedes que não te esqueça

Que te guarde no meu peito

Enquanto insistes em partir

Como se, sem teu pedido

Eu pudesse, por direito

Escolher não te seguir


Manténs-me as amarras presas

E na tua tempestade

Sou assim barco à deriva

Mas prefiro, por fraqueza,

Morrer da tua maldade

A ter bonança, sem ter vida


Não te podes dar inteira,

Mas nas horas que me roubas,

Fazes promessas sem fim

Eu nelas não acredito,

Mas tentando me enganar

Faço de conta que sim


Se não posso ter mais nada

Senão mentiras contadas

Aceito o que me deres

Que pior do que a mentira

É a vida que me tiras

Na verdade em que me feres


Se não posso ter mais nada

A não ser recordações

Aceito o que me queres dar

Que pior que te perder

É ter também de viver

Sem te poder recordar

*

Carina Pereira

Sex | 17.07.15

Fados do Fado de Marco Rodrigues

Carina Pereira
O dia 10 de Julho deste ano marcou uma nova norma ditada pela Federação Internacional da Indústria Discográfica, a partir da qual as novidades musicais passam a sair às sexta-feiras. Nesse âmbito, o mais recente álbum de Marco Rodrigues, Fados do Fado, foi editado pela Universal neste dia, o primeiro de muitas sextas-feiras recheadas de novidades.Nascido em Amarante, Marco Rodrigues mudou-se para Lisboa aos 15 anos, e se já antes tinha arrebatado um honroso segundo lugar na Grande Noite do Fado do Porto, foi ao ganhar o primeiro lugar na Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1999, que o Fado encontrou permanentemente um lugar na sua vida. Percorrendo casas de Fado, participando em tertúlias, caminhando na soberba envolvência desta herança tão nossa, o fadista arrematou este nome para si próprio, e com direito.A Casa de Fado Café Luso foi a primeira morada da sua voz, e enquanto é presença assídua nos festivais de Fado - actuou no primeiro Caixa Ribeira este ano, e estará a 18 de Setembro em mais uma edição do Caixa Alfama - e em outros palcos do país e do estrangeiro, é na Adega Machado que o podemos ouvir todas as noites, de viola na mão e Fado na postura.Não será o seu nome, por ventura, tão conhecido como Camané, ou António Zambujo, mas é apenas por desatenção de quem ouve Fado ocasionalmente, porque o talento equipara-se, sem deixar lugar para dúvidas. Voz pujante, certa. Tom afinado, um controlo de voz fabuloso, e choradinhos deliciosos, são as principais marcas da sua interpretação. O talento natural - a voz bonita - ajuda, claro. Mas o Fado faz-se de muito mais do que isso.Fados do Fado é o quarto álbum do fadista, e uma afirmação da sua versatilidade e talento. Se até aqui nos tinha brindado com originais, - na sua maioria, porque os fados tradicionais fazem também a sua vénia em cada um dos álbuns anteriores - Marco Rodrigues achou que era altura de criar uma homenagem. Uma homenagem aos homens do Fado, tantas vezes esquecidos e subestimados, tantas vezes colocados aquém dos holofotes, para dar lugar a uma crença tão comum quanto errada de que o Fado é um universo exclusivamente feminino. Amália criou um legado muito forte, uma voz como ainda não se tornou a ouvir, e é por isso difícil esbater esta noção, provar que a história do fado também se fez de homens.Neste disco entram nomes tão importantes para o Fado como Max, Tony de Matos e Tristão da Silva, havendo ainda lugar a referências mais recentes: Camané, Carlos do Carmo e Jorge Fernando. Compositores, poetas, interpretes.Pode-se questionar a necessidade de gravar temas que já foram ouvidos e interpretados sobejamente, mas os argumentos que Marco Rodrigues nos apresenta são válidos: há canções a serem esquecidas, nomes que é preciso trazer de novo ao lugar de destaque a que pertencem. E, se estas razões não fossem já convincentes, basta ouvir os mesmos fados cantados por pessoas diferentes para entender que estes vivem do cunho pessoal que cada artista lhes dá.Neste caso, é uma lufada de ar fresco, por duas razões: há a melhoria na qualidade da gravação que, não raramente, torna os temas mais prazerosos de se ouvir, e há a inegável beleza do timbre do fadista que, correndo sobre estes temas, os torna superlativos. Que venham todos os fados já com dono, todas as cantigas já anteriormente gravadas, há sempre vontade de as ouvir mais uma vez na voz de Marco Rodrigues.Neste disco ganham nova vida temas tão conhecidos como A Rosinha dos Limões,- que foi o single de apresentação deste trabalho - Nem Às Paredes Confesso, e Bairro Alto, e outros tão esquecidos como É Só Por Causa Dela, Guitarra, Guitarra e Noite. De realçar também Trigueirinha, composição de Jorge Fernando, que Marco recorda escutar na voz de quem lhe entregou o prémio da Grande Noite de Fado de Lisboa: Fernando Maurício, o pai do Fado Castiço.

