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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Dom | 31.05.15

Nas Linhas Em Que Me Escrevo #2

Carina Pereira
O segundo caderno desta rubrica dominical - já estou a falar como o padre da minha aldeia! - foi comprado há muitos anos e mantém a sua intenção original. Ainda o uso, embora não com a mesma frequência. Quando somos adolescentes temos tempo e pachorra para muitas coisas. Hoje em dia quase me esqueço dele, mesmo quando a oportunidade de o usar se apresenta.E qual é a sua função, perguntais vós? Este caderno foi quase uma idea roubada de um filme, baseado num livro de Nicholas Sparks. No filme, Um Momento Inesquecível, uma das personagens principais, Jamie, guarda um livro que pertencera à sua mãe, onde ela apontava as suas frases favoritas, e é isso mesmo que eu faço com este caderno. Quando vejo um poema que gosto muito, ou uma frase de um livro que me toca, eu pego no caderninho e lá a aponto. Às vezes vou revê-las, e volto sempre a sorrir.A primeira entrada é o meu poema favorito, de David Mourão-Ferreira. Partilho-o aqui.

Carina Pereira

*

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,que é feito de ternura amarrotada,da frescura que vem depois do sol,quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!Há restos de ternura pelo meio,como vultos perdidos na cidadeonde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,e é ternura também que vou vestindo,para enfrentar lá fora aquela genteque da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nósa despimos assim que estamos sós!
*
Dom | 31.05.15

Nas Linhas Em Que Me Escrevo #2

Carina Pereira
O segundo caderno desta rubrica dominical - já estou a falar como o padre da minha aldeia! - foi comprado há muitos anos e mantém a sua intenção original. Ainda o uso, embora não com a mesma frequência. Quando somos adolescentes temos tempo e pachorra para muitas coisas. Hoje em dia quase me esqueço dele, mesmo quando a oportunidade de o usar se apresenta.E qual é a sua função, perguntais vós? Este caderno foi quase uma idea roubada de um filme, baseado num livro de Nicholas Sparks. No filme, Um Momento Inesquecível, uma das personagens principais, Jamie, guarda um livro que pertencera à sua mãe, onde ela apontava as suas frases favoritas, e é isso mesmo que eu faço com este caderno. Quando vejo um poema que gosto muito, ou uma frase de um livro que me toca, eu pego no caderninho e lá a aponto. Às vezes vou revê-las, e volto sempre a sorrir.A primeira entrada é o meu poema favorito, de David Mourão-Ferreira. Partilho-o aqui.

Carina Pereira

*

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,que é feito de ternura amarrotada,da frescura que vem depois do sol,quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!Há restos de ternura pelo meio,como vultos perdidos na cidadeonde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,e é ternura também que vou vestindo,para enfrentar lá fora aquela genteque da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nósa despimos assim que estamos sós!
*
Sex | 29.05.15

Não vos contei...

Carina Pereira
... que, na vida, a minha mãe tem três amores. Um deles é o Júlio Iglesias - de quem ela chegou até a coleccionar pequenos calendários, e cujo primeiro filme ela viu oito vezes no cinema. Sim, oito vezes. Outro, mais recente mas, mesmo assim, não menos importante, é o Tony Carreira. O outro é o meu pai.Há umas duas semanas o Tony Carreira, em propaganda ao seu último disco, tinha marcada uma sessão de autógrafos no Mar Shopping, em Matosinhos. Eu vi o evento no facebook, tratei logo de avisar a minha cunhada acerca do mesmo, e ela prontificou-se a passar a mensagem à minha mãe.Toda contente e lampeira, lá foi a minha mãe esperar duas horas na fila para estar com o Tony.Ora, enquanto ela aguardava na fila surgiu um pequeno obstáculo: o segurança avisou que o Tony Carreira só assinaria um disco por pessoa - de preferência o último disco - para evitar grandes esperas, pois claro. A minha mãe, munida de quatro álbuns sem o cunho pessoal do homem, começou a engendrar um plano. Quando a vez dela chegou, usando a emoção como arma de chantagem, lá disse ao Tony que os autógrafos e os discos eram para a filha dela, que vivia na Bélgica. O Tony, embargado certamente pelo orgulho de um tal pedido vindo de uma fã tão distante, prontificou-se de imediato a assinar os álbuns todos.O segurança ainda tentou intrometer-se, mas a minha mãe descartou outra vez a arma branca e, quando questionada a quem deveriam ser o CDs dedicados, respondeu prontamente "Para a Zeza!" que, incidentalmente, não é o meu nome, mas a este ponto já perceberam o golpe. E, com fotografias e quatro beijinhos dele, lá veio ela para casa toda contente.Admiro-lhe o desenrasque e ri-me mais que muito ao telefone com esta história.Estou sempre a aprender com ela.

