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Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Contador D'Estórias

Um blog com estórias dentro.

Sab | 14.02.15

Vincent Van Gogh

Carina Pereira

Pudera eu condensar na minha arte

Todas as camadas de que é feito o céu,

E mostrar que também na claridade do dia

Cabe a surda cegueira do bréu.


Pudera eu mostrar as ardentes estrelas

Tal e qual as vejo e imagino,

E encontrar um pedaço de sossego

Ao dissecar este ofuscante fulgor que não domino.


Quisera eu contar os monstros que em mim vivem,

Atemorizá-los para terem medo do que sou,

Mas sem forças deixo-os tornarem-se mais eu,

E eles fundem-se comigo;  eu vou.


As cores que eu vejo não são de mais ninguém,

E os pesadelos que me habitam são só meus.

Quisera eu que o meu coração derramasse tinta vermelha,

Pudera assim essa tinta deixar de ser etérea,

E os olhares que me acusam terem pena de eu ser eu.


As cores que vejo são fulgentes

E o mundo em que habito não as abraça, não as entende.

Os pigmentos esplendorosos deste universo gritam bem no meu centro,

A minha tristeza não acaba nesta tela em que pinto:

Não vem de fora; rompe de dentro.

Carina Pereira, 14 de Fevereiro de 2015

in "Raízes"

The Starry Night, 1889

"A tristeza durará para sempre."

Vincent Van Gogh, últimas palavras.

Sab | 14.02.15

Vincent Van Gogh

Carina Pereira

Pudera eu condensar na minha arte

Todas as camadas de que é feito o céu,

E mostrar que também na claridade do dia

Cabe a surda cegueira do bréu.


Pudera eu mostrar as ardentes estrelas

Tal e qual as vejo e imagino,

E encontrar um pedaço de sossego

Ao dissecar este ofuscante fulgor que não domino.


Quisera eu contar os monstros que em mim vivem,

Atemorizá-los para terem medo do que sou,

Mas sem forças deixo-os tornarem-se mais eu,

E eles fundem-se comigo;  eu vou.


As cores que eu vejo não são de mais ninguém,

E os pesadelos que me habitam são só meus.

Quisera eu que o meu coração derramasse tinta vermelha,

Pudera assim essa tinta deixar de ser etérea,

E os olhares que me acusam terem pena de eu ser eu.


As cores que vejo são fulgentes

E o mundo em que habito não as abraça, não as entende.

Os pigmentos esplendorosos deste universo gritam bem no meu centro,

A minha tristeza não acaba nesta tela em que pinto:

Não vem de fora; rompe de dentro.

Carina Pereira, 14 de Fevereiro de 2015

in "Raízes"

The Starry Night, 1889

"A tristeza durará para sempre."

Vincent Van Gogh, últimas palavras.

Sab | 14.02.15

Ai Margarida

Carina Pereira
Morremos tantas vezes sem ser senão poesia e é quando mais vivos nos sentimos.Há coisas que são tão boas que temos de partilhá-las e esta música, cujo vídeo aqui vos deixo, é uma delas. Aliada à intrepretação do Camané - um dos meus favoritos, se ainda não tinham dado conta - é magia.As primeiras vezes que escutei a música nem lhe dei uma oportunidade que fosse, pois achei-a lenta demais para me agarrar a atenção, - tenho um amor especial por fados corridinhos e com letras castiças - mas esta semana ouvi-a com atenção e pronto, lá encontrou um lugarzinho no meu peito e dali não sai.A letra, de Fernando Pessoa (por Álvaro de Campos em estado de inconsciência alcoólica,) dá-nos logo a sensação de estarmos a ver uma história a correr à frente dos nossos olhos, com cheiro a flores de campo por entre ruas estreitas, olhares malandros e sorrisos atrevidos, num vai-e-vem de palavras que anuncia o galanteio. A interpretação de Camané, que amalgama a melancolia típica do fado com a mensagem ligeira da letra, é tudo o que esta fábula poderia pedir."Ai Margarida,se eu te desse a minha vida,que farias tu com ela?- Escrevia uma canção assimAprendia a amar, por fimE bordava o meu fado na tua lapela."[embed]https://www.youtube.com/watch?v=6SiCdSwHysc[/embed]

Carina Pereira

in "Crónicas Ao Acaso"

Sab | 14.02.15

Ai Margarida

Carina Pereira
Morremos tantas vezes sem ser senão poesia e é quando mais vivos nos sentimos.Há coisas que são tão boas que temos de partilhá-las e esta música, cujo vídeo aqui vos deixo, é uma delas. Aliada à intrepretação do Camané - um dos meus favoritos, se ainda não tinham dado conta - é magia.As primeiras vezes que escutei a música nem lhe dei uma oportunidade que fosse, pois achei-a lenta demais para me agarrar a atenção, - tenho um amor especial por fados corridinhos e com letras castiças - mas esta semana ouvi-a com atenção e pronto, lá encontrou um lugarzinho no meu peito e dali não sai.A letra, de Fernando Pessoa (por Álvaro de Campos em estado de inconsciência alcoólica,) dá-nos logo a sensação de estarmos a ver uma história a correr à frente dos nossos olhos, com cheiro a flores de campo por entre ruas estreitas, olhares malandros e sorrisos atrevidos, num vai-e-vem de palavras que anuncia o galanteio. A interpretação de Camané, que amalgama a melancolia típica do fado com a mensagem ligeira da letra, é tudo o que esta fábula poderia pedir."Ai Margarida,se eu te desse a minha vida,que farias tu com ela?- Escrevia uma canção assimAprendia a amar, por fimE bordava o meu fado na tua lapela."[embed]https://www.youtube.com/watch?v=6SiCdSwHysc[/embed]

Carina Pereira

in "Crónicas Ao Acaso"