DSCF8161

Mas existem excepções neste disco; gravado anteriormente por Marco Rodrigues, parte do seu primeiro álbum, - Fados da Tristeza Alegre - e cantado originalmente por Amália Rodrigues, revisitamos Acho Inúteis As Palavras e, a termo de comparação, surpreendem as nuances que o alteram em relação a esse primeiro disco, e o facto de o mesmo, repetido, ser ainda assim um trunfo para o álbum. Rosa Lobato Faria também se infiltra aqui, mais uma excepção que confirma a regra, e dá a sua poesia ao tema É Só Por Causa Dela, uma declaração de amor a Lisboa.

DSCF8162

Há músicas pesadas e tristes, há fados mais corriqueiros e de bater o pé, e há letras que contrariam a batida da melodia. O Fado é assim: histórias do povo, intenções escondidas, músicas de amor e desamor, com um final mais ou menos feliz. Os meus favoritos, sem ordem certa, são Arraial, Ai Se Os Meus Olhos Falassem, e Trigueirinha.A produção musical do álbum esteve a cargo de Diogo Clemente, que foi quase um mestre dos sete instrumentos, tendo-se ocupado também da viola de Fado, da guitarra acústica e do baixo, acompanhado na guitarra Portuguesa por Ângelo Freire e, num tema cada um, Guilherme Banza e Luís Guerreiro, nomes bem conhecidos nestas andanças.Vale a pena ouvir tudo isto na voz de Marco Rodrigues; perder o tempo entre trémolos, na renovação do antigo, na descoberta do que ainda não conhecíamos, e chegar à conclusão que o único senão deste disco são as meras onze faixas, imensas no seu valor interpretativo, mas que parecem sempre pouco por isso mesmo.Fados do Fado é um disco feito de homens, mas que merece um lugar num cantinho do coração de toda a gente.