Carina Pereira

Sex | 29.05.15

Não vos contei...

Carina Pereira
... que, na vida, a minha mãe tem três amores. Um deles é o Júlio Iglesias - de quem ela chegou até a coleccionar pequenos calendários, e cujo primeiro filme ela viu oito vezes no cinema. Sim, oito vezes. Outro, mais recente mas, mesmo assim, não menos importante, é o Tony Carreira. O outro é o meu pai.Há umas duas semanas o Tony Carreira, em propaganda ao seu último disco, tinha marcada uma sessão de autógrafos no Mar Shopping, em Matosinhos. Eu vi o evento no facebook, tratei logo de avisar a minha cunhada acerca do mesmo, e ela prontificou-se a passar a mensagem à minha mãe.Toda contente e lampeira, lá foi a minha mãe esperar duas horas na fila para estar com o Tony.Ora, enquanto ela aguardava na fila surgiu um pequeno obstáculo: o segurança avisou que o Tony Carreira só assinaria um disco por pessoa - de preferência o último disco - para evitar grandes esperas, pois claro. A minha mãe, munida de quatro álbuns sem o cunho pessoal do homem, começou a engendrar um plano. Quando a vez dela chegou, usando a emoção como arma de chantagem, lá disse ao Tony que os autógrafos e os discos eram para a filha dela, que vivia na Bélgica. O Tony, embargado certamente pelo orgulho de um tal pedido vindo de uma fã tão distante, prontificou-se de imediato a assinar os álbuns todos.O segurança ainda tentou intrometer-se, mas a minha mãe descartou outra vez a arma branca e, quando questionada a quem deveriam ser o CDs dedicados, respondeu prontamente "Para a Zeza!" que, incidentalmente, não é o meu nome, mas a este ponto já perceberam o golpe. E, com fotografias e quatro beijinhos dele, lá veio ela para casa toda contente.Admiro-lhe o desenrasque e ri-me mais que muito ao telefone com esta história.Estou sempre a aprender com ela.

Carina Pereira

Ter | 26.05.15

The Raggedy Bow e FramedBits

Carina Pereira
Vou aproveitar este espaço para publicitar as minhas duas lojinhas online, onde vendo algumas geringonças que faço. Gosto bastante de Arts & Crafts embora gostasse de saber fazer mais do que o que sei.Como acabo sempre por juntar muita coisa aqui em casa - acumulada em caixas porque não sei que mais lhes fazer - mantenho também estas duas lojas para as vender.Uma das lojas é a FramedBits e vendo este tipo de peças:Laços Para Cabelo€1.20Bases Para Copos€12Molduras€8(Sim, essa sou eu pequenina!)Entre outros artigos. As cores podem ser alteradas a gosto e é tudo feito à mão.Podem ver a loja AQUI. Como o site é Americano está tudo em dólares. Os portes de envio podem ser combinados caso queiram comprar mais do que um produto de cada vez, basta falarem comigo antes de comprarem.*A outra loja chama-se The Raggedy Bow e é onde vendo Lacinhos para cabelo.De TecidoChecked single fabric hair bow - blueBlue flowers single fabric hair bow €3De FitaCornucopias doubled ribbon hair bow Fireworks lotus doubled ribbon hair bow €2.5Tenho mais tecidos disponíveis, que colocarei no site brevemente. Podem ver a loja AQUI.*O preço do envio das peças da primeira loja depende do tamanho e peso do artigo, mas os portes de envio dos laços é de €3 para qualquer um. Mais uma vez, também neste caso os portes podem ser combinados, sendo que o envio de, por exemplo, três laços, seria na mesma €3.Também faço descontos em vendas de vários artigos.Se alguém estiver interessado nalgum artigo pode falar comigo primeiro por aqui, para descontos e afins. ;)

