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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

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Sex | 20.02.15

Os Sensatos

Carina Pereira

Os sensatos deixam os sonhos de lado

Quando não são mais viáveis

E dão forma à vida.

Desprendidos,

Vão construindo castelos de pedra.

Eu deixo os meus sonhos impossíveis

Envenenarem-me,

Cianeto numa bebida já amarga.

Engulo-os, mas eles não me matam;

Correm-me nas veias,

Azedando-me por dentro.

Os sensatos encontram um lugar para assentar alicerces,

Às vezes tão frágeis;

Meias vidas, morno existir

Que o acostumar engana e a pele já nem sente

O arrepio constante que por si passa

De possibilidades abandonadas.

Eu sou uma árvore a abanar ao vento

Sem vergar,

O pé que hesita apertar o travão,

O peão que atravessou e na face da morte

Estagna

Quando devia correr para qualquer lado.

Eu sou uma semente de dente-de-leão soprada

Que transporta em si desejos

E em troca nunca chega a ser.

Os sensatos deixam os sonhos de lado

E vão viver.

Eu brindo e deixo o veneno dos meus sonhos inviáveis

Entorpecer-me.

Não tem o travo amargo de tudo ser morno;

Sabe ao limbo,

Ao pânico crescente do já ser tarde,

Ao resquício crente do ainda ser tempo.

Carina Pereira, 20 de Fevereiro de 2015

in "Raízes"

Sex | 20.02.15

Os Sensatos

Carina Pereira

Os sensatos deixam os sonhos de lado

Quando não são mais viáveis

E dão forma à vida.

Desprendidos,

Vão construindo castelos de pedra.

Eu deixo os meus sonhos impossíveis

Envenenarem-me,

Cianeto numa bebida já amarga.

Engulo-os, mas eles não me matam;

Correm-me nas veias,

Azedando-me por dentro.

Os sensatos encontram um lugar para assentar alicerces,

Às vezes tão frágeis;

Meias vidas, morno existir

Que o acostumar engana e a pele já nem sente

O arrepio constante que por si passa

De possibilidades abandonadas.

Eu sou uma árvore a abanar ao vento

Sem vergar,

O pé que hesita apertar o travão,

O peão que atravessou e na face da morte

Estagna

Quando devia correr para qualquer lado.

Eu sou uma semente de dente-de-leão soprada

Que transporta em si desejos

E em troca nunca chega a ser.

Os sensatos deixam os sonhos de lado

E vão viver.

Eu brindo e deixo o veneno dos meus sonhos inviáveis

Entorpecer-me.

Não tem o travo amargo de tudo ser morno;

Sabe ao limbo,

Ao pânico crescente do já ser tarde,

Ao resquício crente do ainda ser tempo.

Carina Pereira, 20 de Fevereiro de 2015

in "Raízes"