Carina Pereira

DSCF8159

DSCF8163

DSCF8160

*Podem ouvir o álbum na sua totalidade no Spotify e no Youtube

Sex | 17.07.15

Fados do Fado de Marco Rodrigues

Carina Pereira
O dia 10 de Julho deste ano marcou uma nova norma ditada pela Federação Internacional da Indústria Discográfica, a partir da qual as novidades musicais passam a sair às sexta-feiras. Nesse âmbito, o mais recente álbum de Marco Rodrigues, Fados do Fado, foi editado pela Universal neste dia, o primeiro de muitas sextas-feiras recheadas de novidades.Nascido em Amarante, Marco Rodrigues mudou-se para Lisboa aos 15 anos, e se já antes tinha arrebatado um honroso segundo lugar na Grande Noite do Fado do Porto, foi ao ganhar o primeiro lugar na Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1999, que o Fado encontrou permanentemente um lugar na sua vida. Percorrendo casas de Fado, participando em tertúlias, caminhando na soberba envolvência desta herança tão nossa, o fadista arrematou este nome para si próprio, e com direito.A Casa de Fado Café Luso foi a primeira morada da sua voz, e enquanto é presença assídua nos festivais de Fado - actuou no primeiro Caixa Ribeira este ano, e estará a 18 de Setembro em mais uma edição do Caixa Alfama - e em outros palcos do país e do estrangeiro, é na Adega Machado que o podemos ouvir todas as noites, de viola na mão e Fado na postura.Não será o seu nome, por ventura, tão conhecido como Camané, ou António Zambujo, mas é apenas por desatenção de quem ouve Fado ocasionalmente, porque o talento equipara-se, sem deixar lugar para dúvidas. Voz pujante, certa. Tom afinado, um controlo de voz fabuloso, e choradinhos deliciosos, são as principais marcas da sua interpretação. O talento natural - a voz bonita - ajuda, claro. Mas o Fado faz-se de muito mais do que isso.Fados do Fado é o quarto álbum do fadista, e uma afirmação da sua versatilidade e talento. Se até aqui nos tinha brindado com originais, - na sua maioria, porque os fados tradicionais fazem também a sua vénia em cada um dos álbuns anteriores - Marco Rodrigues achou que era altura de criar uma homenagem. Uma homenagem aos homens do Fado, tantas vezes esquecidos e subestimados, tantas vezes colocados aquém dos holofotes, para dar lugar a uma crença tão comum quanto errada de que o Fado é um universo exclusivamente feminino. Amália criou um legado muito forte, uma voz como ainda não se tornou a ouvir, e é por isso difícil esbater esta noção, provar que a história do fado também se fez de homens.Neste disco entram nomes tão importantes para o Fado como Max, Tony de Matos e Tristão da Silva, havendo ainda lugar a referências mais recentes: Camané, Carlos do Carmo e Jorge Fernando. Compositores, poetas, interpretes.Pode-se questionar a necessidade de gravar temas que já foram ouvidos e interpretados sobejamente, mas os argumentos que Marco Rodrigues nos apresenta são válidos: há canções a serem esquecidas, nomes que é preciso trazer de novo ao lugar de destaque a que pertencem. E, se estas razões não fossem já convincentes, basta ouvir os mesmos fados cantados por pessoas diferentes para entender que estes vivem do cunho pessoal que cada artista lhes dá.Neste caso, é uma lufada de ar fresco, por duas razões: há a melhoria na qualidade da gravação que, não raramente, torna os temas mais prazerosos de se ouvir, e há a inegável beleza do timbre do fadista que, correndo sobre estes temas, os torna superlativos. Que venham todos os fados já com dono, todas as cantigas já anteriormente gravadas, há sempre vontade de as ouvir mais uma vez na voz de Marco Rodrigues.Neste disco ganham nova vida temas tão conhecidos como A Rosinha dos Limões,- que foi o single de apresentação deste trabalho - Nem Às Paredes Confesso, e Bairro Alto, e outros tão esquecidos como É Só Por Causa Dela, Guitarra, Guitarra e Noite. De realçar também Trigueirinha, composição de Jorge Fernando, que Marco recorda escutar na voz de quem lhe entregou o prémio da Grande Noite de Fado de Lisboa: Fernando Maurício, o pai do Fado Castiço.

DSCF8161

Mas existem excepções neste disco; gravado anteriormente por Marco Rodrigues, parte do seu primeiro álbum, - Fados da Tristeza Alegre - e cantado originalmente por Amália Rodrigues, revisitamos Acho Inúteis As Palavras e, a termo de comparação, surpreendem as nuances que o alteram em relação a esse primeiro disco, e o facto de o mesmo, repetido, ser ainda assim um trunfo para o álbum. Rosa Lobato Faria também se infiltra aqui, mais uma excepção que confirma a regra, e dá a sua poesia ao tema É Só Por Causa Dela, uma declaração de amor a Lisboa.

DSCF8162

Há músicas pesadas e tristes, há fados mais corriqueiros e de bater o pé, e há letras que contrariam a batida da melodia. O Fado é assim: histórias do povo, intenções escondidas, músicas de amor e desamor, com um final mais ou menos feliz. Os meus favoritos, sem ordem certa, são Arraial, Ai Se Os Meus Olhos Falassem, e Trigueirinha.A produção musical do álbum esteve a cargo de Diogo Clemente, que foi quase um mestre dos sete instrumentos, tendo-se ocupado também da viola de Fado, da guitarra acústica e do baixo, acompanhado na guitarra Portuguesa por Ângelo Freire e, num tema cada um, Guilherme Banza e Luís Guerreiro, nomes bem conhecidos nestas andanças.Vale a pena ouvir tudo isto na voz de Marco Rodrigues; perder o tempo entre trémolos, na renovação do antigo, na descoberta do que ainda não conhecíamos, e chegar à conclusão que o único senão deste disco são as meras onze faixas, imensas no seu valor interpretativo, mas que parecem sempre pouco por isso mesmo.Fados do Fado é um disco feito de homens, mas que merece um lugar num cantinho do coração de toda a gente.