Carina Pereira

Ter | 26.05.15

The Raggedy Bow e FramedBits

Carina Pereira
Vou aproveitar este espaço para publicitar as minhas duas lojinhas online, onde vendo algumas geringonças que faço. Gosto bastante de Arts & Crafts embora gostasse de saber fazer mais do que o que sei.Como acabo sempre por juntar muita coisa aqui em casa - acumulada em caixas porque não sei que mais lhes fazer - mantenho também estas duas lojas para as vender.Uma das lojas é a FramedBits e vendo este tipo de peças:Laços Para Cabelo€1.20Bases Para Copos€12Molduras€8(Sim, essa sou eu pequenina!)Entre outros artigos. As cores podem ser alteradas a gosto e é tudo feito à mão.Podem ver a loja AQUI. Como o site é Americano está tudo em dólares. Os portes de envio podem ser combinados caso queiram comprar mais do que um produto de cada vez, basta falarem comigo antes de comprarem.*A outra loja chama-se The Raggedy Bow e é onde vendo Lacinhos para cabelo.De TecidoChecked single fabric hair bow - blueBlue flowers single fabric hair bow €3De FitaCornucopias doubled ribbon hair bow Fireworks lotus doubled ribbon hair bow €2.5Tenho mais tecidos disponíveis, que colocarei no site brevemente. Podem ver a loja AQUI.*O preço do envio das peças da primeira loja depende do tamanho e peso do artigo, mas os portes de envio dos laços é de €3 para qualquer um. Mais uma vez, também neste caso os portes podem ser combinados, sendo que o envio de, por exemplo, três laços, seria na mesma €3.Também faço descontos em vendas de vários artigos.Se alguém estiver interessado nalgum artigo pode falar comigo primeiro por aqui, para descontos e afins. ;)

Carina Pereira

Ter | 26.05.15

Blogazine - Colaboração

Carina Pereira
Há umas semanas deixei aqui uma publicação sobre a Blogazine, a primeira revsta online feita por bloggers.Eles estavam ainda à procura de alguns associados para fazerem parte da equipa da revista, de modo que me decidi candidatar ao posto, e fui seleccionada.Por isso, a partir do próximo mês, vou passar a fazer parte da equipa da Blogazine e escreverei artigos para a rubrica Quotidiano.A revista é de publicação mensal; eu farei questão de deixar aqui os links para a mesma, acompanhado dos textos por mim escritos que lá forem publicados, assim que a revista for editada.Para quem quiser dar uma vista de olhos à edição de Maio fica aqui o link, e também a página do Facebook.Boa semana!

Carina Pereira

Ter | 26.05.15

Blogazine - Colaboração

Carina Pereira
Há umas semanas deixei aqui uma publicação sobre a Blogazine, a primeira revsta online feita por bloggers.Eles estavam ainda à procura de alguns associados para fazerem parte da equipa da revista, de modo que me decidi candidatar ao posto, e fui seleccionada.Por isso, a partir do próximo mês, vou passar a fazer parte da equipa da Blogazine e escreverei artigos para a rubrica Quotidiano.A revista é de publicação mensal; eu farei questão de deixar aqui os links para a mesma, acompanhado dos textos por mim escritos que lá forem publicados, assim que a revista for editada.Para quem quiser dar uma vista de olhos à edição de Maio fica aqui o link, e também a página do Facebook.Boa semana!

Carina Pereira

Seg | 25.05.15

Em Leitura - Not That Kind Of Girl

Carina Pereira
Hoje de manhã terminei o livro de José Eduardo Agualusa, As Mulheres Do Meu Pai, e vou agora começar outro livro que tem suscitado opiniões contrárias.A autora de Not That Kind Of Girl, Lena Dunham, é uma atriz Americana que decidiu - aos 28 anos - contar a história da sua vida. Este livro é uma biografia, onde apenas alguns nomes foram alterados, mas cujos acontecimentos são absolutamente reais - ou assim nos garante Dunham.Há quem goste do humor com que o mesmo é escrito; há quem critique Lena Dunham pelo desapego com que algumas passagens - que relatam acontecimentos graves - são contadas.Com tudo isto fiquei curiosa e, para tirar as minhas próprias conclusões, decidi ler o livro. Em breve vos trago a crítica.

Carina Pereira

Nota: A versão que adquiri está escrita em Inglês. Em Português titula-se Não Sou Esse Tipo De Miúda.