Carina Pereira

DSCF8159

DSCF8163

DSCF8160

*Podem ouvir o álbum na sua totalidade no Spotify e no Youtube

Sex | 17.07.15

Fados Do Fado de Marco Rodrigues

Carina Pereira
O dia 10 de Julho deste ano marcou uma nova norma ditada pela Federação Internacional da Indústria Discográfica, a partir da qual as novidades musicais passam a sair às sexta-feiras.Nesse âmbito, o mais recente álbum de Marco Rodrigues, Fados do Fado, foi editado pela Universal neste mesmo dia, o primeiro de muitas sextas-feiras recheadas de novidades.Nascido em Amarante, Marco Rodrigues mudou-se para Lisboa aos 15 anos, e se já antes tinha arrebatado um honroso segundo lugar na Grande Noite do Fado do Porto, foi ao ganhar o primeiro lugar na Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1999, que o Fado encontrou permanentemente um lugar na sua vida. Percorrendo casas de Fado, participando em tertúlias, caminhando na soberba envolvência desta herança tão nossa, o fadista arrematou este nome para si próprio, e com direito.A Casa de Fado Café Luso foi a primeira morada da sua voz, e enquanto é presença assídua nos festivais de Fado - actuou no primeiro Caixa Ribeira este ano, e estará a 18 de Setembro em mais uma edição do Caixa Alfama - e em outros palcos do país e do estrangeiro, é na Adega Machado que o podemos ouvir todas as noites, de viola na mão e Fado na postura.Não será o seu nome, por ventura, tão conhecido como Camané, ou António Zambujo, mas será apenas por desatenção de quem ouve Fado ocasionalmente, porque o talento equipara-se, sem deixar lugar para dúvidas. Voz pujante, certa. Tom afinado, um controlo de voz fabuloso, e choradinhos deliciosos, são as principais marcas da sua interpretação. O talento natural - a voz bonita - ajuda, claro. Mas o Fado faz-se de muito mais do que isso.Fados do Fado é o quarto álbum do fadista, e uma afirmação da sua versatilidade e talento. Se até aqui nos tinha brindado com originais - nas sua maioria, porque os fados tradicionais fazem também a sua vénia em cada um dos álbuns anteriores - Marco Rodrigues achou que era altura de fazer uma homenagem. Uma homenagem aos homens do Fado, tantas vezes esquecidos e subestimados, tantas vezes colocados áquem dos holofotes, para dar lugar a uma crença tão comum quanto errada de que o Fado é um universo feminino. Amália criou um legado muito forte, uma voz como ainda não se tornou a ouvir, e por isso é difícil esbater a ideia de que a história do fado também se fez de homens.Neste disco entram nomes tão importantes para este legado como Max, Tony de Matos e Tristão da Silva, havendo ainda lugar a referências mais recentes: Camané, Carlos do Carmo e Jorge Fernando. Compositores, poetas, interpretes.Pode-se questionar a necessidade de gravar músicas que já foram ouvidas e interpretadas sobejamente, mas os argumentos que Marco Rodrigues nos apresenta são válidos: há canções a serem esquecidas, nomes que é preciso trazer de novo ao lugar de destaque a que pertencem. E, se estas razões não fossem já convincentes, basta ouvir os mesmos fados cantados por pessoas diferentes para saber que eles vivem do cunho pessoal que cada artista lhes dá. Neste caso, é uma lufada de ar fresco, por duas razões: há a melhoria na qualidade da gravação, que muitas vezes torna os temas mais prazeirosos de se ouvir, e há a inegável beleza da voz do fadista que, correndo sobre estes temas, nos dá sempre vontade de ouvir mais.Há temas tão conhecidos como A Rosinha dos Limões,- que foi o single de apresentação deste trabalho - Nem às Paredes Confesso, e Bairro Alto, e outros tão esquecidos como É Só Por Causa Dela, Guitarra, Guitarra e Noite. De realçar também Trigueirinha, composição de Jorge Fernando que Marco recorda na voz de quem lhe entregou o prémio da Grande Noite de Fado de Lisboa: Fernando Maurício, o pai do Fado Castiço.Mas existem excepções neste disco; gravado anteriormente por Marco Rodrigues no seu primeiro álbum, - Fados da Tristeza Alegre - e cantado originalmente por Amália Rodrigues, revisitamos Acho Inúteis As Palavras e, a termo de compração, surpreendemo-nos com as nuances alteradas desde esse primeiro disco, com o facto de o tema, repetido, ser ainda assim uma oferenda para o álbum. Rosa Lobato Faria também se infiltra aqui, mais uma excepção que prova a regra, e deu a sua poesia ao tema É Só Por Causa Dela, uma declaração de amor a Lisboa.Há músicas pesadas e tristes, há fados mais corriqueiros e de bater o pé, e há letras que contrariam a batida da melodia. O Fado é assim, histórias do povo, intenções escondidas, músicas de amor e desamor, com um final mais ou menos feliz.A produção musical esteve a cargo de Diogo Clemente, que foi quase um mestre dos sete instrumentos, tendo-se ocupado também da viola de Fado, da guitarra acústica e do baixo, acompanhado na guitarra Portuguesa por Ângelo Freire e, num tema cada um, Guilherme Banza e Luís Guerreiro, nomes bem conhecidos nestas andanças.Vale a pena ouvir tudo isto na voz de Marco Rodrigues; perder o tempo entre trémolos, na renovação do antigo, na descoberta do que ainda não conhecíamos, e chegar à conclusão que o único senão deste disco são as meras onze faixas, imensas já no seu valor interpretativo, mas que parecem sempre pouco por isso mesmo.Fados do Fado é um disco feito de homens, que merece um lugar em toda a gente.

Carina Pereira

Sex | 17.07.15

Fados Do Fado de Marco Rodrigues

Carina Pereira
O dia 10 de Julho deste ano marcou uma nova norma ditada pela Federação Internacional da Indústria Discográfica, a partir da qual as novidades musicais passam a sair às sexta-feiras.Nesse âmbito, o mais recente álbum de Marco Rodrigues, Fados do Fado, foi editado pela Universal neste mesmo dia, o primeiro de muitas sextas-feiras recheadas de novidades.Nascido em Amarante, Marco Rodrigues mudou-se para Lisboa aos 15 anos, e se já antes tinha arrebatado um honroso segundo lugar na Grande Noite do Fado do Porto, foi ao ganhar o primeiro lugar na Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1999, que o Fado encontrou permanentemente um lugar na sua vida. Percorrendo casas de Fado, participando em tertúlias, caminhando na soberba envolvência desta herança tão nossa, o fadista arrematou este nome para si próprio, e com direito.A Casa de Fado Café Luso foi a primeira morada da sua voz, e enquanto é presença assídua nos festivais de Fado - actuou no primeiro Caixa Ribeira este ano, e estará a 18 de Setembro em mais uma edição do Caixa Alfama - e em outros palcos do país e do estrangeiro, é na Adega Machado que o podemos ouvir todas as noites, de viola na mão e Fado na postura.Não será o seu nome, por ventura, tão conhecido como Camané, ou António Zambujo, mas será apenas por desatenção de quem ouve Fado ocasionalmente, porque o talento equipara-se, sem deixar lugar para dúvidas. Voz pujante, certa. Tom afinado, um controlo de voz fabuloso, e choradinhos deliciosos, são as principais marcas da sua interpretação. O talento natural - a voz bonita - ajuda, claro. Mas o Fado faz-se de muito mais do que isso.Fados do Fado é o quarto álbum do fadista, e uma afirmação da sua versatilidade e talento. Se até aqui nos tinha brindado com originais - nas sua maioria, porque os fados tradicionais fazem também a sua vénia em cada um dos álbuns anteriores - Marco Rodrigues achou que era altura de fazer uma homenagem. Uma homenagem aos homens do Fado, tantas vezes esquecidos e subestimados, tantas vezes colocados áquem dos holofotes, para dar lugar a uma crença tão comum quanto errada de que o Fado é um universo feminino. Amália criou um legado muito forte, uma voz como ainda não se tornou a ouvir, e por isso é difícil esbater a ideia de que a história do fado também se fez de homens.Neste disco entram nomes tão importantes para este legado como Max, Tony de Matos e Tristão da Silva, havendo ainda lugar a referências mais recentes: Camané, Carlos do Carmo e Jorge Fernando. Compositores, poetas, interpretes.Pode-se questionar a necessidade de gravar músicas que já foram ouvidas e interpretadas sobejamente, mas os argumentos que Marco Rodrigues nos apresenta são válidos: há canções a serem esquecidas, nomes que é preciso trazer de novo ao lugar de destaque a que pertencem. E, se estas razões não fossem já convincentes, basta ouvir os mesmos fados cantados por pessoas diferentes para saber que eles vivem do cunho pessoal que cada artista lhes dá. Neste caso, é uma lufada de ar fresco, por duas razões: há a melhoria na qualidade da gravação, que muitas vezes torna os temas mais prazeirosos