Seg | 25.05.15

Em Leitura - Not That Kind Of Girl

Carina Pereira
Hoje de manhã terminei o livro de José Eduardo Agualusa, As Mulheres Do Meu Pai, e vou agora começar outro livro que tem suscitado opiniões contrárias.A autora de Not That Kind Of Girl, Lena Dunham, é uma atriz Americana que decidiu - aos 28 anos - contar a história da sua vida. Este livro é uma biografia, onde apenas alguns nomes foram alterados, mas cujos acontecimentos são absolutamente reais - ou assim nos garante Dunham.Há quem goste do humor com que o mesmo é escrito; há quem critique Lena Dunham pelo desapego com que algumas passagens - que relatam acontecimentos graves - são contadas.Com tudo isto fiquei curiosa e, para tirar as minhas próprias conclusões, decidi ler o livro. Em breve vos trago a crítica.

Carina Pereira

Nota: A versão que adquiri está escrita em Inglês. Em Português titula-se Não Sou Esse Tipo De Miúda.

Seg | 25.05.15

As Mulheres Do Meu Pai de José Eduardo Agualusa

Carina Pereira

Nem sei bem por onde começar com este livro, mas vamos lá fazer isto.

José Eduardo Agualusa conta histórias que, apesar de todas as fantasias a que ele recorre, tão regularmente usadas na literatura Africana, podiam ser reais. É isso, aliás, que torna as histórias tão merecedoras do nosso tempo e tão difíceis de seguir.

Nos livros que já li de Agualusa há, tal como na vida, imensas personagens. Ao contrário da maioria dos romances, onde há duas ou três personagens principais e a história toda roda à volta delas até se desenrolar para nos fazer saber o fim, nos escritos de Agualusa há mais personagens do que conseguimos prestar conta. Histórias entrelaçadas umas nas outras que, a não fazerem exactamente falta à narrativa inicial, nos desvendam muito mais sobre cada pessoa que nos é apresentada.

Tudo isto faz com que eu chegue ao fim dos seus livros completamente satisfeita, - José Eduardo Agualusa escreve de tal forma que, entendendo o que me está a ser contado ou não, eu quero é continuar a ler - mas em parte frustrada e com a sensação de que não percebi metade do que li. Ou melhor, entendi mas não memorizei e, por isso, não o consigo reproduzir.

N'As Mulheres Do Meu Pai a narrativa é feita - à imagem do Vendedor De Passados e Barroco Tropical - na primeira pessoa, com a particularidade que Agualusa não revela no início de cada capítulo quem está a falar no momento. Por isso, lá vamos nós caminhando em algumas linhas à deriva, até percebermos quem narra agora.

Já decidi que no próximo livro de Agualusa me vou munir de um bloco de notas e apontar o nome de cada personagem, e o que as liga a todas, a ver se consigo resumir o livro mais concretamente.

Aqui, Laurentina quer descobrir tudo sobre o seu falecido pai, um contrabaixista outrora muito famoso chamado Faustino Manso. Às páginas tantas decide percorrer África para falar com todas as mulheres que o seu pai teve, sete no total. Nesta viagem muito sucede e mais ainda se descobre, não só sobre Faustino Manso, mas sobre cada personagem que acompanha Laurentina nesta jornada. É interessante vê-las a redescobrirem-se a elas próprias também. Bartolomeu Falcato, personagem de Barroco Tropical, regressa nesta história.

Vale bem a pena ler.

*

"Comovem-me os desastres ou as alegrias de amor dos outros, mas não me lembro de ter chorado alguma vez em razão dos meus próprios desaires."

"Raízes? Raízes têm as plantas e é por isso que não se podem mover. Eu não tenho raízes. Sou um homem livre."

"O ruído sufoca a cidade como um cobertor de arame farpado."

"Os perigos supostos assustam tanto quanto os reais."

"Sentia-me acanhado em Portugal, como se tivesse vestido por engano um casaco alheio, e ele me ficasse demasiado justo nos ombros."

"Um sorriso manso. Quente como um abraço."

"Parece uma imagem roubada a um sonho."

"Porém, o homem põe e Deus indispõe-se."

"É isto: onde uns vêem luz outros apenas distinguem sombras."

"Queria amá-lo como no princípio de tudo."

"Isto é o meio do caminho entre o nada e lugar nenhum."

"O meu pai entregava-se de alma e coração a todas as causas perdidas, aos vencidos da vida, aos lugares sem salvação."

"No meu caso também foi assim. Tive um grande amor e perdi-o. Não teria sido um grande amor se o não tivesse perdido."

"Sim, gosto dos lugares onde não se passa nada, mas gosto deles apenas enquanto passo."

"Se realmente vê é com os olhos da alma. Desses não sei tratar."

 "Navios ferrugentos enconstam-se ao sólido cais de betão como sonhos mortos."

"- Estou certo de que haverá muitas coisas nas quais não acreditas, meu irmão, mas a tua descrença não impede que elas prosperem, um pouco por toda a parte, e sobretudo aqui, sob os céus de África. A realidade tem mais imaginação do que tu."

"Não há nada mais triste, e mais bonito também, do que uma carta de despedida."

"Incomoda-me ainda mais a possibilidade de efectivamente cair no sono, e sonhar os restos dos sonhos que alguém deixou para trás."

"Movia-se em silêncio, sem ferir o chão, e ao mesmo tempo seguro, o anjo da morte a passear ao crepúsculo."

"A bala atingiu-o no coração. No funeral alguém comentou, creio que foi o padre, não ser de admirar que a bala tivesse atingido o coração porque ele tinha um coração enorme."

"- A morte é tão triste quanto a vida, mas dura mais."

"Há manhãs que parecem vir de muito longe."

"É como imaginar um leão que conseguisse impor a sua autoridade miando como um gato."

"Amo-te muito, amo-te sem esperança, e sem promessas, que é o amor mais puro e mais autêntico que o coração de um homem pode experimentar."

"A verdadeira beleza não se pode aprisionar, não se repete, e não se prevê. Um arco-íris será belo enquanto permanecer indomável."

"- Leve os sonhos a sério - sussurrou - Nada é tão verdadeiro que não mereça ser inventado."

*

Carina Pereira

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Seg | 25.05.15

As Mulheres Do Meu Pai de José Eduardo Agualusa

Carina Pereira

Nem sei bem por onde começar com este livro, mas vamos lá fazer isto.

José Eduardo Agualusa conta histórias que, apesar de todas as fantasias a que ele recorre, tão regularmente usadas na literatura Africana, podiam ser reais. É isso, aliás, que torna as histórias tão merecedoras do nosso tempo e tão difíceis de seguir.

Nos livros que já li de Agualusa há, tal como na vida, imensas personagens. Ao contrário da maioria dos romances, onde há duas ou três personagens principais e a história toda roda à volta delas até se desenrolar para nos fazer saber o fim, nos escritos de Agualusa há mais personagens do que conseguimos prestar conta. Histórias entrelaçadas umas nas outras que, a não fazerem exactamente falta à narrativa inicial, nos desvendam muito mais sobre cada pessoa que nos é apresentada.

Tudo isto faz com que eu chegue ao fim dos seus livros completamente satisfeita, - José Eduardo Agualusa escreve de tal forma que, entendendo o que me está a ser contado ou não, eu quero é continuar a ler - mas em parte frustrada e com a sensação de que não percebi metade do que li. Ou melhor, entendi mas não memorizei e, por isso, não o consigo reproduzir.

N'As Mulheres Do Meu Pai a narrativa é feita - à imagem do Vendedor De Passados e Barroco Tropical - na primeira pessoa, com a particularidade que Agualusa não revela no início de cada capítulo quem está a falar no momento. Por isso, lá vamos nós caminhando em algumas linhas à deriva, até percebermos quem narra agora.

Já decidi que no próximo livro de Agualusa me vou munir de um bloco de notas e apontar o nome de cada personagem, e o que as liga a todas, a ver se consigo resumir o livro mais concretamente.

Aqui, Laurentina quer descobrir tudo sobre o seu falecido pai, um contrabaixista outrora muito famoso chamado Faustino Manso. Às páginas tantas decide percorrer África para falar com todas as mulheres que o seu pai teve, sete no total. Nesta viagem muito sucede e mais ainda se descobre, não só sobre Faustino Manso, mas sobre cada personagem que acompanha Laurentina nesta jornada. É interessante vê-las a redescobrirem-se a elas próprias também. Bartolomeu Falcato, personagem de Barroco Tropical, regressa nesta história.

Vale bem a pena ler.

*

"Comovem-me os desastres ou as alegrias de amor dos outros, mas não me lembro de ter chorado alguma vez em razão dos meus próprios desaires."

"Raízes? Raízes têm as plantas e é por isso que não se podem mover. Eu não tenho raízes. Sou um homem livre."

"O ruído sufoca a cidade como um cobertor de arame farpado."

"Os perigos supostos assustam tanto quanto os reais."