de se ouvir, e há a inegável beleza da voz do fadista que, correndo sobre estes temas, nos dá sempre vontade de ouvir mais.Há temas tão conhecidos como A Rosinha dos Limões,- que foi o single de apresentação deste trabalho - Nem às Paredes Confesso, e Bairro Alto, e outros tão esquecidos como É Só Por Causa Dela, Guitarra, Guitarra e Noite. De realçar também Trigueirinha, composição de Jorge Fernando que Marco recorda na voz de quem lhe entregou o prémio da Grande Noite de Fado de Lisboa: Fernando Maurício, o pai do Fado Castiço.Mas existem excepções neste disco; gravado anteriormente por Marco Rodrigues no seu primeiro álbum, - Fados da Tristeza Alegre - e cantado originalmente por Amália Rodrigues, revisitamos Acho Inúteis As Palavras e, a termo de compração, surpreendemo-nos com as nuances alteradas desde esse primeiro disco, com o facto de o tema, repetido, ser ainda assim uma oferenda para o álbum. Rosa Lobato Faria também se infiltra aqui, mais uma excepção que prova a regra, e deu a sua poesia ao tema É Só Por Causa Dela, uma declaração de amor a Lisboa.Há músicas pesadas e tristes, há fados mais corriqueiros e de bater o pé, e há letras que contrariam a batida da melodia. O Fado é assim, histórias do povo, intenções escondidas, músicas de amor e desamor, com um final mais ou menos feliz.A produção musical esteve a cargo de Diogo Clemente, que foi quase um mestre dos sete instrumentos, tendo-se ocupado também da viola de Fado, da guitarra acústica e do baixo, acompanhado na guitarra Portuguesa por Ângelo Freire e, num tema cada um, Guilherme Banza e Luís Guerreiro, nomes bem conhecidos nestas andanças.Vale a pena ouvir tudo isto na voz de Marco Rodrigues; perder o tempo entre trémolos, na renovação do antigo, na descoberta do que ainda não conhecíamos, e chegar à conclusão que o único senão deste disco são as meras onze faixas, imensas já no seu valor interpretativo, mas que parecem sempre pouco por isso mesmo.Fados do Fado é um disco feito de homens, que merece um lugar em toda a gente.

Carina Pereira

Dom | 12.07.15

Ser Aquele

Carina Pereira
Toda a gente sabe que eu adoro Camané. Às voltinhas no youtube dei com este vídeo, uma interpretação sublime do tema Ser Aquele, do filme The Portuguese Nun.A tristeza que Camané transmite, não tanto a que vislumbramos na sua expressão, mas quando, de olhos fechados, nos deixamos embalar pela sua voz, é de sentir lá bem no fundo. Eu, que nem estou triste, até parece que estou.Ignorem a tradução perdida, que deixa a letra e o seu significado bem aquém, e ouçam.

Carina Pereira

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Dom | 12.07.15

Ser Aquele

Carina Pereira
Toda a gente sabe que eu adoro Camané. Às voltinhas no youtube dei com este vídeo, uma interpretação sublime do tema Ser Aquele, do filme The Portuguese Nun.A tristeza que Camané transmite, não tanto a que vislumbramos na sua expressão, mas quando, de olhos fechados, nos deixamos embalar pela sua voz, é de sentir lá bem no fundo. Eu, que nem estou triste, até parece que estou.Ignorem a tradução perdida, que deixa a letra e o seu significado bem aquém, e ouçam.

Carina Pereira

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