"Sentia-me acanhado em Portugal, como se tivesse vestido por engano um casaco alheio, e ele me ficasse demasiado justo nos ombros."

"Um sorriso manso. Quente como um abraço."

"Parece uma imagem roubada a um sonho."

"Porém, o homem põe e Deus indispõe-se."

"É isto: onde uns vêem luz outros apenas distinguem sombras."

"Queria amá-lo como no princípio de tudo."

"Isto é o meio do caminho entre o nada e lugar nenhum."

"O meu pai entregava-se de alma e coração a todas as causas perdidas, aos vencidos da vida, aos lugares sem salvação."

"No meu caso também foi assim. Tive um grande amor e perdi-o. Não teria sido um grande amor se o não tivesse perdido."

"Sim, gosto dos lugares onde não se passa nada, mas gosto deles apenas enquanto passo."

"Se realmente vê é com os olhos da alma. Desses não sei tratar."

 "Navios ferrugentos enconstam-se ao sólido cais de betão como sonhos mortos."

"- Estou certo de que haverá muitas coisas nas quais não acreditas, meu irmão, mas a tua descrença não impede que elas prosperem, um pouco por toda a parte, e sobretudo aqui, sob os céus de África. A realidade tem mais imaginação do que tu."

"Não há nada mais triste, e mais bonito também, do que uma carta de despedida."

"Incomoda-me ainda mais a possibilidade de efectivamente cair no sono, e sonhar os restos dos sonhos que alguém deixou para trás."

"Movia-se em silêncio, sem ferir o chão, e ao mesmo tempo seguro, o anjo da morte a passear ao crepúsculo."

"A bala atingiu-o no coração. No funeral alguém comentou, creio que foi o padre, não ser de admirar que a bala tivesse atingido o coração porque ele tinha um coração enorme."

"- A morte é tão triste quanto a vida, mas dura mais."

"Há manhãs que parecem vir de muito longe."

"É como imaginar um leão que conseguisse impor a sua autoridade miando como um gato."

"Amo-te muito, amo-te sem esperança, e sem promessas, que é o amor mais puro e mais autêntico que o coração de um homem pode experimentar."

"A verdadeira beleza não se pode aprisionar, não se repete, e não se prevê. Um arco-íris será belo enquanto permanecer indomável."

"- Leve os sonhos a sério - sussurrou - Nada é tão verdadeiro que não mereça ser inventado."

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Carina Pereira

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Dom | 24.05.15

Nas Linhas Em Que Me Escrevo #1

Carina Pereira
O primeiro caderno escolhido para começar esta jornada, do meio de todos os que me enchem as gavetas, foi comprado para servir como uma espécie de Diário De Bordo. A intenção teria sido usá-lo quando visitasse Inglaterra, país que sempre quis conhecer. Acabei por nunca o usar com o intuito com que o comprei, porque a viagem a Inglaterra demorou mais a chegar do que o previsto. Assim, às páginas tantas, decidi tornar o caderno, porque gostei tanto dele, no fiel guardião dos meus sonhos. Não os que tenho acordada, mas os sonhos literais, de olhos fechados e sono profundo.A primeira página data de 2 de Maio de 2009.Houve uma época em que me recordava vivamente dos sonhos estrambólicos que tinha, e sonhava-os com muita regularidade. Este caderno foi a sua primeira casa. Eventualmente, até esta função de caderno dos sonhos lhe foi retirada, transferida para outro caderno mais "direitinho." Ficaram páginas deste ainda por escrever, rascunhos em folhas soltas também.

Carina Pereira

Dom | 24.05.15

Nas Linhas Em Que Me Escrevo #1

Carina Pereira
O primeiro caderno escolhido para começar esta jornada, do meio de todos os que me enchem as gavetas, foi comprado para servir como uma espécie de Diário De Bordo. A intenção teria sido usá-lo quando visitasse Inglaterra, país que sempre quis conhecer. Acabei por nunca o usar com o intuito com que o comprei, porque a viagem a Inglaterra demorou mais a chegar do que o previsto. Assim, às páginas tantas, decidi tornar o caderno, porque gostei tanto dele, no fiel guardião dos meus sonhos. Não os que tenho acordada, mas os sonhos literais, de olhos fechados e sono profundo.A primeira página data de 2 de Maio de 2009.Houve uma época em que me recordava vivamente dos sonhos estrambólicos que tinha, e sonhava-os com muita regularidade. Este caderno foi a sua primeira casa. Eventualmente, até esta função de caderno dos sonhos lhe foi retirada, transferida para outro caderno mais "direitinho." Ficaram páginas deste ainda por escrever, rascunhos em folhas soltas também.

Carina Pereira

Sex | 22.05.15

As Coisas Que Nos Fazem Felizes #4

Carina Pereira
Adivinhem quem vai ver o Marco Rodrigues a Gent em Setembro? Dou-vos uma pista, sou eu! :DJá comprei os bilhetes e, como não sei se vou poder ir de carro ou terei que ir de comboio, hoje vou reservar os Hostel para lá ficar. Também não conheço ainda a cidade e, como o concerto é a uma Sexta-Feira, se lá ficar a pernoitar aproveito para dar uma volta pela cidade no Sábado. Se for de carro dá na mesma para anular o Hostel sem custos.Noutras notícias do género, o António Zambujo vai dar concerto em Vila do Conde, pertinho de onde eu vivia, um dia antes de eu chegar à Póvoa de Varzim para passar férias em Portugal. Eu chego dia 26 de Julho e o concerto dele é dia 25. Não tenho nada a dizer sobre isto.

Carina Pereira

Sex | 22.05.15

As Coisas Que Nos Fazem Felizes #4

Carina Pereira
Adivinhem quem vai ver o Marco Rodrigues a Gent em Setembro? Dou-vos uma pista, sou eu! :DJá comprei os bilhetes e, como não sei se vou poder ir de carro ou terei que ir de comboio, hoje vou reservar os Hostel para lá ficar. Também não conheço ainda a cidade e, como o concerto é a uma Sexta-Feira, se lá ficar a pernoitar aproveito para dar uma volta pela cidade no Sábado. Se for de carro dá na mesma para anular o Hostel sem custos.Noutras notícias do género, o António Zambujo vai dar concerto em Vila do Conde, pertinho de onde eu vivia, um dia antes de eu chegar à Póvoa de Varzim para passar férias em Portugal. Eu chego dia 26 de Julho e o concerto dele é dia 25. Não tenho nada a dizer sobre isto.

Carina Pereira

Qui | 21.05.15

As Coisas Que Nos Fazem Felizes #3

Carina Pereira
Este ano decidi aprender mais uma língua - Italiano - e, apesar das aulas serem dadas em Holandês e o meu ainda precisar de melhorar, lá fui eu toda contente aprender uma língua que sempre quis aprender. O facto de as aulas serem em Holandês, na verdade, até me ajudou a conseguir mais vocabulário, por isso acabei por aprender um pouco de ambas as línguas.A evolução não foi drástica - só tinha aulas uma vez por semana - mas já me ajudou a compreender melhor Italiano, que é parecido com Português, mas não parecido o suficiente para eu entender tudo sem aulas.Esta semana, mais concretamente Segunda-Feira, encontrei-me com os meus colegas do curso para jantar. O ano lectivo chegou ao fim e o jantar de comemoração foi bastante agradável. Fomos a um restaurante Italiano, a comida era boa, e a companhia também, divertimo-nos bastante.O resultado final do ano lectivo também foi muito bom e, se tudo correr como planeado, para o ano lá estarei para aprender mais. A língua não tem para mim nenhuma utilidade específica, mas como gosto de línguas e o Italiano é muito bonito, serve para me matar a curiosidade de a aprender.As aulas de guitarra também estão quase a acabar, falta só uma aula. Eu bem que não queria, queria evoluir mais para saber tocar melhor, mas o professor faz as mesmas férias que a escola, por isso só para Setembro regresso à labuta. Entretanto aproveito estes meses para treinar o que sei melhor.Ontem também comecei com outra aula, desta vez de Yoga. Já tinha feito Yoga em casa com a ajuda da minha Nintendo DS e achei fantástico, mas queria agora experimentar aulas a sério. Como me inscrevi no ginásio há pouco tempo e as aulas de Yoga estavam incluídas no pacote mensal, decidi experimentar. Adorei. A aula de ontem foi mesmo o que estava à espera, mas melhor. Vou continuar, para a semana estou lá de novo.E, para terminar, aqui fica o resultado das minhas aulas de Italiano!Buona serata! :D

Carina Pereira

Qui | 21.05.15

As Coisas Que Nos Fazem Felizes #3

Carina Pereira
Este ano decidi aprender mais uma língua - Italiano - e, apesar das aulas serem dadas em Holandês e o meu ainda precisar de melhorar, lá fui eu toda contente aprender uma língua que sempre quis aprender. O facto de as aulas serem em Holandês, na verdade, até me ajudou a conseguir mais vocabulário, por isso acabei por aprender um pouco de ambas as línguas.A evolução não foi drástica - só tinha aulas uma vez por semana - mas já me ajudou a compreender melhor Italiano, que é parecido com Português, mas não parecido o suficiente para eu entender tudo sem aulas.Esta semana, mais concretamente Segunda-Feira, encontrei-me com os meus colegas do curso para jantar. O ano lectivo chegou ao fim e o jantar de comemoração foi bastante agradável. Fomos a um restaurante Italiano, a comida era boa, e a companhia também, divertimo-nos bastante.O resultado final do ano lectivo também foi muito bom e, se tudo correr como planeado, para o ano lá estarei para aprender mais. A língua não tem para mim nenhuma utilidade específica, mas como gosto de línguas e o Italiano é muito bonito, serve para me matar a curiosidade de a aprender.As aulas de guitarra também estão quase a acabar, falta só uma aula. Eu bem que não queria, queria evoluir mais para saber tocar melhor, mas o professor faz as mesmas férias que a escola, por isso só para Setembro regresso à labuta. Entretanto aproveito estes meses para treinar o que sei melhor.Ontem também comecei com outra aula, desta vez de Yoga. Já tinha feito Yoga em casa com a ajuda da minha Nintendo DS e achei fantástico, mas queria agora experimentar aulas a sério. Como me inscrevi no ginásio há pouco tempo e as aulas de Yoga estavam incluídas no pacote mensal, decidi experimentar. Adorei. A aula de ontem foi mesmo o que estava à espera, mas melhor. Vou continuar, para a semana estou lá de novo.E, para terminar, aqui fica o resultado das minhas aulas de Italiano!Buona serata! :D

Carina Pereira

Dom | 17.05.15

The Shining Shoes

Carina Pereira
A minha sobrinha sempre gostou de histórias. Quando, na sua sesta da tarde, eu a ia adormecer, ela pedia sempre uma, de preferência inventada e onde ela tivesse também algum papel.A minha sobrinha tinha também um par de sapatos que, quando ela batia com os pés no chão, acendiam e brilhavam.Uma tarde, preparando-lhe uma história para ela adormecer, lembrei-me dos seus sapatos com luzes e decidi torná-la a heroína do dia. Uns anos mais tarde peguei na mesma ideia e criei o poema que vos deixo hoje.Está em Inglês, bem sei, porque houve uma altura no ano passado em que a maioria dos meus textos era em Inglês. Fiz as ilustrações, - se é que se pode chamar isso a esta vã tentativa de dar um quê qualquer à história - gravei o poema e depois criei o vídeo.Para já a minha sobrinha não entende que este vídeo é a história que eu naquela tarde lhe contei, agora em forma de poema, e a língua é-lhe estranha, mas espero que um dia ela o consiga apreciar ainda mais do que o apreciou quando a minha cunhada lhe contou que eu tinha feito uma história para ela.Espero que gostem.

Carina Pereira

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Dom | 17.05.15

The Shining Shoes

Carina Pereira
A minha sobrinha sempre gostou de histórias. Quando, na sua sesta da tarde, eu a ia adormecer, ela pedia sempre uma, de preferência inventada e onde ela tivesse também algum papel.A minha sobrinha tinha também um par de sapatos que, quando ela batia com os pés no chão, acendiam e brilhavam.Uma tarde, preparando-lhe uma história para ela adormecer, lembrei-me dos seus sapatos com luzes e decidi torná-la a heroína do dia. Uns anos mais tarde peguei na mesma ideia e criei o poema que vos deixo hoje.Está em Inglês, bem sei, porque houve uma altura no ano passado em que a maioria dos meus textos era em Inglês. Fiz as ilustrações, - se é que se pode chamar isso a esta vã tentativa de dar um quê qualquer à história - gravei o poema e depois criei o vídeo.Para já a minha sobrinha não entende que este vídeo é a história que eu naquela tarde lhe contei, agora em forma de poema, e a língua é-lhe estranha, mas espero que um dia ela o consiga apreciar ainda mais do que o apreciou quando a minha cunhada lhe contou que eu tinha feito uma história para ela.Espero que gostem.

Carina Pereira

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